terça-feira, 21 de dezembro de 2010
The end
Por que decidi criar um novo blog para abandonar o norest? Tive vários motivos. Encontrei muitas dificuldades na plataforma blogspot, principalmente quanto aos templates, o visual do blog. É difícil ler um texto aqui, eu sei. Também fui infeliz ao criar o endereço do blog; admitemos, www.norestforthecursed.blogspot.com não é um nome de fácil memorização, ou até pronunciação.
Entretanto, eu amo esse blog. Sério. Ele tantas vezes aguentou minhas iras, tristezas, decepções, alegrias, realizações. Fiz amigos por conta dele. Pessoas leram meu trabalho por conta dele. É especial para mim. Por esse motivo, manterei-o no ar. Meu plano inicial é publicar novamente alguns textos que estão aqui em meu novo blog, o A letra A.
Também espero que todos os que vierem até aqui, e de alguma forma ou outra apreciarem, acessem meu novo endereço, aqui.
Agradeço à todos por tudo. Sinceramente, obrigado.
/Jou
sábado, 11 de dezembro de 2010
Smells like teen spirit
E eles foram. Cada um me conquistou de uma forma peculiar, diferente, totalmente nova. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” Acho que desde o primeiro dia eu soube que encontraria no colégio mais do que livros e cadernos. Na escola encontraria amigos. E não apenas amigos temporários, aqueles que só lhe conhecem para festas e diversão. Na T1 achei amigos que seguraram minhas lágrimas, e se falhavam, davam-me ajuda para enxugá-las. Amigos que, caso eu caísse, seriam os primeiros a me levantar. Amigos que mudaram o que eu sou e o que eu serei.
E foram os três longos anos mais rápidos de minha vida. Nunca me esquecerei dos jogos de futebol do primeiro ano, do Link, Marcel, Fabiano e suas loucuras, da queda na sala de história, das aulas de desenho chatíssimas, da timidez de cada um que, pouco a pouco, foi se indo para dar lugar a confiança. E foi no primeiro ano ainda, quando todos nós éramos crianças, que aprendi a conviver com as peculiaridades de cada um. Aprendi a respeitar cada um, a gostar de cada um. E foi ali, nas salas baforentas e entediantes, que descobri que amava minha turma.
Já no segundo ano, não éramos mais “cabaços”. Estávamos crescendo. E agora biologia, química, eletricidade, não eram um passeio no parque; a corda estava apertando, e para infelicidade geral, tivemos que estudar. Nunca me esquecerei dos porres com meus amigos, dos intermináveis debates sobre Tibia, do carinho que recebi de cada um quando passei pela pior fase da minha vida. Fabiano, uma figura, abandonou-nos nesse ano. Peroba, a lenda que respira, entrou em coma no colégio. O “Cantão” foi desfeito ou ampliado, ninguém sabe. O segundo ano deve um gosto pungente de juventude, de imortalidade de infinitude.
E então chegou o para muitos o último ano de T1. E, sem sombra de dúvidas, o melhor ano de todos, o melhor de minha vida. Já não éramos mais aquelas crianças que se conheceram dois anos atrás; agora somos homens e mulher, mais velhos e melhores, e com um conhecimento amargo: no final de 2010, a T1 acabaria. Mas foi tão rápido, tão incrível e dourado, que mal tomamos conhecimento de tal informação. Ninguém parecia querer tocar no assunto, aliás, ninguém queria pensar no assunto. Ninguém queria a despedida. Mas ela chegou.
Não estávamos preparados para isso. Quero dizer, depois de três anos nossa união parecia eterna. A perfeita turma imperfeita, que na confusão, tornou-se a melhor. Imprescindível no meu dia, em minha vida. Setembro, outubro, novembro... Dezembro. E chegou dezembro, e nos disse algo que desde o primeiro dia de março de 2008 sabíamos: que nós teríamos que nos separar. Embora haja o quarto ano, nem todos o farão, e cada um fará uma falta tão imensa e dolorosa que assusta. Digo agora, com toda a verdade que tenha, com cada fibra da minha existência: esses três anos com vocês foram os melhores de minha vida, e embora tenha havido tantas percalços, não os trocaria por nada. Perdi colegas, ganhei amigos. E mesmo se ficar sem vê-los por dia, meses ou anos, sei que assim que precisar vocês serão os primeiros a me levantar quando cair, sem nem pestanejar. Os anos da minha adolescência nunca serão esquecidos por conta de vocês, que os tornaram tão especiais. Só... Só não saíam de minha vida, OK? Porque juro que lutarei com todas minhas forças para mantê-los todos vocês perto de mim. E só me sobra algo a dizer: amo vocês. E agradeço a cada um de vocês por cada instante que passamos juntos, por cada risada que me proporcionaram. Obrigado, com todo o meu coração, T1. “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja eterno enquanto dure.”
terça-feira, 16 de novembro de 2010
All my loving
- Você não pode ir, não pode, eu não...
Ela não terminou a frase; via-se agora presa aos lábios de seu amado. Fechou seu par de olhos castanhos e adentrou na escuridão, e só uma coisa, um alguém a mantinha na realidade: ele. Acordou de seu sonho com a voz rouca do rapaz que roubara seu coração:
- Você sabe que amanhã eu não estarei aqui, de seu lado, mas cada suspiro da minha existência sentirá sua falta. Lembre-se: eu sempre fui verdadeiro, então não seria capaz de lhe enganar agora.
Ela nada disse. Sentia a respiração ritmada dele em seu corpo, e não poderia imaginar a falta que ele faria. Por que ele tinha que ser um dos estúpidos que iria lutar naquela guerra estúpida? Ele havia lhe dado seu coração; agora é a hora de cobrá-lo:
- Se você for eu juro que não estarei aqui quando voltar: fugirei, sumirei, morrerei. Não havíamos dado nossos corações um ao outro? Então não vá com o meu.
- Querida, meu coração é seu, mas isso não lhe dá o direito de partí-lo. Além disso, preciso de um pouco de você comigo, e enquanto meu coração bater, sei que você esperará por ele.
Ela apenas assentiu com lágrimas.
- Enquanto eu estiver fora escreverei para casa todo dia, vou mandar todo meu amor para você. Você, querida, pode escolher se irá recebê-lo ou não. Mas cada palavra, por mais simples que seja, será a mais próxima tradução do meu afeto por você. Sei que me odeia agora, mas também sei que um dia me perdoará. Eu só...
Ela nada fazia, apenas permitia que as lágrimas corressem por seu rosto.
- Você promete para mim que voltará? – perguntou ela enquanto o abraçava, sua cabeça repousando no peito dele.
- Num piscar de olhos. Será tão rápido que você nem terá tempo para esquecer de mim. – ele riu enquanto soluçava.
Ele recomeçou:
- Quando sentir minha falta lembre-se de meu beijo: finja que meus lábios estão juntos com os seus, que meu corpo está com o teu. E caso ainda não se sinta bem, reze. Espere que todos os seus sonhos tornem-se realidade, e por favor, ponha-me dentro deles.
Novamente, ela calou-se. Apenas o segurou a maior quantidade de tempo que pode, mas sabia que o final seria inevitável. Ele não poderia... Não agora... Ela o amava tanto... Mas ele se foi.
O último abraço, o último beijo, a última cena, a primeira lágrima. Ela viu-o entrar no ônibus, já fardado, e esperou com cada energia que um dia ele voltasse.
P.S.: Ele não voltou.
domingo, 17 de outubro de 2010
Fear of the dark
É uma sexta-feira, à noite. O céu, quase sem nuvens, é adornado por uma grande e iluminada lua cheia. O vento gelado sobra incessantemente sobre o seu rosto, parecendo dilacerá-lo. Toda a rua se mantêm em um silencio sepulcral, somente quebrado pelo assombroso uivo dos cães.
Você caminha sozinha pela rua escura. Faltam, exatamente, dois minutos para a meia-noite. As sombrias silhuetas das árvores parecem se transformar em grandes tentáculos, prontos para te agarrar. As sombras dançam à sua frente, confundindo sua mente, te fazendo perder noção do que é ou não real.
Você para. Era tudo uma ilusão. Por que você teve essa impressão? Será que foi o seu medo? Você faz essa pergunta a si mesma. “Que bobagem”, pensa. Continua. Sua respiração começa a ficar mais forte, mais rápida. Uma estranha névoa paira sobre os seus pés. De onde veio essa névoa? Não deveria haver névoa a essa hora da noite...
De repente, você ouve um barulho. Olha rapidamente. Não vê nada. “Isso deve ser coisa da minha cabeça”, pensa. Segue em frente. Novamente, você ouve algo. Olha assustada. Nada. Você tem a estranha sensação de estar sendo seguida. O sangue começa a correr rápido. Você acelera o passo. Sua respiração fica cada vez mais forte. De repente, um estranho grunhido. Você olha, por impulso. Na verdade, você não queria olhar, com medo de efetivamente ver algo. Novamente, nada. Você acelera ainda mais seus passos, chegando a quase correr.... Você percebe que está perdida.
O medo toma conta do seu ser. A névoa, agora espessa, e intensa, confunde os seus sentidos. Você não sabe aonde está, não sabe para onde correr, não sabe o que te persegue. De repente, um novo grunhido. Você vê dois grandes olhos brilhantes na neblina. O terror toma conta da sua mente. Você começa a correr, sem sentido, em direção ao nada. Você ouve a besta, faminta, te seguindo em meio à escuridão. É como um pesadelo se tornando realidade. Você percebe que está sem saída. Tenta correr pra outro lado. Tenta correr para todos os lados. Já é tarde demais. Suas pernas já não respondem mais aos seus comandos. Você olha para trás. Os dois grandes olhos cintilantes estão lá, te olhando, do mesmo modo que um predador olha uma presa. Suas pernas cedem, e você cai. Você desesperadamente começa a se arrastar, tentando fugir, tentando salvar sua vida. Um muro te para.
Os olhos. Eles te olham. Você grita, o mais alto que pode, esperando ser ouvida por alguém. Não sai nenhuma palavra de sua boca, somente gritos, apavorados, de alguem que está tentando, futilmente, sobreviver. Grandes garras e dentes começam a sair da neblina. Seus gritos cessam. Você está tão apavorada, que não consegue mais nem gritar. Um ultimo, e aterrorizante grito sai dentre seus lábios. Você fecha os olhos, esperando que tudo seja só uma ilusão. Você se pergunta se voltará a ver sua família, se voltará a ver seus amigos... Se voltará a ver o sol... A resposta é escrita com seu sangue, na agora vermelha rua.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
She loves you
Cecília, minha namorada, desvencilhou-se de suas amigas e virou seu rosto para mim:
- Tudo bem com você, Marcos? – Como eu seria capaz de magoar aqueles olhos verdes cheios de bondade que me fitavam? Menti.
- É claro, querida. – Esbocei um sorriso qualquer, e continuei – Eu só estou um pouco cansado, nada demais.
Ela pareceu aliviada, e então se voltou para a ininterrupta conversa que a envolvia. Daniel, namorado de Cristina, melhor amiga de Cecília, fez algum sinal incompreensível para mim. Notando a minha falta de entendimento, aproximou-se.
- Ei cara, vamos lá para a sala. Você deve estar ficando louco cercado por todas as garotas aqui. – Todas elas riram, e eu por obrigação, também. Não é que eu desgostasse Daniel e todos os outros namorados-das-amigas-de-minha-namorada, mas eles não eram meus amigos. Cecília parecia não compreender isso. Entretanto, eu seria um monstro se levasse tristeza àqueles olhos verdes, então só seguia e fazia, sem pensar muito.
A lasanha estava gostosa, mas o prato que eu deixava para trás estava quase cheio. Eu não tinha muita fome. Nunca gostei de jantares em grupos, sempre hipócritas, e meu apetite parecia se afetar com isso. Todos os “garotos” estavam na sala de estar, a apenas alguns passos da cozinha. Até era possível ouvir as conversas de ambos os grupos se cruzando. Mas ninguém, fora eu, pareceu se importar. William, novo namorado da pior amiga de Cecília, cumprimentou-me.
- Você continua caladão, Marcos.
- Melhor ficar de boca fechada e todos pensarem que você é idiota, do que abrir para todos terem certeza. – Ele levou um tempo para entender, mas depois riu alto. É uma indireta, seu idiota.
- Me pegou nessa. Fala aí: fiquei sabendo que você trabalha em uma revista de mulher pelada. É sério?
- Na verdade, são só fotos sensuais. Eu só escrevo artigos e...
Nunca terminei a frase. Gabriel, amigo de longa data de todos ali, uma pessoa por quem eu tinha anormal empatia, entrou na sala. Isso não seria grande acontecimento, se não fosse ele estar acompanhado por ela. Ela. Aquela por quem eu tinha rido, chorado, gritado, lutado, desistido. Carol, minha ex-namorada, agora vinha em minha direção de mãos dadas com Gabriel. Destino, seu filho da mãe, o quê eu fiz para você?
Ela manteve-se deslumbrante. Esses muitos meses pouco haviam mudado nela. Os cabelos cor de mel continuam lisos, brilhosos. Seus olhos castanhos continuam límpidos, misteriosos. Carol estava mais Carol do que nunca.
- Opa pessoal, essa é Caroline, minha nova namorada. Carol, esses safados aqui são William, Daniel, Carlos e Marcos.
Eu estava atônito, absoluta e indiscutivelmente paralisado.
Ela, entretanto, pareceu completamente ilesa a mim. Eu acredito que ela vacilou, apenas um pouco, quando ouviu meu nome e notou meu rosto. Nada mais. Carol sempre foi tão forte, então não seria agora que hesitaria.
O sofá rangeu no espaço vazio ao meu lado. Cecília havia se sentando lá, e agora seus braços me envolviam em um displicente abraço. Seus olhos verdes me olhavam atentos, e logo perceberam minha tensão.
- Amor, tem certeza que você tá legal? Está parecendo tão estranho...
Eu não respondi. Só a beijei sem emoção na face, e então segurei sua mão com força. Sabia que seria o suficiente, e para minha felicidade, foi. Não aguentava discussões com Cecília: ela era tão doce, tal ingênua, inocente, impunível.
Procurei Carol, que agora estava abraçada em Gabriel. Abraçada da mesma maneira que ela, há não muito, me abraçava. Duas opções: ou ela me ignorava com notável habilidade, ou ela realmente não importava com minha presença ali. Droga, por que Gabriel tinha que encontrar justo com ela? Por que ela tinha que aceitar que sair com ele, e pior, namorá-lo? E o mais importante: por que eu tinha que, mesmo depois de tudo, amá-la com todas as fibras do meu ser?
Carol levantou-se, e foi até a cozinha, não sem antes dar uma piscadela discreta para mim. Meu coração bateu forte, como há muito não fazia. Dei uma desculpa qualquer à Cecília, e então segui a garota que odiava e amava. Ela escrevia febrilmente em um papel, que me entregou, sem dizer uma palavra. Lá havia oito números e a silenciosa letra “C.”. Ela foi mais rápida do que eu, e já estava de volta aos braços de Gabriel quando eu finalmente notei o quê havia acontecido. Ah, garota, por que você tem que brincar dessa maneira comigo! Salvei o número em meu celular, e voltei à sala, puxando Cecília para mim com meus braços. Ela sorriu.
Gabriel e Carol levantaram-se para sair, e após cumprimentar a todos, foram-se, com Carol sorrindo de forma travessa em minha direção.
Depois dessa noite, Carol nunca mais sairia de minha vida, e nunca mais da dela, por eternos meses. Pobre Cecília, com seus olhos verdes inocentes, que nunca foram capazes de ver o que estava mais do que visível. Eu fui um monstro, eu sou um monstro, eu eternamente serei um monstro. Culpa de Caroline, apenas e exclusivamente dela. Maldita garota perfeita.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Starway to heaven
A água era fria. A garota deixava-a cair por seu cabelo, descendo com fluência por todo seu corpo. Ela estava de olhos fechados, respirando, pensando. Ficou por mais de cinco minutos com a água percorrendo toda sua existência, levando consigo seus pensamentos, suas dores, sua angústia. Agora ela chorava levemente, lentamente, pequenas gotas peroladas escapando de seus olhos, escondendo-se na imensidão da água que corria livre. Por que a água fria está tão quente?
O cheiro era doce. Ela agora olhava para o espelho a sua frente, seus cabelos castanhos quase negros por estarem molhados. Ela não sentiu a mínima vontade de secá-los, de penteá-los, de nada. Quis manter-se quieta, estável, e assim fez. Secou-se sem vontade, nem esmero. Sentiu a maciez do algodão tocar sua pele, beijando-a com lentidão, com carinho. O espelho estava embaçado agora. Ela lembrou-se de quando era criança e escrevia sem hesitação em espelhos embaçados. Seus dedos deslizaram de lá para cá, e em questões de segundos, um nome pairava na face do pequeno espelho. Apenas um nome. Lágrimas, lágrimas, lágrimas. Por que as lágrimas estão tão frias?
A cama estava quente. Ela estava deitada, olhos no teto, fones no ouvido, pensamentos fora da cabeça. Ela sentiu-se só. Pela primeira vez em muito, muito tempo, ela sentiu-se absolutamente só. E a solidão era mais quente que o cobertor que a cobria. A solidão a consumia tenramente, sem piedade, mas com delicadeza. Que outra opção teria ela a não ser deixar-se perder naquela companheira indesejável? Ela não tinha chances. Por que a noite é sempre tão vazia?
O dia estava nascendo. O sol parecia tímido em seu primeiro cintilar, os primeiros raios fazendo a garota despertar. Mesmo com os olhos abertos, ela manteve-se deitada, imóvel. Ela não soube o que pensar, o que fazer, o que esperar. Mesmo desejando ardentemente dormir o resto do dia, da vida talvez, levantou-se em um pulo ágil, e então se arrastou para o banheiro. Ela não desistiria de sua vida, de forma alguma. Não daria a ele tal prazer. Ela seria feliz, nem que isso custasse cada fibra de sua existência, cada vigor de seu ser. E ela lutaria por sua felicidade até o último suspiro. O nome dele ainda estava marcado no espelho, pálido, mas ainda visível. E na memória da garota, de forma indelével. Por que ferimentos deixam tantas cicatrizes? A vida continua dura. Embora o mundo pareça ter acabado, ele segue sem pausas, sem folgas. E o mundo não teve pena da garota. Muito a ela impôs, muito dela cobrou. E por incrível que pareça, ela não desistiu; havia prometido que não o faria. Até que um dia sua perseguição pela felicidade foi recompensada: ela finalmente estava feliz. Não radiante, não estupenda, apenas feliz. Alegria que veio na forma de um abraço amigo, de um beijo roubado, de um riso imprudente. Das épocas difíceis, agora só resta cicatrizes, que mesmo eternas, ainda são esquecíveis, ignoráveis.
domingo, 3 de outubro de 2010
Little Sister
O calor do seu corpo parece queimar a sua roupa enquanto ela dança. A vibração do seu corpo é tão intensa que você consegue senti-la, percorrendo todo o seu corpo. Sua pele morena, queimada pelo sol. Seus longos e lisos cabelos loiros. Ela simplesmente te leva a loucura. Seu corpo escultural, perfeitamente... perfeito. E o modo como ela dança, com seu justo e suado vestido de seda. A vibração dela parece o mais louco show de rock.
Seu corpo parece uma guitarra, perfeitamente afinada. Suas curvas parecem cordas, que tocam ácidas e harmoniosas notas, no ritmo de sua dança. Sequências bem ritmadas de notas altas e intensas. Simples, como um bom e velho punk rock. Etéreo, simbólico, como um bom metal. Yeah! Ela destrói sua mente, sua humanidade. Te faz querer quebrar tudo, e todos. Te faz querer pular, gritar, dançar...!
Ah! Irmãzinha... ... Ainda me lembro quando brincávamos juntos. Lembro que fui eu quem te deu esse apelido, “irmãzinha”. Você era pequena, e frágil. Tudo que eu queria era te proteger. Você era a irmã mais nova, que eu sempre quis, e nunca tive. Há! É engraçado! Estamos cometendo o mais pervertido dos pecados. Mas dane-se!! Isso é tão bom... ...!
Suas quentes mãos atravessando meu corpo, queimando minha pele. Sua boca macia, seus lábios vermelhos. Sua língua molhada, dilacerando minha pele, queimando meu rosto. Seu beijo ardente, como um beijo de uma garrafa de whisky, que desce minha garganta, queimando todo o meu corpo por dentro, me fazendo explodir de tesão, me fazendo perder o controle. Seus cabelos caídos sobre meu peito. A bateria violenta do Rock, as notas rebeldes e agressivas das guitarras. Toda a galera pulando, no meio da insana “roda punk”. Baldes de adrenalina correndo nas minhas veias, disputando lugar com litros e litros de álcool. Sangue não tem mais lugar ali. E as letras, que entram na sua mente, e te fazem delirar de um modo que só você entende. No meu caso, toda a música se resumia a uma palavra, dita bem baixinho, no meu ouvido: “Irmãozinho”... ...
Finalmente, chega a ultima música. A melhor, e mais curta do show. Mas o tempo não corre. .. Você entra num estado de semi-transe, onde o tempo simplesmente parece mover-se, aleatoriamente, de um lado para o outro, mas, ao mesmo tempo, sem sair do lugar. Enfim, o ápice do show. A ultima nota. Delírio... Somente.
Eu e minha irmãzinha, ali, deitados lado a lado. Só o que sobra é o êxtase extremo, que só se sente no final do show. A respiração ofegante, as pernas trêmulas, resultantes das imensas doses de adrenalina. E a incessante sensação de “quero mais”. Mas o show não acabou realmente, não é? É hora do “encore”!!
sábado, 2 de outubro de 2010
Beautiful loser
Sua mochila pesava, e o calor do sol o fazia suar. A rodoviária era cinzenta e barulhenta, com pequenos pedaços de história a cada canto. Eles vieram em bando, desajeitados, como de costume. Uns sorriam, outros se mostravam sérios, mas todos sentiam a mesma coisa: a perca. É difícil perder um membro do grupo, um irmão do clã; é difícil perder um amigo. O garoto com a mochila olhou para todos, um a um, e sentiu instantaneamente um aperto no coração. Quis ficar, mas não podia. Quis fugir, mas não podia. Quis parar, mas não iria.
Então abraçou cada um de seus amigos, recebendo tapinhas nas costas ou socos de amizade, sempre recebendo frases como: “se ficar sem dar notícias, te mato, seu safado!”, “vê se voltar para encher a cara com a gente de novo!”, ou, simplesmente, “vou sentir tua falta, cara.”. O garoto sentiu-se feliz, alegre simplesmente por saber que havia pessoas que sentiriam sua falta: seus amigos.
O momento crucial, que ele tanto adiara chegou.
Ela se aproximou, cada tortuoso passo executado com lentidão. Ele controlou o impulso das lágrimas, e então a abraçou. Segurou-a com tamanha força que duvidou que fosse capaz de um dia soltá-la. Deixou perder seu rosto nos cabelos dela, cujo cheiro era delicioso. Ouviu uma cobrança, fez uma promessa:
- Nunca se vá, entendeu? Não importa quanto tempo fiquemos sem nos falar, ainda quero morar aqui – e então apontou para o peito dele, bem no coração.
Ele nada disse. Apenas acenou com a cabeça, e lutou contra as lágrimas mais uma vez. A garota beijou seus lábios, e soube que seria a última vez. Ela sempre soube.
- Eu te amo – disse ele, finalmente. Nada mais. E essas palavras ficaram entre os dois, apertando-os muito mais que um forte abraço. Gotas peroladas agora desciam pelo rosto corado da garota, que com graciosidade, beijou-lhe apenas mais uma vez, e então se foi.
Ela já estava de costas, a alguns metros de distância, quando ele chorou silenciosamente pela primeira vez em anos. Ninguém viu. O garoto entrou no ônibus imponente a sua frente, sabendo que a partir do momento que ultrapassasse aquela porta, muito ganharia, muito perderia. Não hesitou.
O ônibus já saia quando o garoto olhou pela janela uma última vez, com apenas um desejo: encontrar os olhos da garota, nem que seja pela última vez. Eles não estavam lá.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Capítulo 6 - A volta
Foi como nascer de novo. Um nascer completamente diferente de qualquer outro, pois dessa vez eu tinha conhecimento do que iria encontrar. Melhor, eu sabia quem eu encontraria. E, para minha felicidade, eu encontrei.
Ela estava a poucos centímetros de mim. Calma, singela, perfeita. Era Marian, sem dúvidas. O mundo parou. Meu coração começou a martelar com força em meu peito, e dentro de mim o espaço vazio – espaço reservado justamente para o amor de Marian – voltou a se preencher, com deleite. Como há muito não acontecia, senti-me completo, senti-me vivo. Larguei o livro que estava em minhas mãos, a causa e a solução de todos os meus problemas; senti-me livre.
E então avancei. Segurei-a com ternura em meus braços, e ela pareceu entender tudo. Sua face estava ficou ligeiramente rubra quando passei meus braços em volta de seu corpo e a abracei com força. Abracei-a com tamanha intensidade que duvidei se algum dia seria capaz de soltá-la. Mas fui. Quando a libertei, ela mal teve tempo; segundo após, já estava em minha posse de novo. Tomei-a num beijo tão perfeito que o tempo deixou de existir, tão requisitado que a vida parou, tão esperado que nunca acabou. Quando a soltei, o beijo ainda ficou ali, entre nós. Um elo, uma aliança. Para sempre e todo o sempre, nós.
Mas o eterno acabou, e Marian soube. Ela nem precisou ver a indiscreta marca negra que subia por meu pulso para perceber o que eu havia feito. Em seus olhos havia pavor quando ela falou, sua voz calma cortando minha alma:
“Nathan, o que você fez?”
“Marian, você tinha.... você tinha morrido. Você já não existia, e eu não fui capaz de impedir que você se fosse. Então quando Sara disse que havia essa opção, eu não pensei, eu só fiz. E agora, bom, eu não sei o que irá acontecer...”
“Oh, Nathan, não...” – Agora foi ela que me envolveu em abraço penoso, seu rosto pousando em meu ombro. Lágrimas singelas, verdadeiras, decaiam sobre mim, e a dor de Marian agora era a minha. Só então eu percebi o que eu havia feito; agora ela pensaria que tinha culpa por meu fim. Não, não e não. Jamais deixaria Marian sofrer. Nem que isso custasse minha vida – aliás, já custou.
“Vai ficar tudo bem, eu prometo.” – Menti eu, ainda com Marian junto ao meu corpo. Um pensamento básico instalou-se em minha cabeça: eu tinha que sobreviver. E caso eu não conseguisse, tinha que fazer Marian esquecer minha morte. Jamais deixaria ela sofrer.
Agora Marian e eu nos encontrávamos deitados em minha cama, lugar onde outrora eu tanto sofrera por ela. Meus dedos entrelaçavam, aleatoriamente, seus fios de seu cabelo, enquanto ela lia algum poema escrito por mim, há muito já esquecido. A luz era tênue, e o cheiro de Marian – que cheiro! – agora explodia no ambiente, contaminando a tudo. Um momento perfeito. Mas momentos perfeitos nunca são duradouros, pelo menos para mim e minha amada.
- Querida – disse eu – quero que você me prometa uma coisa.
Os olhos castanhos de Marian me fitavam atentos, temerosos. Nem precisei dizer uma palavra; ela já sabia.
- Se você está pensando em desistir, Nathan, eu juro que...
- Vamos ser racionais, Mary. Toda vez que tentamos consertar as coisas, apenas pioramos. E eu não permitirei que você faça qualquer besteira. Eu não suportaria ficar mais nem um segundo sem você. Entenda, Mary, que agora sua vida não pertence apenas a você; você é minha vida agora.
Para minha surpresa, ela não disse uma palavra. Apenas me olhou mais uma vez, beijou-me com toda ternura de sua existência, e se aproximando de mim, disse, com seus lábios roçando em meu ouvido:
- Você sabe como eu me sentirei se... Você, mais do que qualquer um, sabe. Eu não suportarei. Confie em mim, certo? Acredite, eu darei um jeito. – Suas mãos agora deslizavam sobre a marca negra gravada em minha mão.
- Marian, eu não permitirei que você...
Não terminei a frase, pois agora Marian me prendia em um tenro beijo. Ela não desistiria, e nada que eu fizesse seria capaz de mudar esse fato. Situações desesperadoras pedem por medidas desesperadas. Se quisesse me manter vivo, precisava de ajuda, e de alguém que realmente entendesse toda a confusão que acontecia. E eu não tinha muito tempo...
Já era tarde da noite. A brisa gélida da escuridão batida silenciosamente em minha janela, enquanto eu acariciava a pele desnuda de Marian, que agora dormia ao meu lado, sua cabeça repousando sob meu peito. Eu a amava, e era só isso, tudo isso.
Meus pensamentos voavam confusos quando percebi que minha garganta clamava por um pouco d’agua. Nem sob tortura acordaria Marian, e então vi que estava num impasse. Para minha felicidade, notei uma garrafa esquecida logo sobre o criado-mudo ao meu lado, providencialmente. Estiquei meu braço, mas para minha total frustração, não a alcancei. Tomei cuidado para me mexer o menos possível, e para não alterar o sono de minha amada, tentei novamente. Nada. Suspirei, quase um muxoxo, e desisti. Para meu absoluto espanto, a garrafa simplesmente voou do criado-mudo para minha mão, em questão de instantes. Devo ter ficado alguns minutos boquiaberto, atônito, pensando: como diabos eu mexi uma garrafa com a força do pensamento?
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Ovo Cósmico
Carregamos o eterno fardo de arcar com as consequencias escolhidas por nos mesmos, e acabamos por terminar deitados numa praça, bebados, numa tentativa inutil de fugir da verdeira estrutura cosmica da nossa vida nesse planeta pequenino.
Viveremos atormentados pelo "e se", e tudo que eessas duas coisinhas acarretam. Somos escravos das nossas escolhas, e acredito que eu gostaria de ter dito que minha vida só tem valor por que é preenchida de pessoas importantes, como o ilustre dono deste blog, como a lenda viva que respira alcool, como um argentino pau no cu comedor de namoradas dos outros, como um psicopata com nome de boneco, e como um cara magro de doer pendurado numa imaginação diferente.
Gurizada medonha... goastaria de ter bebido mais com vocês, gostaria de ter dormido na rua, rolando pelas sarjetas com vocês, ter tomado um alucinógeno e ter viajado altas num deserto, conversando com raposas.
Mas tudo que passou dependeu de eu ter estado na hora certa, no lugar certo, e acho que se aconteceu, não foi por acaso. A garota apareceu na minha frente, e ela é como uma descarga eletrico no meu cerebro. E por que foi aparecer justo agora?
Por que nada é como eu queria que fosse?
Isso tudo ao meu redor, quem é que trouxe?
Estou pendurado numa linha, que simboliza a frequencia da minha linha da minha vida, da vibração que eu eu vivo, do jeito que o universo corresponde nessa dimensão.
Um problema que vai além do calculo, além da matemática, uma situação dramática, que se não tivesse acontecido, tudo poderia ser diferente. São picotes de papel, recortes de jornais, e essa porra toda, onde está? O sentido da vida?
Eu ainda não desapareci, mas olhei o sol no jardim...
Sei que o ovo cósmico não se quebrou por acaso, e no final das contas, eu só peço a Deus, estar no lugar certo e na hora certa, e decidir o que vai acontecer depois, e arcar com as consequencias, mas sabendo que sou o que eu quero ser, e seguir por onde vou, sabendo onde piso.
e de preferencia com uma garrafa de cachaça e meus amigos estimados.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Poema de sexta - 2
Amei-te e por te amar
Só a ti eu não via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
Só quando te perdi
É que eu te conheci...
Quando te tinha diante
Do meu olhar submerso
Não eras minha amante...
Eras o Universo...
Agora que te não tenho,
És só do teu tamanho.
Estavas-me longe na alma,
Por isso eu não te via...
Presença em mim tão calma,
Que eu a não sentia.
Só quando meu ser te perdeu
Vi que não eras eu.
Não sei o que eras. Creio
Que o meu modo de olhar,
Meu sentir meu anseio
Meu jeito de pensar...
Eras minha alma, fora
Do Lugar e da Hora...
Hoje eu busco-te e choro
Por te poder achar
Não sequer te memoro
Como te tive a amar...
Nem foste um sonho meu...
Porque te choro eu?
Não sei... Perdi-te, e és hoje
Real no [...] real...
Como a hora que foge,
Foges e tudo é igual
A si-próprio e é tão triste
O que vejo que existe.
Em que és [...] fictício,
Em que tempo parado
Foste o (...) cilício
Que quando em fé fechado
Não sentia e hoje sinto
Que acordo e não me minto...
[...] tuas mãos, contudo,Sinto nas minhas mãos,
Nosso olhar fixo e mudo
Quantos momentos vãos
Pra além de nós viveu
Nem nosso, teu ou meu...
Quantas vezes sentimos
Alma nosso contacto
Quantas vezes seguimos
Pelo caminho abstrato
Que vai entre alma e alma...
Horas de inquieta calma!
E hoje pergunto em mim
Quem foi que amei, beijei
Com quem perdi o fim
Aos sonhos que sonhei...
Procuro-te e nem vejo
O meu próprio desejo...
Que foi real em nós?
Que houve em nós de sonho?
De que Nós fomos de que voz
O duplo eco risonhoQue unidade tivemos?
O que foi que perdemos?
Nós não sonhamos. Eras
Real e eu era real.
Tuas mãos - tão sinceras...
Meu gesto - tão leal...
Tu e eu lado a lado...
Isto... e isto acabado...
Como houve em nós amor
E deixou de o haver?
Sei que hoje é vaga dor
O que era então prazer...
Mas não sei que passou
Por nós e acordou...
Amamo-nos deveras?
Amamo-nos ainda?
Se penso vejo que eras
A mesma que és... E finda
Tudo o que foi o amor;
Assim quase sem dor.
Sem dor... Um pasmo vago
De ter havido amar...
Quase que me embriago
De mal poder pensar...
O que mudou e onde?
O que é que em nós se esconde?
Talvez sintas como eu
E não saibas senti-o...
Ser é ser nosso véu
Amar é encobri-o,
Hoje que te deixei
É que sei que te amei...
Somos a nossa bruma...
É pra dentro que vemos...
Caem-nos uma a uma
As compreensões que temos
E ficamos no frio
Do Universo vazio...
Que importa? Se o que foi
Entre nós foi amor,
Se por te amar me dói
Já não te amar, e a dor
Tem um íntimo sentido,
Nada será perdido...
E além de nós, no Agora
Que não nos tem por véus
Viveremos a Hora
Virados para Deus
E n'um (...) mudo
Compreenderemos tudo.
Fernando Pessoa
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Sweet child o' mine
Embora sua cabeça continuasse baixada e coberta por um capuz, o qual escondia seus cabelos cor da noite, a garota mostrava-se uma observadora perspicaz; seus olhos, vez ou outra, perseguiam alguém que ela considerasse digno de atenção, mas nunca passavam disso. A garota de cheiro almíscar brincava displicente com um fio de seu casaco quando o garoto de olhos castanhos aproximou-se dela. Ele sentou-se ao seu lado, nem dizer uma palavra sequer. E assim ficaram por longos minutos. A garota, primeiramente, tentou simplesmente ignorá-lo, mas falhou; ele, assim como todos os outros, a irritava. Ela também não sairia dali repentinamente, pois assim sentir-se-ia derrotada por aquele importuno – e corajoso – garoto que ousou cruzar seu caminho. O garoto de olhos castanhos, porém, sentia-se muito tranquilo, e iria terminar o que começou a qualquer custo; havia algo fascinante com aquela garota. Por que seus olhos fogem dos meus, garota, por quê?
O silêncio permaneceu entre os dois, conciso, absoluto. A garota continuava a ignorar o castanho-claro dos olhos que a fitavam, e o portador desses olhos mantinha-se olhando, fascinado, para a garota ao seu lado. Ela pensava, quase como um mantra: “ele irá embora, ele irá embora, ele irá embora”. Ele não foi. O garoto, enquanto olhava, de soslaio, o par de olhos vivos escondidos por uma cortina de cabelos negros, pensava: “uma hora ela irá desistir e então falará comigo”. Ela não desistiu. Por que seus lábios não me dão um sorriso, garota, por quê?
Já haviam se passado dez minutos, logo faltavam apenas cinco para ambos jovens arrastarem-se de volta para suas salas de aula. O momento das últimas cartadas, das considerações finais. De um lado do banco, a campeã: a garota-que-quebrou-seu-coração-e-prometera-nunca-mais-quebrar, lutando com astúcia para ignorar seu adversário. Do outro lado do banco, o desafiante: o garoto-de-olhos-castanhos-que-sentiu-se-fascinado-por-uma-garota, batalhando apenas para descobrir um nome, e talvez com sorte, um telefone. Com a iminência do fim do round, o garoto largou a cautela e disparou um singelo “Olá.”. A garota estremeceu. Olhou-o com o canto dos olhos, e só então notou que a cor de seus olhos era castanha. Ela adorava olhos castanhos. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. O tempo passava sem pausa, e os corações de ambos batiam apressados. Um com esperança de receber um nome, e talvez com sorte, um telefone; outro com a tensão da indecisão, com a dor de um amor perdido, com a proximidade de um contato. Finalmente, o olhar dos dois se cruzaram. Nenhum ruído era audível naquele momento, exceto, talvez, o farfalhar das árvores sobre a cabeça dos dois jovens. Silêncio, apenas silêncio. Por que seus braços não me seguram em um abraço, garota, por quê?
Por fim, foi só silêncio. Acaso, destino, fatalidade, nunca se saberá. O que houve foi uma garota de cabelos negros e cheiro almíscar olhando para um garoto de olhos castanhos, garoto que disse “olá” e que queria um nome, e talvez com sorte, um telefone. Depois houve um ring estridente, e fileiras de jovens caminhando desanimados na direção de suas salas, e um garoto de olhos castanhos abandonando uma garota de cabelos negros em um banco imundo. A garota ainda murmurou, baixinho: “Olá”. Ele nem ouvi. Ela suspirou profundamente, envolveu a si mesma com seus braços, e então se foi, caminhando sem pressa, para alguma aula entediante qualquer. Por que você se foi, garota, por quê?
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Poema de sexta
Que você fala, que você hesita
Sonho com o jeito que você sorri
E tal sorriso me contagia
Se me distraio, ouço sua voz
Pálida, distante
E a saudade vem onipotente
Matando-me a cada instante
Faço versos para lhe falar
O que seus ouvidos não querem escutar
Faço versos para lhe dizer
Que preciso de você
Não tenho mais nada a esconder
Pois é por seu nome que clamo
Apenas entenda uma coisa:
Eu te amo"
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Novo de novo
Sinceramente espero que gostem, até porque o blog é feito para aqueles que o leem, então se têm alguma sugestão, crítica, ou o que seja, comentem! /Jou
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Exile on main street - Parte I
Ela ainda não tinha notado minha presença, ou fingia com magistral destreza. Não me espantaria caso ela decidisse me ignorar, até porque as coisas tinham ficado muito confusas entre nós, desde aquele dia. Aquele dia. Foram inúmeras as vezes que voltei sem esforço para aqueles momentos que definiram tanto minha vida quanto a dela. Lembro-me com clareza das lágrimas singelas em seus olhos, lutando com anormal força para não escaparem. Falharam. Recordo-me também do gosto seco que habitava minha garganta, do fogo que ardia sem piedade em meu peito e da palavra que ecoava em minha mente. Perdão. Tal palavra nunca escapou por entre meus lábios, e arrependo-me disso com cada fibra de minha existência.
Decidi que era hora. Já fazia alguns meses, e todas as lágrimas já foram choradas, todos os lamentos foram dados, toda a falta já foi sentida. Seria estupidez tentar evitá-la a todo custo, porque ela vivia de forma indelével em um lugar o qual não é possível evitar: minhas memórias. Lá ela tem aquele sorriso dos dias dourados, aquele riso que ela soltava sem hesitação quando sentia cócegas. Ainda tem seu cheiro de primavera, que insistia em brincar com meu olfato quase sempre. Lá sua voz ainda faz meu coração bater mais forte. Mais forte. E seus olhos brilham como sempre brilharam, sem tristeza, só alegria. Seus olhos...
“Oi” – Disse ela, desarmando qualquer plano posterior meu. E cá estou eu, em um momento que já havia imaginado várias vezes, sem palavras à postos. Só então percebi: não estou pronto. E quando é que se está?
“Olá, Carol, como está você?” – E foi o que pude dizer – mas não o que queria. Gostaria de dizer com todas as letras que sinto muito, que não queria que tudo fosse daquele jeito. Queria falar olhando em seus olhos que ainda a amo, e que estava na hora de deixar tudo para lá. Beije-me, Carol, beije-me...
“Eu tô indo, sabe...” – Respondeu ela, sem entusiasmo.
“Sei...”
E aquele clima pós-relacionamento, pós-dor, pós-amor pairou entre nós. Ela me olhava, talvez um pouco confusa, curiosa. E eu a observava certamente embasbacado, com minha cara patética. Para minha surpresa, ela riu:
“Você vai ficar aí de pé, me olhando como se eu fosse uma assombração, ou vai se sentar aqui do meu lado?”
Se não fosse o espanto, eu cairia na gargalhada; tinha me esquecido do jeito que ela mexia a cabeça quando estava irritava. E tinha me esquecido do quanto adorava isso. E a obedeci sem pestanejar. Enquanto eu caminhava para sentar-me o mais próximo dela possível, vi seus olhos vivos seguindo-me enquanto sua boca se crispava em um riso espontâneo. Eu suspirei. Tinha me esquecido o quanto eu adorava esse riso.
Mais uma vez, eu estava perto dela. Dolorosamente perto. Tão próximo que se eu estendesse meu braço seria capaz de arrastar meus dedos por seus cabelos. Seus cabelos. Tinha me esquecido o quanto eles eram cintilantes, e o jeito que eles mexiam-se quando Carol girava sua cabeça. Como eu pude ser capaz de esquecer detalhes tão importantes?
“Você parece bem, Daniel. E você deixou sua barba crescer.” – Sentenciou ela, absoluta. Corri meus dedos pela minha barba, quase involuntariamente. Ela notara.
“É, eu quis mudar um pouco. Você parece ótima, também. Quero dizer, você continua ótima, como sempre, mas quero dizer que está melhor, não que antes você não fosse ótima também, mas é que agora...”
Ela interrompeu o meu desastre verbal com uma risada sonora. Eu corei e ri também, odiando-me por ser tão idiota.
“Eu entendi” – Completou ela – “Eu sempre gostei do jeito como você se atrapalha quando está nervoso. Você fica engraçado e fofo.” – Agora quem corou levemente foi ela, formando pequenas covinhas no canto de suas bochechas enquanto esboçava um sorriso.
Uma dor conhecida e até extinta rugiu sem restrições em meu peito, e então eu tomei por consciência: eu estava irremediavelmente, e novamente, apaixonado pela garota à minha frente.
sábado, 4 de setembro de 2010
Nothing equals the splendor
Tudo o que eu desejava dizer aqui, hoje, já foi escrito. Leiam este trecho, e assim quando puderem, o livro também.
(Trechos retirados do livro "A Menina que Roubava Livros")
No começo, Liesel não conseguiu dizer nada. Talvez fosse a súbita turbulência do amor que sentiu por ele. Ou será que sempre o tinha amado? Era provável. Impedida como estava de falar, desejou que ele a beijasse. Quis que ele arrastasse sua mão e a puxasse para si. Não importava onde a beijasse. Na boca, no pescoço, na face. Sua pele estava vazia para o beijo, esperando.
Anos antes, quando os dois haviam apostado corrida num campo lamacento, Rudy era um conjunto de ossos montado às pressas, com um riso irregular e hesitante. Sob o arvoredo, nessa tarde, era um doador de pão e ursinhos de pelúcia. Um tríplice campeão de atletismo da Juventude Hitlerista. Era seu melhor amigo. E estava a um mês de sua morte.
- É claro que falei de você com ele – disse Liesel.
Estava se despedindo, e nem sabia.
...
Havia pijamas assustados e rostos rasgados. Foi o cabelo do menino que ela viu primeiro.
Rudy?
Em seguida, fez mais do que apenas mover os lábios para enunciar a palavra.
- Rudy?
Ele estava deitado com seus cabelos amarelos e os olhos fechados, e a menina que roubava livros correu em sua direção e desabou. Deixou cair o livro preto.
- Rudy, acorde – soluçou. Agarrou-o pela camisa e lhe deu a mais leve sacudidela incrédula. – Acorde, Rudy – e já então, enquanto o céu continuava a esquentar e a despejar uma chuva de cinzas, Liesel agarrava o peito da camisa de Rudy Steiner. – Rudy, por favor – e as lágrimas se engalfinhavam com seu rosto. – Rudy, por favor, acorde, que diabo, acorde, eu amo você. Ande, Rudy, vamos, Jesse Owens, não sabe que eu amo você? Acorde, acorde, acorde...
Mas nada se importou.
Os destroços apenas subiram, mais altos. Montanhas de concreto com tampas de vermelho. E uma linda menina, pisoteada pelas lágrimas, sacudindo os mortos.
- Vamos, Jesse Owens...
Mas o menino não acordou.
Incrédula, Liesel afundou a cabeça no peito de Rudy. Segurou seu corpo amolecido, tentando impedir que pendesse para trás, até que precisou devolvê-lo ao chão massacrado. E o fez com delicadeza.
Devagar. Devagar.
- Meu Deus, Rudy...
Inclinou-se, olhou para seu rosto sem vida, e então beijou a boca de seu melhor amigo, Rudy Steiner, com suavidade e verdade. Ele tinha um gosto poeirento e adocicado. Um gosto de arrependimento à sombra do arvoredo e na penumbra da coleção de ternos do anarquista. Liesel beijou-o demoradamente, suavemente, e, quando se afastou, tocou-lhe a boca com os dedos. Suas mãos estavam trêmulas, seus lábios eram carnudos, e ela se inclinou mais uma vez, agora perdendo o controle e fazendo um erro de cálculo. Os dentes dos dois se chocaram no mundo demolido da Rua Himmel.
Liesel não disse adeus. Foi incapaz de fazê-lo e, após mais alguns minutos ao lado do amigo, conseguiu levantar-se do chão. Fico impressionada com o que os seres humanos são capazes de fazer, mesmo quando há torrentes a lhes descer pelos rostos e eles avançam cambaleando, tossindo e procurando, e encontrando.
sábado, 28 de agosto de 2010
O segundo sol
A dor pairava perante aquele par de olhos que me olhavam, confusos, tentando de alguma forma achar uma resposta. E tal resposta pareceu ficar entalada em minha garganta, querendo escapar para então tentar reconfortar aquela dor. Mas não escapou; permaneceu ecoando dentro de minha cabeça, talvez temente, talvez apenas inconsistente. Eu, covarde, quis fugir, mas já não havia essa possibilidade: agora aquela angústia também era minha.
O rosto que se formava à minha frente não era, nem de longe, parecido com aquele que há muito tempo atrás havia conhecido; estava perturbadoramente diferente. Aqueles olhos que insistiam em me transmitir sua dor haviam presenciado tantas coisas, liberado tamanhas lágrimas. E a dor também era minha, lembrei-me, também me pertence.
O rosto obstinado perante mim estava envelhecido. Perturbado. Mudado. O vidro infalível, o espelho inegável refletia minha imagem. Era meu rosto que me assustava, eram meus fantasmas que me assombravam. Vi novamente os olhos cheios de dor, meus olhos, e lá só achei escuridão.
Talvez por capricho do destino, um raio de luz cintilou perante a escuridão. Não era apenas um raio de luz; era o raio de luz. Aquele pelo qual valeu a pena esperar, o que deveria mudar tudo e todos. Deveria continuar em minha inércia itinerante ou arriscar o pouco que me resta de felicidade por um punhado de raio de luz que, sorrateiro, veio brilhar no horizonte?
Fitei novamente o meu segundo sol, que agora resplandecia sem discrição ao meu lado. Seu calor me reconfortava, sua luz me iluminava como nada jamais foi capaz. Arrepender-me-ia gravemente caso me jogasse sem pára-quedas em seus mistérios? Talvez. Mas quando você vê um segundo sol surgindo ao horizonte, nunca se deve deixá-lo escapar. Meu sol sorriu para mim. E eu , sem nem ao menos pestanejar, me joguei.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Wherever you will go
Quando o som do celular quebrou o silêncio de seu quarto, a garota sentiu seu coração bater mais forte. Ele.
.:: Pequeno fato sobre mulheres ::.
Sempre há um “ele”
Ela hesitou alguns instantes, mas atendeu. Silêncio. Durante curtos segundos, a garota ouvi uma respiração ritmada do outro lado da linha. Cansou-se do silêncio e então falou:
“Oi?” – Apenas respiração. Ela começou a se irritar; ela sempre se irritava.
“É você?” – Ela sabia que era ele. Mas queria saber que sabia. Não há provas sem confirmações. A mente da garota já zunia com uma pergunta: por que o silêncio? Ela não gosta de silêncio – não o silêncio dele.
“Me desculpe.” – Pela primeira vez a voz dele rasgou a paz dissimulada que imperava nos ouvidos da garota. Garota cujo coração agora doía. Doía daquele jeito. Do jeito que ele tanto sabia, da maneira que tanto sofrera. E que prometera jamais sofrer – promessas foram feitas para serem quebradas.
.:: Pequeno fato sobre homens ::.
Homens quebram promessas, e corações
Ela não precisava ouvir mais nada. Mas queria:
“Desculpar você pelo o quê?” – As palavras vieram, avessas, rebeldes, lutando com suas inexistentes forças para não saírem. Não, não e não. Ele me ama. Ele não faria isso. O peso da verdade caiu sem piedade sobre ela.
“Não dá mais.” – Disse a voz, apática, no outro lado da linha. O chão da garota fugiu, assim como seu ar. Não, eles não fugiram; o ar e o chão deixaram de existir – o coração da garota, ingênuo, reclamou. Ela então largou o telefone, pois não precisava mais dele. Queria largar seu coração também – não precisava mais dele.
Sem lágrimas, sem lágrimas, repetiu ela. Falhou.
.:: Pequeno fato sobre corações ::.
Eles escolhem errado
Smoke on the water, fire in the sky
Não me incomodei quando o vento começou a castigar-nos sem piedade, nos bancos de uma praça cinzenta. Ninguém pareceu se aborrecer, também. Efeitos do copo. Ou talvez do que esteja dentro dele. O dia estava próximo de seu inevitável fim, com o imponente sol se pondo para dar lugar a uma tímida lua, que já começa a brilhar com discrição no horizonte. E cá estávamos nós, apreciando este pequeno espetáculo. Meus olhos se demoraram um pouco na mais brilhante das estrelas. Não sei o porquê, mas adoro estrelas, principalmente as brilhantes. Saí de meu devaneio assim que ouvi uma voz amiga clamando por meu nome. Voz amiga. Abandonei a infinitude do céu e voltei-me para meus companheiros de copo e vida – não necessariamente em tal ordem.
Sentei-me no banco frio, mais por hábito do que por cansaço. Malditos sejam os hábitos. Malditas sejam as convenções sociais. Malditos sejam os preconceitos. Por que impedir-me de ser feliz? Deixem-me odiar a todo em paz. Desculpem-me, minha mente está fora de sintonia novamente. Geralmente acontece. E com frequência perturbadora.
O sabor acre do fim veio, uma onda trêmula pronta para cobrir o que ousasse se transpor em seu caminho. Eu resisti. Ou desisti? Não seria eu se não o fizesse. E foi inútil. Amaldiçoei baixinho, pronto para explodir. Efeitos do copo. Mas não o fiz, sabiamente. Joguei na onda do fim, sem esperança de volta ou retorno, e deixei-me levar pela correnteza.
Quando meus olhos se abriram, eu sorri. Sorri como a muito não fazia, feliz por não saber se tudo foi apenas um sonho – ou uma memória.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Why?
O norest tem um novo autor: Ícaro, um grande amigo meu, escritor talentosíssimo, agora é efetivamente autor do blog, juntamente comigo. Embora nós tenhamos estilos de escrita bem diferentes, acredito que conseguiremos fazer uma interessante dupla de autores.
Também participam do norest outros autores "freelancers"; Peroba - sim, dos Perobas Facts - às vezes também dá o ar de sua graça aqui, contribuindo com seus textos. Alessandro, eventualmente, também contribui com alguns muitíssimos bons textos. E certamente virão mais autores amadores apaixonados por textos para contribuirem com o norest.
Mas por quê um blog ter mais de um autor? Porquê, além da frequencia de textos ficar muito maior, mais de um estilo textual deixa o blog muito mais interessante.
Continuem acessando, comentando, divulgando e, principalmente, lendo!
sábado, 14 de agosto de 2010
Dias de Glórias
Os motivos que levam a tais dias são variados, dependendo muito da personalidade de cada ser que constituinte desse grande tabuleiro, personalidade essa, que determina o que cada um busca, independente que sejam, coisas materiais, espirituais, sentimentais, sexuais, etc, como por exemplo um individuo, que vamos chamar de A, com uma personalidade extremamente diferente da minha, pode buscar um carro do ano, uma casa, uma familia e uma velice dignina de pena, ja outro individuo, B com uma personalidade ja parecida com a minha tem a claresa, que estar junto dos amigos, dirijindo uma kombi, em direção as Koxinxina do Raio Que Los Parta, atrás de algumas orgías, com umas garotas sacanas, nos deixem com as costas cortadas, sangrando e com algumas costelas fraturadas, ouvindo umas musicas do Rock Rocket; ou apenas sentir novamente calor da garota que amamos e que nos deixaram nadando num lago de solidão e cheiro de bosta, sem ao menos nos dar alguma explicação, já são o suficiente pra nos trazer dias de glórias.
Mas uma coisa é certa, todos ja tivemos ou teremos dias de glórias, independente do tempo, e dos motivos para quais, pode ser que não agora, com motivos atuais, mais no futuro com outros motivos, que a maturidade do tempo os fez mudar, ou talves em casos raros, voce nunca teve ou terá, mais isso não é meu problema, porque de meu, já tenho muitos.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Debaixo do Chapéu
Com o nariz gelado
Maxicola quente...
Soando diferente
Meu chapéu tipo Bob Dylan
Me ajuda a pensar
Nos timbres e nas cores...
Da minha música
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Sinceramente
“Oi” – Disse minha boca, falou minha voz. E esse “oi” pareceu ficar entre nós por uma pequena eternidade; ela, sem dúvidas, não quis aceitar tal palavra, e eu não a pegaria de volta, de forma alguma. Seus olhos castanhos fixaram-se em mim com perturbadora força, para então desviarem-se para a palavra que pairava perante nós. Ela hesitou um instante e acatou-a.
“Olá” – Devolveu-me ela, rápida, precisa. Um golpe certeiro direcionado a mim. E me atingiu com precisão indiscutível. Entretanto, pude seguir firme. Precisava ir mais longe, repeti para mim mesmo, mais longe. Mas como poderia ir mais longe quando seu olhar me segurava como mil algemas, prendendo-me com tamanha força que jamais poderia escapar? Ela vacilou por um instante, e então eu ataquei.
“Como vai você?” – Por essa ela não esperava. Meu contra-ataque inesperado a tinha deixado sem reação, notei. Ela processou as palavras por alguns longos segundos, para então preparar com louvor sua réplica, não sem antes tentar me prender com olhar – dessa vez escapei com eficiência.
“Vou muito bem. E você?” – Suas palavras voaram até mim, atingindo-me com um baque seco. Recuperar-me-ia sem problemas, mas ela tinha que sorrir. Ah, seu sorriso! Se seu olhar podia me aprisionar, seu sorriso me desarmava, deixava-me vulnerável. Hipnotizava-me, dominava-me, destruía-me. E ela sabia. E usava. E brincava com suas armas. Percebendo que não tinha mais chance alguma, pensei em desistir. Mas não sem antes usar minha última cartada: sorrir de volta.
“Estou bem, também.” – Respirei aliviado. Ela também pareceu, de alguma forma que não compreendo, amarrada a meu sorriso. Estávamos nós dois, grudados um ao outro na forma de um riso. Presos. Enjaulados. E, sem qualquer sombra de dúvida, apaixonados.
“Quer caminhar um pouco?” – A voz dela, doce, veio sorrateira até mim, flutuando sem pretensão até entrar em meus ouvidos. Acariciou-me como veludo, tocando-me, para então me dominar. Joguei minhas palavras, ainda um pouco trôpegas, em direção do castanho de seus olhos.
“É claro.” – Dessa vez não foram palavras, nem olhares, nem sorrisos, nem vozes que se arrastaram entre nós; foram nossas mãos. Ambas mãos caminharam com lentidão em direção uma a outra, como duas velhas amigas, para então se abraçar.
Já com mãos entrelaçadas, caminhamos sem pressa pelas árvores barulhentas em nossa volta, ambos sem a mínima vontade de entender o que estava acontecendo. Queríamos apenas viver, sem dar importância para as conseqüências. E assim fizemos. Nosso amor envolvia-nos, pairando sobre nós. Inspirávamos tal sentimento, sem a mínima pretensão de devolvê-lo.
A mão dela escapou de minha, sem aviso prévio. Quando me virei, indignado, para protestar, não tive tempo; seus braços me envolviam num apertado abraço, do qual não tinha a mínima vontade de escapar. Seus lábios vieram em direção dos meus, não sem antes deixarem escapar apenas três palavras quase inaudíveis:
“Eu te amo”.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Something about me
Como qualquer um mais atento deve ter notado, a postagem de textos deste caríssimo blog estava ficando cada vez mais escassa. Mas digo-lhes o porquê: eu estava com problemas internetílicos, ou seja, estava sem internet, e não podia postar mais nada. Entretanto, este problema já está mais do que resolvido, e cá estou eu, de volta a luta.
Agradecimentos infinitos ao meu amigo V.F.F. por publicar alguns textos meus durante o meu tempo de retiro; e também ao meu amigo I.E.R., por corajosamente vir aqui demonstrar a nós todos seu indubitável talento com a escrito, livrando um pouco este blog da sentença: "às moscas".
Voltarei a minha frequencia de postagem normal, sendo que já tenho alguns textos preparados, então preparem-se, pois certamente mais asneira virá deste que vos fala.
P.S. Infinitos agradecimentos àqueles que ajudam na divulgação do blog, e àqueles que sempre que gostam ou desgotam de um texto, veem comentar sobre o assunto comigo; vocês não sabem, mas estes gestos são de extrema importância. Então, obrigado.
domingo, 1 de agosto de 2010
Absíntio
Onde esconderam-se os verbos?
Talvez não haja um que se apresente a mim, agora, disposto a ser pronuciado ou escrito. Falo o que quero do jeito que posso, com o cansaço e com as letras que tenho, e que você as leia à sua própria vontade.
Não é que não quisesse que tudo que aconteceu tivesse acontecido, e nem que queira apagar qualquer coisa da memória, até porque as tentativas apenas serviriam para frustrar e irritar.
Talvez fosse o caso de chegar até você e despejar aquilo que sinto, vomitando qualquer palavra que me viesse no chão à sua frente, deixá-la ver em que estado ficaram minhas entranhas, expor-lhe minha confusão de pensamentos e, sim, a insegurança que desde então tomou conta dos meus ossos, da minha razão, do meu alento, tranformando-me nesse covarde arredio que sou agora.
Não me faltaram conselhos, e sei que menos ainda a você. Sei que lhe foi dito um tanto de vezes que estaria melhor sem mim, e talvez esteja, de fato. Nunca fingi ser grande coisa e já não tenho mais paciência ou saúde para provar diferente. Não aguento mais os joguinhos sentimentais que só o que fazem é esconder sentimentos.
É insuportável perceber o quanto preciso de você, insuportável a eterna expectativa de ouvir sua voz, ainda que me tenha determinado a não lhe telefonar, apenas para tentar me enganar, coisa que não consigo, dizendo para mim mesmo que você é uma qualquer e tentando deixar-me convencer pelos amigos de que é louca, que não sabe o que quer, de que a vida lhe consome.
A vida lhe consome, sim. Você realmente não sabe o que quer. Traça metas e não procura qualquer estrada para alcançá-las. Mas é em sua loucura, para minha desgraça, que encontro o encanto de quem não se deixa dominar pelo dia a dia, de quem aguça os ouvidos para encontrar alguma luz na rotina massacrante, alguma música que lhe permita bailar como uma ninfa pela semana, e então perder-se em si mesma a cada noite.
Revira-me o estômago pensar em você, sinto vertingens, sinto algo obscuro vindo de algum lugar em mim que desconheço, que não faz questão de ser nominado.
Mas aqui estou eu, e aí está você, deixando, consciente, cruel, que outra vez nossas histórias confundam-se pelo caminho.
Eu a odeio com todas as energias da minha existência.
E suplico, por favor, que fique ao meu lado.
sábado, 24 de julho de 2010
Carta primeira
De: Alguém com olhos negros
Para: Uma garota de olhos castanhos.
“Nada nunca fora resolvido com lágrimas, não é? Quando você disse-me isso, há não muito tempo atrás, busquei interpretar tal sentença num sentido mais amplo, poético. Mas só agora, após numerosos – e dolorosos – dias provando o pungente gosto das lágrimas, compreendi o real significado. Não me entenda mal; não escrevo esta carta para julgá-la, machucá-la ou culpá-la por aquilo que aconteceu. Há muito lhe perdoei, a muito lhe entendi. Apenas desejo deixar-lhe à par do que veio logo após aquela tarde lamuriosa de domingo. Devo tal explicação à você, e logo você a merece.”
...
Nota do autor: Em um domingo gelado embora ensolarado, um garoto de olhos e cabelos negros vira uma garota de olhos castanhos entrar em um carro para nunca mais voltar. Ela o havia deixado para sempre, e ele acreditara com veemência que jamais voltaria a ser feliz – estava sumariamente errado. Ao sentar-se no banco do carro, a garota pensou que aquilo seria o fim – estava sumariamente errada.
“Experimentei, ao longo dos dias e semanas, sensações e gostos completamente novos a mim: o sabor da perda, sempre amargo e constante, insistente ao lembrar-me que você se foi; a sensação de solidão, fazendo-me me sentir constantemente sozinho, mesmo estando com todos ao meu redor; o gosto da desesperança, vestido numa capa doce e agradável, que me demonstrava com vigor como tudo poderia piorar; o medo, a dúvida, a angústia... Mas para meu espanto, um dia tudo isso, assim como você, se foi. E eu me encontrei em um sonho do qual não me lembrava de como tinha entrado.
...
Nota do autor: Durante duas semanas, um garoto de expressão cabisbaixa e olhar cheio de dor vagou inerte por sua vida. Respondia toda e qualquer pergunta com monossílabos, sem nem se preocupar em manter as aparências. Seus familiares e amigos entraram em alerta sobre a saúde tanto física quanto mental do garoto. Dizem que inúmeras vezes podiam-se notar pequenos nós perolados escorrendo por seus olhos. Durante duas semanas, foi notado em uma garota de olhos castanhos vivos e expressão vazia um silêncio incomum. Seus esforços para manter a aparência a todos foi notável, porém nada efetivo; qualquer pessoa poderia notar um grito de dor exclamado em seu olhar. Ninguém jamais a vira chorar nesse período, entretanto está em meu conhecimento que todo dia, logo antes de dormir e após acordar, lágrimas escaparam por seus olhos.
“Como você pode imaginar, um dia eu me lembrei. Para falar-lhe a verdade, as cicatrizes me lembraram. Não há maquiagens nem disfarces capazes de apagá-las, lembra-se? Admito que poderia ter sido mais compenetrado em minha imbatível luta contra minhas memórias, mas como poderia alguém entrar motivado em uma batalha da qual já sabe que perderá? E eu perdi. Lembrar é mais fácil do que esquecer, disse-me você certa vez. Novamente, demorei algum tempo para compreender uma frase dita por você. Ainda há tanta coisa para lhe falar, minha cara! Aguarde um outra carta de um garoto de olhos negros”. Fim da carta primeira.
Nota do autor: Depois de três semanas, um garoto de cabelos negros chorou pela última vez, ainda lembrando-se de uma garota de olhos castanhos límpidos como a luz.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Capítulo 5 – A proposta
Marian se fora naquela noite chuvosa, se fora em meus braços. Nada visível ficou em mim, mas só eu sei a profundidade das cicatrizes que esse incurável ferimento deixou. E eu fui inútil, impotente. Não pude salvá-la, não fui capaz de impedir sua morte. E lá vieram as lágrimas novamente, agora caindo no solo sem vida do túmulo de Marian.
Senti-me mais sem vida do que jamais sentira antes. Estava vazio. Vi as rosas pousando solitárias em cima de um vaso cinzento, e quase por reflexo, lembrei-me da noite em que ela me contara que havia algo de errado com ela, em um bilhete escrito às pressas e selado com um beijo. E a onda de saudade veio novamente, me cobrindo, me derrubando. Ela se fora há apenas três semanas, mas para mim parecia a mais longa das eternidades.
Uma chuva fina, insistente, agora caia do céu, molhando de leve minha face, misturando-se com minhas lágrimas, lavando a minha dor. E eu continuava lá, inerte, uma estátua guardando o repouso eterno de sua amada. Então comecei a sentir um sentimento estranho, impossível de não ser reconhecido: estava sendo observado. Virei-me e achei o rosto de Sara me encarando, sério.
“Você não deveria vir aqui diariamente” – disse-me ela. – “Isso vai acabar te destruindo.”
“O que você tem a ver com isso?” – Embora ela tentasse ser doce comigo, eu a odiava com todas minhas forças: para mim, ela era a culpada da morte de Marian.
“Nathan, eu preciso falar com você, imediatamente.”
“Saia daqui, por favor.” – Minha voz soou baixa, porém ameaçadora. Uma desconhecida onda de raiva, quente e imbatível, cresceu dentro de mim.
“Eu não vou sair nem daqui e nem de sua vida enquanto eu não...”
Eu nem pensei. Tudo pareceu um borrão, e quando eu vi, estava segurando Sara com força, e as palavras simplesmente eram cuspidas de minha boca:
“SAIA DAQUI, AGORA! VOCÊ É A CULPADA, VOCÊ! SE NÃO FOSSE POR VOCÊ E AQUELE SEU MALDITO LIVRO, MARIAN AINDA ESTARIA COMIGO AGORA!”
Para minha surpresa, ela não reagiu. Só continuava olhando fixamente para mim, sem dizer uma palavra. Uma lágrima brilhante escorreu sorrateira por um de seus olhos, caindo imbatível no chão. E, quando tomei consciência, seus braços estavam envolta do meu pescoço, suas lágrimas mornas remanescendo em meu peito. Por instinto, talvez, também a abracei, e lá permanecemos nós dois, acabados em lágrimas e dor.
Horas depois, eu e Sara estávamos em meu quarto, ela segurando com força o livro que conheci através da história contada por Marian. Ela começou a falar:
“Foi este livro que levou Marian. Vou te contar como ele funciona: sempre que ele troca de mãos, de dono, trás com ele uma maldição, e então o antigo portador é libertado. Mas o novo dono preciso conhecer esse fato, e aceitá-lo. A única maneira de se salvar, então, é passando o livro adiante, a colocando a vida de alguém que foi corajoso o suficiente para aceitar em risco. Marian, ela... ela me salvou. Naquela noite, na noite em que ela se foi, ela deveria passar a maldição para você, você deveria ser o sacrifício dela. Mas ela não o fez, escolheu morrer a te levar.”
“Isso tudo é sério, é verdade?” – Lá no fundo, eu sabia que tudo aquilo era real.
“É.” – Sara olhava com firmeza para mim.
“Mas por que você está me contando isso justamente agora?” – Questionei eu à Sara. Não sei a causa, mas uma ínfima linha de esperança crescia em mim agora.
“Quanto você ama Marian, Nathan?”
“Mais do que você um dia irá compreender.”
“E quanto você está disposto a pagar para tê-la de volta?”
“O que for necessário.” – Disse eu, absoluto.
“Sua vida está incluída nesse necessário?”
“Até sua vida está incluída nesse necessário.”
“E se eu dissesse que se você aceitasse esse livro agora, talvez haja uma chance de nós encontrarmos Marian novamente?”
“Talvez haja?” – Questionei eu.
“Não mentirei para você. Há duas chances: em uma nós voltaremos a ver Marian, na outra você morrerá. Você está disposto à pagar este preço, Nathan?” – Sara olhava com firmeza para mim; medo crescia em seus olhos.
“Mil vezes, se for preciso.” – Ela olhou sem piedade para mim, e então passou o livro. Eu não hesitei; o aceitei, aceitei a maldição. Um frio sem motivo me cobriu, e então já não existia nem Sara, nem quarto, nem livro; apenas escuridão.
You say it best when you say nothing at all
Meus pensamentos voavam, um a um, até que pararam em você. Observei com atenção seus olhos castanhos, claros, vívidos. Suas mãos brincavam, inconscientes, com as minhas, levando-me longe mesmo não estando em lugar algum. Quis congelar o tempo agora. Quis que fosse assim para sempre, que tivesse sua mão, seus olhos, sua alma à minha disposição pelo resto de minha vida. Mas não seria, não é?
Você me olhou novamente, e tentei ver algo em você, algo que sempre foge de meu entendimento; que tipo de sentimentos você nutre por mim? Será que seu corpo sente o mesmo arrepio, o mesmo vazio preenchido quando sente meu toque? Será que seu coração bate descompassado quando ouve, ao longe, o timbre de minha voz chegando? Haveria chance de você entrar em confusão quando o meu cheiro chegasse a você? Só queria saber, se no fundo, se você me ama.
E lá estávamos nós, perdidos em nossas confusões. Cada qual lutando para entender melhor o que era tudo aquilo, batalhando sem chance contra o imbatível caos. Eu, como de hábito, não tirava meus olhos dos seus, mas você observava o longe com estranha concentração. Sua respiração lenta, compassada, marcava um ritmo hipnotizante, impossível de não ser notado; mas você não me notou, não me percebeu. Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.
Quanto tempo ainda seria necessário para esse martírio acabar? Você, como sempre, é a resposta. Quando você finalmente tiver o veredicto final, a resposta conclusiva sobre aquilo que sente, minha dor acabará. Felicidade, se virá ou não, já não importa; eu apenas preciso saber se ainda vale a pena nutrir esperanças por aquilo que não aconteceu. Para mim, foi suficiente ter o amor apenas como amor, platônico, incompreendido, mas não é o suficiente, não mais. Preciso saber que meu sentimento será respondido com a mesma proporção que dou, devo ter a certeza que você sempre estará lá quando eu cair, pronta e disposta a me juntar.
Você, que antes contemplava o distante, agora voltou para mim. Sua boca crispou-se em um sorriso tímido, porém cintilante, quando percebeu que eu ainda a observava – como se houvesse alguma chance de eu não a observar. Mas você fora humilde, como sempre foi. Seus dedos se entrelaçaram nos meus, quentes, macios. Sem dizer uma palavra, você iluminou a escuridão. O sorriso em seu rosto fez-me saber que você precisa de mim, há uma verdade em seus olhos dizendo-me que você nunca me deixará, o toque de sua mão diz que você me juntará aonde quer que eu caía. Você diz isso melhor quando não diz nada.
E só então eu compreendi.
Clube dos Canalhas
Note que a palavra “canalha” refere-se, por sentido geral, a um grupo masculino. Quase há uma associação rápida a um homem com sorriso falso, olhar incerto, jeito galanteador. Canalhas são os homens, meus caros e caras, são os homens. Mulheres são ingênuas – perdoem-me o eufemismo – por gostarem dos canalhas, mas isso é assunto para outro texto. Falar de homens canalhas e mulheres ingênuas em apenas um texto seria hipocrisia demais – demais. Se há mulheres canalhas? Bom, há homens ingênuos (este que vos fala, por consenso, é um), provando que existem exceções às regras. Novamente a pergunta retórica: há mulheres canalhas? È claro. Há mulheres que querem ser homens, homens que querem ser mulheres, ou seja, uma contínua insatisfação. As garotas já levaram dos garotos dignidade, dinheiro, orgulho, ingressos de cinema, foras – o coração. Também levaram, de soslaio, talvez, a canalhice. Um furto sem notícias, sem justiça, sem noção.
Talvez os bons moços – aqueles que escrevem cartas, sabem a cor dos olhos da garota que ama, seu nome do meio, o jeito que ela guarda seu cabelo rebelde atrás da orelha, a marca da escova de dente e o ciclo menstrual – devessem contratar um relações públicas. Sério. Ser bom estar fora de moda, há muito é out. Ninguém dá importância pros mocinhos, ninguém. É dos vilões que se fala, são eles que estampam a capa do jornal. Os moços maus que estão na moda, são para eles que os holofotes estão virados. A tendência é que crianças, cada vez mais, desejem ser vilões quando crescerem; quando questionadas “Por que não o Super-Homem, filho, ele é um exemplo a ser seguido?” responderão: “Super quem? O que de mau esse cara fez?”
Essa linha também se aplica aos canalhas. São eles que estão in atualmente. São dos canalhas que existem pôsteres espalhados pelas paredes, são deles que o estilo é copiado. São os canalhas que serão lembrados daqui há séculos, apenas os canalhas. Repito para os bons moços: ou vendam suas imagens com maior competência, ou tornem-se canalhas de uma vez. A máxima ainda prevalece: “Se não os vença, junte-se a eles”.
Percebo que há muito venho falando deles, mas sem especificação. Vou listar suas características, tirarei as máscaras dos vilões.
PEQUENA LISTA DE CARACTERÍSTICAS CARACTERÍSTICAS DOS CANALHAS
- Aparentam serem perfeitos. Qualquer canalha que se preze sabe vender sua imagem com mais velocidade que um camelô foge da polícia. Então, um canalha que parecerá a coisa mais perfeita do mundo, à primeira vista. Mas, acreditem, eles não serão tão perfeitos quando estiverem fugindo pro México, deixando uma legião de garotas grávidas e despedaçadas.
- Mulheres sempre se apaixonam por canalhas, e este é um fato sem argumentação – e nem coerência.
- Os caras mais legais sempre serão os canalhas, e eles sempre o apunhalarão pelas costas. Apresentou sua namorada a um deles? O bebê que ela espera não é seu, meu caro, não é seu. Apresentou sua irmã a um deles? Ela não se casará de branco, absolutamente. Apresentou sua mãe a um deles? Seu irmão, certamente, não será parecido com seu pai.
- Canalhas são sempre aqueles que se dão bem. Aqueles que ganham promoção mesmo estando dormindo com a mulher do chefe, aqueles que nunca são pegos, mesmo se matarem o presidente com um estilingue. Canalhas são imbatíveis porque a partir do momento que são combatíveis deixam de ser canalhas, eis a grande verdade.
- A característica mais marcante de um canalha: ele sempre será melhor que você.
(to be continued...)
PS: O autor desse texto, J.S., não é um canalha, longe disso. Nem queria ser um, perto disso. Mas, certa vez, já foi incluído em um “Clube dos Canalhas”, em uma sexta-feira chuvosa, não é?
sábado, 17 de julho de 2010
Sangue no Jornal
Cansei tambem de me preocupar em achar algo pelo qual lutar, brigar e ir de contra ao governo, assunto que foi abordado no círculo de bêbados que preeche de mafofa e alegria as salas técnicas do inferno do colégio interno Prufrock.
"Ah cara, eu continuo com a ideia de pixar lugares públicos. Mas não pixações escrotas, sem sintido, com o nome de alguém. Eu quero é escrever uma frase de efeito que se prenda na mente de quem ler! Tipo... tipo algo anárquico, ou sei lá como é isso..." Foi o que Peroba disse, e é claro que o restante tentou seguir o raciocínio alcoolico dele, para não se perder na caminhada. Eu ainda estava sentado do lado dele quando ele lançou as palavras pro ar.
"Lutar pelo o quê, afinal?" Mestre Chuck interveio.
E eis que a pegunta ficou pendurada.
"Vivemos num país livre, com direito de ir e vir, de ver um jogo de futebol, de beijar em público, de estudar e viajar. Temos um presidente sem dedo que vê o mundo como um grande torno com problemas elétricos, e ajusta os parafusos, pode até não ser com muita precisão, ou sem falhas, mas satisfatóriamente" Brambilla falou, e acrescentou em seguida " a gente não tem do que reclamar. Imagine se fosse a ditadura ainda... não poderiamos beber em paz, nunca, nem ficar bulinando as vagabundas nas praças, não poderiamos cantar Rock Rocket..."
"Mas eu estou cansado disso! Tenho a impressão de sermos um bando de caretas quadradões que não lutam por seus direitos!" e acredito que o Peroba continua batendo pé até agora.
"Imagina a Coréia do Norte! os caras nem puderam ver a copa!" Mestre Chuck disse. "Você tá vendo coisas... Toda geração acha que é mais fraca do que a anterior, admira-as e tenta se sobressair quanto a elas, sendo que todas vão dar no mesmo lugar."
E então a mente de todos travou, e deu uma sede filha da puta.
"Vamos pichar" Peroba disse. "Vamos detonar estes power pops, e esse governo do caralho!!"
e então vi que a história acabou por aí.
Tudo o que restou foi a ausencia de memorias para com os grandes heróis políticos, e seus inicios de carreira, tumultuados, torturados, pobres e famintos. Claro que a saúde daqui está uma merda, e que agora vamos tirar dos bolsos uma grana preta pra fazer estádios, melhorar a aparencia das cidades para a Copa, mas para a COPA, para TURISTAS, tudo que faremos é dar um pontapé e fazer tudo às pressas, montar um cenário de papelão barato para enganar os gringos, e depois de terminada a copa, fim.
Podemos olhar para Cuba e Coréia do Norte, pessoal que não tem descanso por serem amaldiçoados só por terem nascidos lá. e Podemos olhar tambem para Europa, legal... Amsterdam... Chapada.
Podemos olhar para o Brasil, e ver os problemas que todos países tem, e podemos colocar na balança com as coisas boas que temos por aí... Temos ainda dinheiro para comprar um pc, pagar net e escrever num blog... podemos estudar e muitos ainda desprezam isso, podemos trabalhar, tentar crescer... as ruas são nossas até de manhã cedo... e quero ver se nós, homems e garotos, iriam gostar de ver todas as garotas do Brasil usando aquela porra de Burqa das árabes... e alimentar o sonho de acabar a vida com uma bomba amarrada no peito, em nome de Allah.
No final das contas, nós somos um monte de cazuzas... bons brasileiros... com a arte de amar, a cachaça no bar, e a cabeça cansada de pensar...
Vamos pichar o quê?
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Think about you
Eu faço versos como quem chora
De desalento, de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto
Meu verso é sangue, volúpia ardente
Tristeza esparsa, remorso vão
Dói-me nas veias, amargo e quente
Cai gota a gota, do coração
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
Eu faço versos como quem morre
Manuel Bandeira
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Sentidos
Como há muito não fazia, seu silêncio calou-me. Não foi preciso palavras para especificar aquilo que ali, entre nós, acontecia. Ouvi de teus olhos tudo aquilo que precisava escutar; cada palavra insinuante nunca antes dita agora cintilava com clareza perante mim. A falta de som não era incômoda, longe disso: criava entre nós uma conexão que transcendia toda e qualquer compreensão de relacionamento. È isso que éramos, isso que somos: a peça que falta na vida um do outro, ambos com o mesmo pesado fardo de jamais poder completar este vazio.
Então a sua mão veio até a minha, e por ela a doce corrente de plenitude em minha alma entrou. Meu dedo deslizou, sorrateiro, por sua pele macia, e eu senti a cada jaça perfeita que em você existe. Macio, tenro, quente, seu corpo não era apenas convidativo para mim; ele clamava por meu toque, e eu, obedientemente, acatava com prazer. A cada novo tom distinto que notava em você, ficava mais certo de que era errado estar certo sobre você; não há maneiras certas de dominar a idealização do perfeito.
Quando seus lábios úmidos, trêmulos, vieram até os meus, tomei consciência de seu inconfundível odor adocicado, e vi que ele continua o mesmo que antigamente. E seu cheiro trouxe a mim tantas lembranças! Tardes ensolaradas que nunca acabaram, conversas longas e repetitivas que nunca começaram, medos e angústias que nunca existiram. Seu perfume doce, profundo, calmo, parecia pregar uma peça em mim; embaralhava tudo em minha mente, confundia tudo em meu corpo. O entendimento de que esse momento acabaria em dor – como sempre acabou – atacava-me, mas eu ainda tinha esperança de que o sabor de seu cheiro permanece em mim para a eternidade. Talvez...
O gosto de seu beijo, fluente, exaltava-me. Embora uma onda de sentido e sentimentos por mim passasse, era esse gosto que se sobressaia ao demais; inexplicável, inexorável, perfeito. Mesmo tendo conhecimento da finidade do momento, eu não me importava, apenas queria que os poucos segundos que ainda tinha contigo fossem horas, dias, anos, eternidades. Seus lábios acariciam os meus, massageando-me com incomum destreza. Mesmo finito, esse momento tornou-se eterno.
Quando, infelizmente, a eternidade acabou, vi seus olhos a poucos centímetros dos meus. Era estranho como a comum cor castanha ficava tão sintonizada com você, como se você fosse a obra-prima de um talentoso artista. Era um castanho claro, cintilante, tão vivo que chegava a ser assustador, não assustador de uma maneira ruim, mas sim de uma forma boa; assustadoramente surpreendentes. Vi seu rosto, ainda um pouco rosado, e nele tinha sua boca em um sorriso de amor, convidando-me para ser seu, pedindo meu coração. Eu daria de bom gosto, mas como é possível lhe dar algo que já é seu?
Sua voz foi a primeira a ruir o silêncio que já há algum tempo nos cobria. Ela veio como música aos meus ouvidos, trazendo-me tamanha satisfação que refleti como uma coisa tão simples como a sua voz podia ser tão reconfortante para mim. Tomei por conclusão que até as coisas mais singelas, quando ocorrem na hora certa com a pessoa certa, tornam-se momentos especiais.
“Vamos?” – Questionava sua voz, serena, a mim.
“Vamos.” – Disse a minha, um pouco mais que um sussurro grave, mas você entendeu. E lá fomos nós, sorrindo, talvez ainda anestesiados pela explosão de sentidos que acabamos de sentir, ou talvez apenas felizes por termos um ao outro.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Primeiro: Foi o seu sorriso... ...
Você está numa festa com os seus amigos. Todos bebem, dançam e se divertem, somente pelo fato de estarem juntos novamente depois de tanto tempo. Você não está pensando em mais nada, somente em se divertir com seus amigos. Mulheres? Nah. Você realmente só quer se divertir com seus amigos!
Entre uma garrafa e outra de cerveja, você resolve ir ao banheiro. Na volta, você passa por duas garotas, que você nunca viu na vida. Uma delas te aborda do nada e manda: “Minha amiga ta afim de ti!”. A amiga dela quase tem um ataque. Entre risinhos e sorrisos disfarçados ela diz: “Ai! É mentira dela!!”.
Bom, esse tipo de coisa não acontece todo o dia com você! Você, inocentemente (e eu não estou sendo irônico) a convida para dançar. Ela diz que não sabe dançar, que não quer, blablabla, enfim... Depois de algumas tentativas ela aceita a dança. Esta, dura somente meia-dúzia de passinhos e acaba. Você descobre que ela realmente não sabe dançar.
Quando você percebe, você já esta há quase meia hora conversando com ela. A bebida te deixa mais extrovertido, e o mais importante de tudo: mais cara-de-pau. Conversa vai, conversa vem, o papo começa a tomar um rumo diferente. A conversa fica mais picante, você dá algumas investidas, ela esquiva, você ataca de novo, ela finge que não quer, e assim vai indo... De repente, você passou a festa toda “trovando” ela. Ela resiste às suas cantadas até o último minuto da festa, e pior: vai embora, sem se render a você. Porém, nesse meio tempo, você consegue algumas informações importantes sobre ela, como seu aniversário (que você esquece 15 dias depois), sua música preferida, sua idade, e o grande prêmio da noite: o número do seu telefone...!
Você também vai embora. Esse foi o melhor dia da sua vida. Você chega em casa morto, e só pensa em dormir. Dormir e dormir. De repente, vem um estalo na sua cabeça. Tec! Você até consegue ouvir. Era ela. Por algum motivo que você não conhece você não consegue parar de pensar nela. O que te deixou tão vidrado nessa garota? Talvez sua beleza? Nãão; ela nem era tão bonita assim. Talvez a inteligência dela? Também não. Dinheiro? Nananana..... Ela tinha alguma coisa, alguma coisa que a diferenciava das outras garotas.
Bom, vamos dar uma resumida: Você não sabe o que ela tem de diferente das outras garotas, mas você sabe que isso te conquistou.
De repente outro estalo. TEC! Aouch! Esse chegou até a doer. Você se lembra que prometeu ligar pra ela. Você se lembra também que não deveria ter prometido ligar pra ela. Tudo bem, você é homem, você precisa fazer isso, é sua missão!!
Enquanto você gasta um bom tempo da sua semana tomando coragem pra ligar pra ela, você recebe a melhor noticia que você já recebeu (e que ainda vai receber) na sua vida: no próximo fim de semana vai ter outra festa, no mesmo lugar, na mesma hora! É certo que ela vai estar lá! E se ela vai, então você vai!
Enfim chega o grande dia. Você está louco pra vê-la de novo. Tão louco que até esqueceu de inventar uma desculpa do por quê você não ligou pra ela.
Putz, e agora!? Você tem somente alguns minutos pra bolar uma desculpa. Oh não, lá vem ela, ela está vindo na sua direção! Rápido, corra o mais rápido possível para a cerveja mais próxima!!
CONTINUA
Capítulo 4 - O livro
Capítulos anteriores:
1°: http://norestforthecursed.blogspot.com/2010/03/capitulo-1-rosa.html
2°: http://norestforthecursed.blogspot.com/2010/04/capitulo-2-voz.html
3° http://norestforthecursed.blogspot.com/2010/06/capitulo-3-verdade.html
CAPÍTULO 4 - O LIVRO
Meu estado de espírito pode ser dividido, sem dúvida, em dois opostos: com Marian e sem Marian. Com Marian sou tão feliz que nem compreendo; um sentimento único que apenas a presença dela é capaz de trazer. Sem Marian sinto-me vazio, como se estivesse faltando o algo mais importante de minha existência. Com Marian só há uma preocupação: manter-me o maior tempo que puder perto dela. Sem Marian, só há a esperança de poder, alguma hora, estar com ela novamente. Com ela eu sou a melhor parte de mim, a personificação da alegria. Mas já sem ela, sou uma casca vazia daquilo que outrora fui.
Atravessei a porta, com gratidão à Marian por me tirar daquele horrível lugar, e entrei na fria noite. Ela estava sentada no meio fio da calçada, olhando, talvez esperançosa, para a imensidão do céu sobre nós. Havia muitas estrelas, que com seus brilhos transformavam o céu em uma obra de arte. Ao me aproximar dela, senti, de leve, seu cheiro. Um sentimento antigo, reconfortante e incrível dominou-me, e de mim arrancou qualquer infelicidade: eu estava com Marian.
“Perdoe-me, Nathan. Eu não deveria ter pedido para você vir aqui, nesse lugar horrível. Eu só... só queria que você soubesse.”
Ela levantou-se agilmente, e agora estava a poucos centímetros de mim, com seus olhos cravados nos meus; esse olhar tinha tamanha intensidade que a única vontade que eu tinha era abraçá-la e não a largar mais. Mas eu queria – e precisava – saber o que estava acontecendo com o único alguém que realmente valia a pena me importar.
“Eu estou aqui, está bem? Não importa o que digam, o que façam, o que pensem ou o que desejem, eu sempre estarei ao seu lado, sempre!” – Enquanto eu dizia essas palavras com minha voz um pouco desajeitada, colocava minha mão sobre o ombro dela, em sinal de irrevogável apoio. Ela hesitou por um instante, então levantou sua cabeça outrora baixa, e disse num tom absolutamente calmo:
“Você promete que não vai me odiar?”
“Como se isso fosse possível...” – zombei eu, mas em seu sou rosto não havia o mínimo sinal de graça; lá só existia medo.
“Prometa, por favor!” – Olhava-me agora esperançosa, esperando que eu atendesse sua prece, que eu, é claro, atendi.
“Eu prometo que não importa o que você me diga, eu continuarei lhe amando na mesma proporção, pois é isso que eu faço, é isso que eu sou: eu te amo.”
E lá em sombrio rosto apareceu algo que há muito eu não via: seu cintilante sorriso, capaz de ofuscar até a mais sombria das escuridões.
“Eu te amo, Nathan.” – Então ela se sentou no meio-fio da calçada, e de lá, com uma voz pura e contínua, começou a contar sua história:
“Sabe, eu e Sara somos primas. Quando crianças, éramos tão juntas que nos considerávamos irmãs de verdade. Mas crescemos, e com o tempo, cada uma foi tomando seu caminho, e nos distanciamos muito, a ponto de mal nos falarmos por meses. Então, há mais ou menos seis meses atrás, nós voltamos a nos falar. Mas Sara estava tão diferente... ela estava má, cruel. Não era, nem de longe, aquela garota que eu tinha tanto afeto. Então eu decidi investigar o que realmente estava acontecendo com ela. Sara não dizia nada com sentido quando eu a indagava; só falava que era por causa de um ex-namorado, que tinha feito algo horrível com ela. Mas Sara jamais se aprofundava demais no assunto, nunca mesmo. Eu pensava: “Será que ele a deixou doente, grávida, alguma coisa desse gênero?”, mas no fundo eu sempre soube que era alguma coisa pior, muito pior. Então, em um dia que ela estava viajando, fui até sua casa e arrombei seu quarto. Revirei tudo, e em uma caixa rosa de madeira – caixa que desde a época de criança foi seu esconderijo secreto – estava um livro muito antigo. Tinha capa verde num tom amarronzado e opaco, talvez por conta da velhice. As páginas eram amarelas e manchadas, e dele saía um cheiro horripilante. Na capa tinha uma estrela de cinco pontos, um conhecido símbolo de ocultismo e magia, sabia eu. “Magia e ocultismo?”, eu pensei, que coisa mais insana. Por que diabos Sara estaria escondendo um livro daqueles? Peguei o estranho manuscrito e levei para minha casa. Foi aí que tudo começou.”
A voz de Marian estava agora embargada, carregada. Sentei-me ao seu lado, e a coloquei em volta dos meus braços, enquanto meus dedos limpavam as lágrimas que insistiam em sair de seus olhos. Embora toda aquela história fosse muito estranha, não havia nenhum vestígio de dúvida; tudo aquilo era a verdade, uma incômoda verdade. Após suspirar longamente, ela continuou:
“Eu nunca fui de acreditar no sobrenatural, como você sabe. Achava que as crendices populares eram histórias, só isso. Mas aquele livro... tinha algo maldito nele. A primeira noite que passei com ele escondido em meu quarto foi certamente a mais horrível de minha vida. Pesadelos, vozes, sentimentos... coisas realmente sinistras. No outro dia, ainda aterrorizada, fui devolvê-lo à Sara. Esse foi o pior dia da minha existência. Quando contei a ela que tinha levado o livro de seu quarto, vi ela ficar tão branca que pensei que ela fosse um fantasma. Ela me contou a verdadeira história daquilo que eu acreditava que fosse apenas um livro. Mas...”
A voz de Marian hesitou. Eu estava realmente assustado com tudo aquilo, mas eu sabia que contar toda essa história estava sendo incompreensivelmente dificíl para Marian. Quando fui abrir minha boca para perguntar a ela se estava tudo bem, um fato me constatou que não tinha nada bem: eu tinha uma branquíssima Marian em meus braços, desfalecida, com estranhas faixas negras outrora inexistentes em volta de seus pulsos, e nela, para meu terror, não havia nenhum sinal de respiração.
