Todos nós sabemos que a questão “sanidade mental” é extremamente relativa. Por exemplo: eu posso achar cabivelmente normal um sujeito ferver sua meia, todo o dia, para tomar a água da fervura – com uma pitada de estrato de cueca – como chá. Já você pode considerar isso um caso de calamidade pública, então chamar algum exorcista ou a Organização Mundial de Saúde. Mas existem alguns consensos gerais, assim como considerar doido de pedra qualquer um que ache Susan Boyle atraente, que ache Zorra Total um programa humorístico de alto nível, que considere Cine Band Privê um programa de filmes pornôs, que goste de ouvir Beatles enquanto se arruma para um baile funk – e vice-versa – qualquer um que prefira Trakinas de chocolate à de morango e qualquer infeliz que nasceu em uma cidade, mora em outro estado e estuda noutra cidade completamente diferente. (Perdoem-me, sou adepto a piadas internas).
Mas, mesmo sendo tudo isso extremamente óbvio, algumas pessoas (lê-se mulas) não conseguem reconhecer um legítimo maluco quando observam um. Então eu – e minha outra personalidade aqui, o S.J. – decidimos criar uma pequena e funcional lista, tão pequena e funcional que você pode tatuá-la na palma da mão para não esquecer, de característica que apenas malucos têm.
PRIMEIRA PEQUENA E FUNCIONAL LISTA DE CARACTERÍSTICAS QUE APENAS MALUCOS TÊM
- Ter amigos invisíveis, falar com verduras (principalmente o tomate, que nem verdura é), ver gente morta (a não ser A Morte, que vê gente morta todo dia), acreditar que o Corinthians realmente é campeão do mundo e pensar que eu sou um péssimo escritor.
- Crer que o único jeito de saber se algo voa ou não é jogá-lo do topo de um prédio de 50 andares (principalmente para quem faz isso com hamsters e peixes)
- Se chamar Lady Gaga.
- Ouvir vozes inexistentes. Obs.: Essa regra não é aplicável quando se está em shoppings, hipermercados, lojas, etc., pois nesses lugares ouvir a voz “Sr. Pedro, favor encontrar sua filha chorona no guichê cinco” é altamente normal.
- Tentar brincar de gangorra, pega-pega e cabo-de-guerra sozinho.
- Correr pelado contando carneirinhos cantando o hino nacional da Nigéria em um deserto chinês.
- Acreditar que pode existir numa ilha tropical um urso polar, um homem de preto que vira fumaça, um homem de branco que é Lúcifer em outro seriado, viagens no tempo, morenas sardentas, fugitivas e gostosas e iraquianos torturadores. (Qualquer semelhança não é mera coincidência.)
- Preferir funk, pagode, bossa nova, gospel ou qualquer outra estilo musical ao velho e bom Rock and Roll.
- Fazer roleta russa com uma pistola automática.
- Ler esse blog.
Obs.: Se você for rico – lê-se pode de rico – todas as regras não se aplicam a você. Para você, todas suas esquisitices serão chamadas de excentricidades, e ninguém vai se importar se você gosta de tomar no café da manhã ratos uruguaios fervidos com manteiga de cacau, pois você é rico.
Obs. 2: Esse blog não apóia, de maneira alguma, o mal trato de ratos uruguaios.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Sympathy For The Devil
Decidi, hoje, vender minha alma ao diabo. Digo a vocês, foi uma decisão fácil. Estava entediado, sem nada o que fazer, refletindo sobre a vida, selecionando as escolhas que poderia tomar. Pensei no quê eu tinha, as coisas que eu possuía: meu vídeo-game, computador, roupas em geral, celular, família, amigos e... minha alma!
Logo imaginei a cotação atual de minha alma. Espírito bom, jovem, cheio de coisas à experimentar. Sou novo no mundo da cotação de almas, mas mesmo sem experiência, pensei que meu espírito devia valer bem. Depois, com a decisão já tomada, começaram a vir as complicações.
Como posso colocar minha alma no pregão de espíritos? De cara, percebi que no jornal não acharia nenhum anúncio “Venda sua alma já! Sem impostos, sem burocracia e advogados, sem perca de tempo!”. Perguntar a alguém também não seria algo muito inteligente “Como vai jogando o Inter? Bem, não é? A propósito, você sabe como posso vender minha alma ao diabo?”. Se perguntasse a alguém, provavelmente pararia ou num manicômio, ou numa igreja com algum pastor duvidoso. Então fiz a coisa que qualquer pessoa informada e culta como eu faria: procurei no Google.
Até achei alguns fóruns e posts em um ou outro blog, mas nada realmente satisfatório. Admito, fiquei decepcionado! Quero dizer, achei que no instante que eu decidisse vender minha’lma ao demônio, esse aparece na forma de uma loira bem gostosa, me desse uma cerveja e me fizesse sua oferta. Mas não, até para fazer um pacto demoníaco as coisas são difíceis para mim.
Fui até o telefone e, num lance de inspiração, liguei para o número 666-666. Novamente, nada. Tentei o 999-999 também, só para garantir. Nada. Eu já estava começando a ficar irritado. Corri até a lista telefônica, e lá fui para os D’s. Nenhum diabo, demônio, nem devil. No C’s nadica de capeta, nem de cão. Nos B’s, até achei um Belzebú, e após ligar para ele, fui xingado veementemente por um cara que, com sua voz fina, não parecia em nada com o demônio que eu imaginava:
-“Hey, isso não tinha graça nem na época da escola. Não tenho culpa se meus pais colocaram meu nome de Belzebú, seu desocupado!” tu, tu, tu, tu, tu.
O Belzebú desligou na minha cara.
Agora já estava muito, mas muito frustrado.
Após tantas tentativas, percebi que eu – e aposto minha alma (ops) que muito mais gente também – não tem a mínima idéia de como vender sua alma. Tentei de um jeito nada ortodoxo: criei uma conta no Mercado, e lá ofereci minha alma, com o lance inicial em cem mil reais (hey, é MINHA alma, vale tudo isso sim, beleza?). Após uma semana, nada de lances, nada. Nem do lado divino, nem do lado obscuro. Nada.
Criei então a teoria de que, na verdade, não podemos vender nossa alma, pois ela nem é nossa; nos foi alugada, ou talvez até emprestada. Mas saibam que eu ainda não desisti; continuo tentando vende-la. Até deixei uma reclamação formal no SAC do inferno, pela demora secular do atendimento.
Se um dia eu conseguir vender ela, vocês, meus corajosos leitores, certamente saberão: se alguém chamado J.S. virar um meteórico cantor, um prodigioso empresário ou um brilhante apresentador de tevê cheio de bordões sinistros, contem, quase que certamente, que a operação “Venda da Alma ao Diabo” foi efetuada com sucesso.
Logo imaginei a cotação atual de minha alma. Espírito bom, jovem, cheio de coisas à experimentar. Sou novo no mundo da cotação de almas, mas mesmo sem experiência, pensei que meu espírito devia valer bem. Depois, com a decisão já tomada, começaram a vir as complicações.
Como posso colocar minha alma no pregão de espíritos? De cara, percebi que no jornal não acharia nenhum anúncio “Venda sua alma já! Sem impostos, sem burocracia e advogados, sem perca de tempo!”. Perguntar a alguém também não seria algo muito inteligente “Como vai jogando o Inter? Bem, não é? A propósito, você sabe como posso vender minha alma ao diabo?”. Se perguntasse a alguém, provavelmente pararia ou num manicômio, ou numa igreja com algum pastor duvidoso. Então fiz a coisa que qualquer pessoa informada e culta como eu faria: procurei no Google.
Até achei alguns fóruns e posts em um ou outro blog, mas nada realmente satisfatório. Admito, fiquei decepcionado! Quero dizer, achei que no instante que eu decidisse vender minha’lma ao demônio, esse aparece na forma de uma loira bem gostosa, me desse uma cerveja e me fizesse sua oferta. Mas não, até para fazer um pacto demoníaco as coisas são difíceis para mim.
Fui até o telefone e, num lance de inspiração, liguei para o número 666-666. Novamente, nada. Tentei o 999-999 também, só para garantir. Nada. Eu já estava começando a ficar irritado. Corri até a lista telefônica, e lá fui para os D’s. Nenhum diabo, demônio, nem devil. No C’s nadica de capeta, nem de cão. Nos B’s, até achei um Belzebú, e após ligar para ele, fui xingado veementemente por um cara que, com sua voz fina, não parecia em nada com o demônio que eu imaginava:
-“Hey, isso não tinha graça nem na época da escola. Não tenho culpa se meus pais colocaram meu nome de Belzebú, seu desocupado!” tu, tu, tu, tu, tu.
O Belzebú desligou na minha cara.
Agora já estava muito, mas muito frustrado.
Após tantas tentativas, percebi que eu – e aposto minha alma (ops) que muito mais gente também – não tem a mínima idéia de como vender sua alma. Tentei de um jeito nada ortodoxo: criei uma conta no Mercado, e lá ofereci minha alma, com o lance inicial em cem mil reais (hey, é MINHA alma, vale tudo isso sim, beleza?). Após uma semana, nada de lances, nada. Nem do lado divino, nem do lado obscuro. Nada.
Criei então a teoria de que, na verdade, não podemos vender nossa alma, pois ela nem é nossa; nos foi alugada, ou talvez até emprestada. Mas saibam que eu ainda não desisti; continuo tentando vende-la. Até deixei uma reclamação formal no SAC do inferno, pela demora secular do atendimento.
Se um dia eu conseguir vender ela, vocês, meus corajosos leitores, certamente saberão: se alguém chamado J.S. virar um meteórico cantor, um prodigioso empresário ou um brilhante apresentador de tevê cheio de bordões sinistros, contem, quase que certamente, que a operação “Venda da Alma ao Diabo” foi efetuada com sucesso.
terça-feira, 27 de abril de 2010
O Bem pelo Mal... e vice-versa
Brilhante contribuição feita por Alessandro "Sequela" ao meu humilde blog. Thanks a lot, dear friend!
Certa vez, João e sua família foram até o parque, para fazer um piquenique. Estava ele lá, muito contente, namorando com sua esposa enquanto seus filhos brincavam com alguns brinquedos que trouxeram de casa, quando, de repente, um mendigo se aproxima de João:
- Por favor, senhor. Eu estou há dois dias sem comer; o senhor poderia dar alguma comida a um pobre coitado como eu?
João, comovido com o sofrimento do pobre mendigo, deu a ele o sanduíche que acabara de abrir, e que havia apenas dado uma ou duas mordidas. O mendigo, muito contente, agradeceu e foi embora. A esposa de João, sorrindo, o gratificou pelo bom exemplo que ele havia dado às crianças. Foi então que, ao por a mão no chão para beijar a esposa, João pos a mão em um formigueiro repleto de formigas, que lhe picaram sem dó nenhum. O pior de tudo era que João era alérgico a insetos. João teve que ficar uma semana de repouso em casa, até que sua mão sarasse.
Na semana seguinte, João voltou ao parque, do mesmo modo, voltou o mendigo a lhe pedir comida. Novamente, João lhe deu o seu sanduíche, e o mendigo, agradecido, foi embora. Logo depois, sua filha mais nova caiu da bicicleta, e acabou quebrando uma perna. Novamente, João ficou uma semana em casa, sem poder sair para trabalhar, cuidando de sua filha que estava doente.
Ao voltar ao parque, o mendigo, pela terceira vez lhe aparece, pedindo ajuda. João, irritado, diz:
- Dessa vez não vou te ajudar! Toda vez que te dou de comer, algo de ruim acontece à minha família!
O mendigo prontamente respondeu:
- João... - João se espantou ao ver que o mendigo sabia seu nome, sendo que João nunca havia o contado - ... tu foste escolhido. Tu tens um dom. Toda vez que fizeres bem a alguém, algo de ruim te acontecerá. Do mesmo modo, sempre que fizer mal a alguém, algo de bom acontecerá, a ti e a tua família.
Dito isso, o mendigo desapareceu. João, muito impressionado com a história, resolveu fazer um teste. Pegou uma pedra e a atirou em uma menininha que brincava no parque. Esta, prontamente, se pôs a chorar. Segundos depois, uma mulher, de boa aparência, veio em direção ao João, e disse:
- Já faz um tempo que eu venho a esse parque, e tenho visto que você tem sempre ajudado ao pobre mendigo que lhe pede comida. Você tem um bom coração senhor. Tome esse cheque como recompensa pelas suas boas ações.
João não acreditou no que acontecera. “Então o que o mendigo disse era verdade!”, pensou João.
A partir daquele dia, João mudou sua vida totalmente. Começou a fazer pequenos furtos em mercados, a enganar senhoras que passavam pela rua, aplicar pequenos golpes e passar cheques sem fundos. E, em troca disso, só aconteceram coisas boas à sua família. Sua mulher se formou no curso de arquitetura que sempre sonhará, sua filha passou todos os anos do colégio sem tirar uma nota vermelha se quer, seu filho realizou o sonho de ser jogador de futebol, enfim, quanto mais coisas ruins João fazia, mais benefícios ele trazia à sua família.
Não demorou muito e João acabou se tornando político. Como político, ele pode aplicar golpes ainda maiores, e prejudicar ainda mais o povo. Anos depois, ele se tornou presidente. Durante os quatro anos que João esteve na presidência, o Brasil passou a pior época de toda sua história. Cada dia mais as pessoas morriam por falta de hospitais. A violência urbana tomou níveis catastróficos, e os índices de miséria no país aumentaram vertiginosamente. Enquanto isso, os parentes e amigos próximos de João ficavam cada vez mais ricos, cada vez mais felizes.
Algum tempo depois, a filha de João teve câncer de útero. Isso arruinaria o sonho dela de ter um filho. João, tentando salvar a filha, fez as maiores atrocidades no governo, mas nada parecia adiantar. Até que ele teve uma brilhante ideia. Um dia, no calar da noite, João saiu às ruas, a procura de algo de ruim para fazer. Não demorou muito e João achou um mendigo dormindo na calçada. Ele não teve a maior hesitação. Tirou um frasco com gasolina do bolso, a atirou sobre o mendigo e pôs fogo logo em seguida. O mendigo gritava e implorava para ser salvo, porém João nada fez, apenas o assistiu queimar. Foi a primeira vez que João matara alguém.
Pronto. O problema estava resolvido. No dia seguinte, sua filha havia se curado miraculosamente do câncer.
Assim se passaram anos e mais anos, até que João finalmente morreu. Chegando ao céu, João viu Jesus Cristo e Maria, sentados lado a lado. Logo que ele chegou foi começado o seu julgamento final. Não muito tempo depois, o resultado saira:
- João, você está condenado a passar a eternidade no fogo do inferno. - disse Jesus.
João, muito furioso com a sua sentença, reclamou pelo seu direito:
- Isso não é justo. Durante minha vida toda eu fui um homem bom. Eu dei a minha família tudo que ela sempre sonhara: dinheiro, saúde, sucesso... Até mesmo salvei minha filha de um câncer gravíssimo, que acabaria com o sonho dela de ter filhos!
- E para isso teve que matar alguém, não é? - Respondeu Jesus Cristo.
- Aquele mendigo não era ninguém. Logo, ele morreria de fome, ou de coisa muito pior. Ele não tinha família, não tinha amigos, não tinha nada. De nada valia a vida dele.
Nesse momento, Jesus Cristo troca sua aparência, e se revela ser o mendigo o qual João havia dado os sanduíches, há muito tempo atrás.
- Ahá! Eu sabia! Então você era aquele mendigo que eu encontrei no parque há muito tempo atrás. Você que me deu o dom de fazer o bem aos meus amigos e parentes, fazendo o mal a outras pessoas!
- Sim. Fui eu. - Respondeu Jesus.
- Viu só. Eu somente fiz o que o senhor me ordenara. E agora você esta querendo me jogar no inferno? Isso é justiça?
- Eu não te ordenei nada, meu filho. Eu te dei uma escolha. - Respondeu novamente Jesus, agora na forma de mendigo.
- Eu não entendo. Eu fiz o bem a minha família. Isso não é justo. Você queria que eu fizesse o que? Visse minha família sofrendo, enquanto eu ajudava outras pessoas as quais eu nem conheço? - Respondeu João, muito confuso com a situação.
- Meu filho, o caráter das pessoas não é medido pelo bem que elas fazem a quem elas conhecem, e sim pelo bem que elas fazem a quem elas não conhecem.
João abaixou a cabeça, e conformado, andou lentamente em direção à porta do inferno.
Certa vez, João e sua família foram até o parque, para fazer um piquenique. Estava ele lá, muito contente, namorando com sua esposa enquanto seus filhos brincavam com alguns brinquedos que trouxeram de casa, quando, de repente, um mendigo se aproxima de João:
- Por favor, senhor. Eu estou há dois dias sem comer; o senhor poderia dar alguma comida a um pobre coitado como eu?
João, comovido com o sofrimento do pobre mendigo, deu a ele o sanduíche que acabara de abrir, e que havia apenas dado uma ou duas mordidas. O mendigo, muito contente, agradeceu e foi embora. A esposa de João, sorrindo, o gratificou pelo bom exemplo que ele havia dado às crianças. Foi então que, ao por a mão no chão para beijar a esposa, João pos a mão em um formigueiro repleto de formigas, que lhe picaram sem dó nenhum. O pior de tudo era que João era alérgico a insetos. João teve que ficar uma semana de repouso em casa, até que sua mão sarasse.
Na semana seguinte, João voltou ao parque, do mesmo modo, voltou o mendigo a lhe pedir comida. Novamente, João lhe deu o seu sanduíche, e o mendigo, agradecido, foi embora. Logo depois, sua filha mais nova caiu da bicicleta, e acabou quebrando uma perna. Novamente, João ficou uma semana em casa, sem poder sair para trabalhar, cuidando de sua filha que estava doente.
Ao voltar ao parque, o mendigo, pela terceira vez lhe aparece, pedindo ajuda. João, irritado, diz:
- Dessa vez não vou te ajudar! Toda vez que te dou de comer, algo de ruim acontece à minha família!
O mendigo prontamente respondeu:
- João... - João se espantou ao ver que o mendigo sabia seu nome, sendo que João nunca havia o contado - ... tu foste escolhido. Tu tens um dom. Toda vez que fizeres bem a alguém, algo de ruim te acontecerá. Do mesmo modo, sempre que fizer mal a alguém, algo de bom acontecerá, a ti e a tua família.
Dito isso, o mendigo desapareceu. João, muito impressionado com a história, resolveu fazer um teste. Pegou uma pedra e a atirou em uma menininha que brincava no parque. Esta, prontamente, se pôs a chorar. Segundos depois, uma mulher, de boa aparência, veio em direção ao João, e disse:
- Já faz um tempo que eu venho a esse parque, e tenho visto que você tem sempre ajudado ao pobre mendigo que lhe pede comida. Você tem um bom coração senhor. Tome esse cheque como recompensa pelas suas boas ações.
João não acreditou no que acontecera. “Então o que o mendigo disse era verdade!”, pensou João.
A partir daquele dia, João mudou sua vida totalmente. Começou a fazer pequenos furtos em mercados, a enganar senhoras que passavam pela rua, aplicar pequenos golpes e passar cheques sem fundos. E, em troca disso, só aconteceram coisas boas à sua família. Sua mulher se formou no curso de arquitetura que sempre sonhará, sua filha passou todos os anos do colégio sem tirar uma nota vermelha se quer, seu filho realizou o sonho de ser jogador de futebol, enfim, quanto mais coisas ruins João fazia, mais benefícios ele trazia à sua família.
Não demorou muito e João acabou se tornando político. Como político, ele pode aplicar golpes ainda maiores, e prejudicar ainda mais o povo. Anos depois, ele se tornou presidente. Durante os quatro anos que João esteve na presidência, o Brasil passou a pior época de toda sua história. Cada dia mais as pessoas morriam por falta de hospitais. A violência urbana tomou níveis catastróficos, e os índices de miséria no país aumentaram vertiginosamente. Enquanto isso, os parentes e amigos próximos de João ficavam cada vez mais ricos, cada vez mais felizes.
Algum tempo depois, a filha de João teve câncer de útero. Isso arruinaria o sonho dela de ter um filho. João, tentando salvar a filha, fez as maiores atrocidades no governo, mas nada parecia adiantar. Até que ele teve uma brilhante ideia. Um dia, no calar da noite, João saiu às ruas, a procura de algo de ruim para fazer. Não demorou muito e João achou um mendigo dormindo na calçada. Ele não teve a maior hesitação. Tirou um frasco com gasolina do bolso, a atirou sobre o mendigo e pôs fogo logo em seguida. O mendigo gritava e implorava para ser salvo, porém João nada fez, apenas o assistiu queimar. Foi a primeira vez que João matara alguém.
Pronto. O problema estava resolvido. No dia seguinte, sua filha havia se curado miraculosamente do câncer.
Assim se passaram anos e mais anos, até que João finalmente morreu. Chegando ao céu, João viu Jesus Cristo e Maria, sentados lado a lado. Logo que ele chegou foi começado o seu julgamento final. Não muito tempo depois, o resultado saira:
- João, você está condenado a passar a eternidade no fogo do inferno. - disse Jesus.
João, muito furioso com a sua sentença, reclamou pelo seu direito:
- Isso não é justo. Durante minha vida toda eu fui um homem bom. Eu dei a minha família tudo que ela sempre sonhara: dinheiro, saúde, sucesso... Até mesmo salvei minha filha de um câncer gravíssimo, que acabaria com o sonho dela de ter filhos!
- E para isso teve que matar alguém, não é? - Respondeu Jesus Cristo.
- Aquele mendigo não era ninguém. Logo, ele morreria de fome, ou de coisa muito pior. Ele não tinha família, não tinha amigos, não tinha nada. De nada valia a vida dele.
Nesse momento, Jesus Cristo troca sua aparência, e se revela ser o mendigo o qual João havia dado os sanduíches, há muito tempo atrás.
- Ahá! Eu sabia! Então você era aquele mendigo que eu encontrei no parque há muito tempo atrás. Você que me deu o dom de fazer o bem aos meus amigos e parentes, fazendo o mal a outras pessoas!
- Sim. Fui eu. - Respondeu Jesus.
- Viu só. Eu somente fiz o que o senhor me ordenara. E agora você esta querendo me jogar no inferno? Isso é justiça?
- Eu não te ordenei nada, meu filho. Eu te dei uma escolha. - Respondeu novamente Jesus, agora na forma de mendigo.
- Eu não entendo. Eu fiz o bem a minha família. Isso não é justo. Você queria que eu fizesse o que? Visse minha família sofrendo, enquanto eu ajudava outras pessoas as quais eu nem conheço? - Respondeu João, muito confuso com a situação.
- Meu filho, o caráter das pessoas não é medido pelo bem que elas fazem a quem elas conhecem, e sim pelo bem que elas fazem a quem elas não conhecem.
João abaixou a cabeça, e conformado, andou lentamente em direção à porta do inferno.
A beleza está nos olhos de quem vê
Ela pareceu patética quando apareceu, pela primeira vez depois de tanto tempo. Para falar a verdade, nem eu entendia o porquê dela aparecer, mas como sempre, ela vinha sem aviso, sem recados. E já chegava abalando as estruturas, balançando as morais. Fazia tanto tempo que ela não vinha que eu já tinha quase me esquecido de como ela era. Às vezes não pude escondê-la, e então meus pais as viu. Meu pai balançou sua cabeça, decepcionado, quase que dizendo “Esperava mais de você”. Minha mãe me olhou apreensiva, quase que querendo me pegar no colo novamente, me abraçar para me consolar de meu erro.
Quase sempre – não se esqueça, quase – tenho vergonha de quando ela aparece e tem alguém olhando. Sabe, era para ser algo íntimo entre nós dois, e então tem alguém olhando, me julgando. Ei, eu faço o que eu quero, e ninguém deveria me julgar pela chegada dela. Todo mundo já viu ela vindo uma vez na vida, não é novidade para ninguém.
Sabe, o mais estranho dela é que ela sempre aparece nas horas mais estranhas. Você está despercebido, vem um pensamento ou outro, uma memória ou imagem e baque: lá vem ela, de novo, quebrando todas as regras. E também tem o outro. Se por um motivo ou outro você quer que ela apareça, às vezes, ela simplesmente se esconde, fazendo você de bobo.
Outro lado: sabia que você pode julgar sua namorada, usando ela? Deixe-a aparecer quando você estiver sozinho com sua namorada. Se ela o olhar com nojo e sair, então ela realmente não gosta de você. Mas se ela lhe olhar com amor nos olhos e vir lhe dar carinho, essa sim é para casar!
Outra coisa que deveria confessar: por vezes, gosto de fazer-la aparecer, quase que por gosto, para me lembrar que estou vivo. Olho para ela, e satisfeito, e talvez um pouco envergonhado, digo: “Sim, ainda estou vivo!”
Se você for recatado, gentil e inocente, pense que esse texto fala de LÁGRIMAS.
Se você for pervertido, mente suja e nada inocente, pense que este texto fala de EREÇÃO.
A beleza está, justamente, nos olhos de quem vê. :)
Quase sempre – não se esqueça, quase – tenho vergonha de quando ela aparece e tem alguém olhando. Sabe, era para ser algo íntimo entre nós dois, e então tem alguém olhando, me julgando. Ei, eu faço o que eu quero, e ninguém deveria me julgar pela chegada dela. Todo mundo já viu ela vindo uma vez na vida, não é novidade para ninguém.
Sabe, o mais estranho dela é que ela sempre aparece nas horas mais estranhas. Você está despercebido, vem um pensamento ou outro, uma memória ou imagem e baque: lá vem ela, de novo, quebrando todas as regras. E também tem o outro. Se por um motivo ou outro você quer que ela apareça, às vezes, ela simplesmente se esconde, fazendo você de bobo.
Outro lado: sabia que você pode julgar sua namorada, usando ela? Deixe-a aparecer quando você estiver sozinho com sua namorada. Se ela o olhar com nojo e sair, então ela realmente não gosta de você. Mas se ela lhe olhar com amor nos olhos e vir lhe dar carinho, essa sim é para casar!
Outra coisa que deveria confessar: por vezes, gosto de fazer-la aparecer, quase que por gosto, para me lembrar que estou vivo. Olho para ela, e satisfeito, e talvez um pouco envergonhado, digo: “Sim, ainda estou vivo!”
Se você for recatado, gentil e inocente, pense que esse texto fala de LÁGRIMAS.
Se você for pervertido, mente suja e nada inocente, pense que este texto fala de EREÇÃO.
A beleza está, justamente, nos olhos de quem vê. :)
A resposta, jou, está no sopro do vento...
As ruínas por trás dos olhos passam a ser invisiveis a partir do ponto de partida da dor, do sofrimento, da perda, da saudade... e da vontade de gritar que sente saudade, mas não pode pois tem medo de que algo denuncie que ainda tem um sentimento no coração.
E então eu me pergunto se minhas palavras poderiam ter sido incovenientes, perturbadoras, indiscretas...
o negécio do mundo é como pisar em brasas e pisar em mármore. vez por vez.
só naum se esqueça que o céu vai estar sempre sobre sua cabeça, eu você pode alcança-lo pois nada te impede de fazer gracejos e floreios com a mente e as palavras.
testemunho de que existem coisas que marcam a vida de uma pessoas próxima e consequnetemente a sua propria...
sabe jou....
mulheres mortas não contam histórias...
homens tristes a escrevem.
acho que falo por todos que você lembrar agora, nesse momento:
estamos com você
E então eu me pergunto se minhas palavras poderiam ter sido incovenientes, perturbadoras, indiscretas...
o negécio do mundo é como pisar em brasas e pisar em mármore. vez por vez.
só naum se esqueça que o céu vai estar sempre sobre sua cabeça, eu você pode alcança-lo pois nada te impede de fazer gracejos e floreios com a mente e as palavras.
testemunho de que existem coisas que marcam a vida de uma pessoas próxima e consequnetemente a sua propria...
sabe jou....
mulheres mortas não contam histórias...
homens tristes a escrevem.
acho que falo por todos que você lembrar agora, nesse momento:
estamos com você
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Peroba Facts (Parte 2)
Devo explicações aos meus corajosos leitores por essa seqüência de posts, digamos, profundos e cinzentos. Bom, quando se escreve, quase que por regra geral, os sentimentos do escritor sempre ficarão gravados no texto. Sarcasmo, felicidade e por que não, tristeza. A tristeza está presente na vida de todos nós, às vezes em doses pequenas, às vezes em doses enormes, mas sempre presente. Mas bom, jogando essa nuvem cinzenta para bem longe, de volta para o trabalho!
Muitas vezes, fazemos coisas que não deveríamos fazer. Por exemplo: Roubar a namorada de nosso melhor amigo. Bom, se seu melhor amigo é campeão de jiu-jitsu isso é bem ruim. E se a namorada de seu melhor amigo for sua meia-irmã isso é pior ainda. (Este blog não apóia, de maneira alguma, o incesto, fora o caso de sua prima ser demasiadamente gostosa). E, às vezes, não fazemos coisas que deveríamos fazer, assim como respirar ou ganhar na mega-sena. Se bem que seria mais fácil eu viver sem respirar do que ganhar na mega-sena...
Mas algo que NUNCA deveremos fazer é entrar no caminho do Peroba. Então, já que assim como a justiça, eu tardo mas não falho, aqui vai mais "Peroba Facts"!
11- O material do qual é feito o fígado de Peroba é o único que pode arranhar um diamante.
12- Peroba dorme com um travesseiro embaixo da garrafa de cachaça.
13- Só existem duas coisas que podem realmente ferir o Peroba: água e engov.
14- Peroba toma combustível de avião no café-da-manhã. Ele gosta de começar o dia com alguma coisa leve.
15- Kratos (God of War) era o Deus da Paz antes de conhecer o Peroba.
16- Uma vez Peroba teve uma ressaca: atualmente conhecemos este fato como Hiroshima e Nagasaki.
17- Moisés abriu o mar vermelho. Peroba bebeu o mar vermelho.
18- Peroba pediu um MacLanche Feliz com Johnny Walker 12 anos no Bob’s. Foi prontamente atendido.
19- Vocês sabem por que os piratas bebem apenas rum? Porque o Peroba bebeu todo o estoque de outras bebidas deles. (Daí vem a lenda que Peroba não gosta de rum, e a superstição de colocar 2 litros de rum atrás da porta para se proteger Dele. Inutilidade, afirmo eu, inutilidade...)
20- Alguns consideram que o encontro de Chuck Norris, Jack Sparrow, Capitão Nascimento, Jack Bauer, Marcelo Dourado e Seu Madruga será o apocalipse. Peroba sabe que isso será apenas uma reunião de ex-alunos seus.
Muitas vezes, fazemos coisas que não deveríamos fazer. Por exemplo: Roubar a namorada de nosso melhor amigo. Bom, se seu melhor amigo é campeão de jiu-jitsu isso é bem ruim. E se a namorada de seu melhor amigo for sua meia-irmã isso é pior ainda. (Este blog não apóia, de maneira alguma, o incesto, fora o caso de sua prima ser demasiadamente gostosa). E, às vezes, não fazemos coisas que deveríamos fazer, assim como respirar ou ganhar na mega-sena. Se bem que seria mais fácil eu viver sem respirar do que ganhar na mega-sena...
Mas algo que NUNCA deveremos fazer é entrar no caminho do Peroba. Então, já que assim como a justiça, eu tardo mas não falho, aqui vai mais "Peroba Facts"!
11- O material do qual é feito o fígado de Peroba é o único que pode arranhar um diamante.
12- Peroba dorme com um travesseiro embaixo da garrafa de cachaça.
13- Só existem duas coisas que podem realmente ferir o Peroba: água e engov.
14- Peroba toma combustível de avião no café-da-manhã. Ele gosta de começar o dia com alguma coisa leve.
15- Kratos (God of War) era o Deus da Paz antes de conhecer o Peroba.
16- Uma vez Peroba teve uma ressaca: atualmente conhecemos este fato como Hiroshima e Nagasaki.
17- Moisés abriu o mar vermelho. Peroba bebeu o mar vermelho.
18- Peroba pediu um MacLanche Feliz com Johnny Walker 12 anos no Bob’s. Foi prontamente atendido.
19- Vocês sabem por que os piratas bebem apenas rum? Porque o Peroba bebeu todo o estoque de outras bebidas deles. (Daí vem a lenda que Peroba não gosta de rum, e a superstição de colocar 2 litros de rum atrás da porta para se proteger Dele. Inutilidade, afirmo eu, inutilidade...)
20- Alguns consideram que o encontro de Chuck Norris, Jack Sparrow, Capitão Nascimento, Jack Bauer, Marcelo Dourado e Seu Madruga será o apocalipse. Peroba sabe que isso será apenas uma reunião de ex-alunos seus.
sábado, 24 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
She broke your throne, she cut your hair
Eu não entendi muito bem o que aconteceu, mas não me importei; a compreensão é um privilégio que não me concedo. Mas fui forte o suficiente para entender o que perdi, tudo aquilo que foi embora. Foi só você quem eu perdi, mas já como você era meu tudo, pode-se considerar que sim, eu perdi tudo. Bom, perdi não é exatamente a palavra certa, já que você foi embora, por sua escolha. Não se pode perder algo que nunca foi seu.
Foi minha culpa, admito. Seria muita covardia minha dizer que a culpa foi sua. Quero dizer, qual é a sua culpa de eu te amar? Que culpa você tem se eu te amo? A tua culpa é não me amar de volta, este é o teu pecado. Mas já que você é uma pecadora, não posso dizer que isso é uma falha exclusivamente sua; amar é uma concessão.
A tristeza não veio; ela já estava dentro de mim. Bom, pelo menos a verdade, a nua e crua verdade, the ugly truth, veio à tona. Veio e derrubou tudo, quebrou todas as regras, fez todos de bobos. Mas, para ser sincero, não consigo admitir que menti, já que, diariamente, dizia um “Eu te amo”, e sempre o recebia, extasiado, de volta.
Então entra aqui a esperança. Como sempre, ela é o último suspiro, a última chance. Enquanto meu coração bater, ela baterá por ti. Te prometi que te amaria até o fim, e é isso que vou fazer; não quebro minhas promessas, não tão facilmente. Posso até ter ido embora, para o nunca mais. Você só voltará à minha vida com uma simples condição: me amar na mesma proporção que eu te amo. Mas só porque você não está aqui, não significa que você foi embora.
Quem sabe um dia eu acordo e percebo que tudo não passou de um sonho, então lhe encontro na cama do quarto ao lado, sorrindo, escolhendo se deve dormir ou se deve comer. Levo-lhe um café na cama, e você agradece de volta, com o teu mais simplesmente sorriso. Então você me beija, com juras, e eu vou ao céu; só então eu te abraço forte, e não te largo nunca mais.
Foi minha culpa, admito. Seria muita covardia minha dizer que a culpa foi sua. Quero dizer, qual é a sua culpa de eu te amar? Que culpa você tem se eu te amo? A tua culpa é não me amar de volta, este é o teu pecado. Mas já que você é uma pecadora, não posso dizer que isso é uma falha exclusivamente sua; amar é uma concessão.
A tristeza não veio; ela já estava dentro de mim. Bom, pelo menos a verdade, a nua e crua verdade, the ugly truth, veio à tona. Veio e derrubou tudo, quebrou todas as regras, fez todos de bobos. Mas, para ser sincero, não consigo admitir que menti, já que, diariamente, dizia um “Eu te amo”, e sempre o recebia, extasiado, de volta.
Então entra aqui a esperança. Como sempre, ela é o último suspiro, a última chance. Enquanto meu coração bater, ela baterá por ti. Te prometi que te amaria até o fim, e é isso que vou fazer; não quebro minhas promessas, não tão facilmente. Posso até ter ido embora, para o nunca mais. Você só voltará à minha vida com uma simples condição: me amar na mesma proporção que eu te amo. Mas só porque você não está aqui, não significa que você foi embora.
Quem sabe um dia eu acordo e percebo que tudo não passou de um sonho, então lhe encontro na cama do quarto ao lado, sorrindo, escolhendo se deve dormir ou se deve comer. Levo-lhe um café na cama, e você agradece de volta, com o teu mais simplesmente sorriso. Então você me beija, com juras, e eu vou ao céu; só então eu te abraço forte, e não te largo nunca mais.
Sem Ana, sem blues.
Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.
Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassia Kinski nua, pergunrando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.
Depois que Ana me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana - depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.
De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.
O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vodca, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vodca e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor do apartamento parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente de Ana, guardava prudente no bolso os óculos redondos de armação vermelhinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase toda a vodca, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo de Ana. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência - e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.
Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito - nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-semana, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim-Ana ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar Ana dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ana me deixou.
Mandei para a lavanderia os lençóis verde-clarinhos que ainda guardavam o cheiro de Ana - e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa -, mudei os móveis de lugar, comprei um Kutka e um Gregório, um forno microondas, fitas de vídeo, duas dúzias de copos de cristal, e comecei a trazer outras mulheres para casa. Mulheres que não eram Ana, mulheres que jamais poderiam ser Ana, mulheres que não tinham nem teriam nada a ver com Ana. Se Ana tinha os seios pequenos e duros, eu as escolhia pelos seios grandes e moles, se Ana tinha os cabelos quase louros, eu as trazia de cabelos pretos, se Ana tivesse a voz rouca eu a selecionava pelas vozes estridentes que gemiam coisas vulgares quando estávamos trepando, bem diversas das que Ana dizia ou não dizia, ela nunca dizia nada além de amor-amor ou meu-menino-querido, passando dos dedos da mão direita na minha nuca e os dedos da mão esquerda pelas minhas costas. Vieram Gina, a das calcinhas pretas, e Lilian, a dos olhos verdes frios, e Beth, das coxas grossas e pés gelados, e Marilene, que fumava demais e tinha um filho, e Mariko, a nissei que queria ser loura, e também Marta, Luiza, Creuza, Júlia, Débora, Vivian, Paula, Teresa, Luciana, Solange, Maristela, Adriana, Vera, Silvia, Neusa, Denise, Karina, Cristina, Marcia, Nadir, Aline e mais de 15 Marias, e uma por uma das garotas ousadas da Rua Augusta, com suas botinhas brancas e minissaia de couro, e destas moças que anunciam especialidades nos jornais. Eu acho que já vim aqui uma vez, alguma dizia, e eu falava não lembro, pode ser, esperando que tirasse a roupa enquanto eu bebia um pouco mais para depois tentar entrar nela, mas meu pau quase nunca obedecia, então eu afundava a cabeça nos seus peitos e choramingava babando sabe, depois que Ana me deixou eu nunca mais, e mesmo quando meu pau finalmente endurecia, depois que eu conseguia gozar seco ardido dentro dela, me enxugar com alguma toalha e expulsá-la com um cheque cinco estrelas, sem cruzar ¿ então eu me jogava de bruços na cama e pedia perdão à Ana por traí-la assim, com aquelas vagabundas. Trair Ana, que me abandonara, doía mais que ela ter me abandonado, sem se importar que eu naufragasse toda noite no enorme corredor de transatlântico daquele apartamento em plena tempestade, sem salva-vidas.
Depois que Ana me deixou, muitos meses depois, veio o ciclo das anunciações, do I Ching, dos búzios, cartas de Tarot, pêndulos, vidências, números e axés ¿ ela volta, garantiam, mas ela não voltava - e veio então o ciclo das terapias de grupo, dos psicodramas, dos sonhos junguianos, workshops transacionais, e veio ainda o ciclo da humildade, com promessas à Santo Antônio, velas de sete dias, novenas de Santa Rita, donativos para as pobres criancinhas e velhinhos desamparados, e veio depois o ciclo do novo corte de cabelos, da outra armação para os óculos, guarda-roupa mais jovem, Zoomp, Mister Wonderful, musculação, alongamento, yoga, natação, tai-chi, halteres, cooper, e fui ficando tão bonito e renovado e superado e liberado e esquecido dos tempos em que Ana ainda não tinha me deixado que permiti, então, que viesse também o ciclo dos fins de semana em Búzios, Guarajá ou Monte Verde e de repente quem sabe Carla, mulher de Vicente, tão compreensiva e madura, inesperadamente, Mariana, irmã de Vicente, transponível e natural em seu fio dental metálico, por que não, afinal, o próprio Vicente, tão solícito na maneira como colocava pedras de gelo no meu escocês ou batia outra generosa carreira sobre a pedra de ágata, encostando levemente sua musculosa coxa queimada de sol e o windsurf na minha musculosa coxa também queimada de sol e windsurf. Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi se tornando ao poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana. Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de mulheres e homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser lindo, depois de todos os exercícios para esquecer Ana, e também posso ser sedutor com aquele charme todo especial de homem-quase-maduro-que-já-foi-marcado-por-um-grande-amor-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém de Ana. Nunca ninguém soube de Ana em minha vida. Nunca dividi Ana com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que Ana me deixou.
Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego do trabalho por volta das oito horas da noite e, no horário de verão, pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos por trás dos edifícios de Pinheiros, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento - aquele. Como se quando Ana me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parado no meio da sala do apartamento que era o nosso, com o último bilhete dela nas mãos. A gravata levemente afrouxada no pescoço, fazia e faz tanto calor que sinto o suor escorrer pelo corpo todo, descer pelo peito, pelos braços, até chegar aos pulsos e escorregar pela palma das mãos que seguram o último bilhete de Ana, dissolvendo a tinta das letras com que ela compôs palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem Ana, vá em frente. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que Ana me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-la, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas.
Caio Fernando Abreu
Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassia Kinski nua, pergunrando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.
Depois que Ana me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana - depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe.
De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo da boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.
O que começou a acontecer, no meio daquele ciclo do gosto de vodca, lágrima e café, foi mesmo o gosto de vômito na minha boca. Porque no meio daquele momento entre a vodca e a lágrima, em que me arrastava da sala para o quarto, acontecia às vezes de o pequeno corredor do apartamento parecer enorme como o de um transatlântico em plena tempestade. Entre a sala e o quarto, em plena tempestade, oscilando no interior do transatlântico, eu não conseguia evitar de parar à porta do banheiro, no pequeno corredor que parecia enorme. Eu me ajoelhava com cuidado no chão, me abraçava na privada de louça amarela com muito cuidado, com tanto cuidado como se abraçasse o corpo ainda presente de Ana, guardava prudente no bolso os óculos redondos de armação vermelhinha, enfiava devagar a ponta do dedo indicador cada vez mais fundo na garganta, até que quase toda a vodca, junto com uns restos de sanduíches que comera durante o dia, porque não conseguia engolir quase mais nada, naqueles dias, e o gosto dos muitos cigarros se derramassem misturados pela boca dentro do vaso de louça amarela que não era o corpo de Ana. Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um santo que Deus largou em plena penitência - e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.
Um pouco depois desses dias que não consigo recordar direito - nem como foram, nem quantos foram, porque deles só ficou aquele gosto de vômito, misturados, no final daquela fase, ao gosto das pizzas, que costumava perdir por telefone, principalmente nos fins-de-semana, e que amanheciam abandonadas na mesa da sala aos sábados, domingos e segundas, entre cinzeiros cheios e guardanapos onde eu não conseguia decifrar as frases que escrevera na noite anterior, e provavelmente diziam banalidades, como volta-para-mim-Ana ou eu-não-consigo-viver-sem-você, palavras meio derretidas pelas manchas do vinho, pela gordura das pizzas -, depois daqueles dias começou o tempo em que eu queria matar Ana dentro de tudo aquilo que era eu, e que incluía aquela cama, aquele quarto, aquela sala, aquela mesa, aquele apartamento, aquela vida que tinha se tornado a minha depois que Ana me deixou.
Mandei para a lavanderia os lençóis verde-clarinhos que ainda guardavam o cheiro de Ana - e seria cruel demais para mim lembrar agora que cheiro era esse, aquele, bem na curva onde o pescoço se transforma em ombro, um lugar onde o cheiro de nenhuma pessoa é igual ao cheiro de outra pessoa -, mudei os móveis de lugar, comprei um Kutka e um Gregório, um forno microondas, fitas de vídeo, duas dúzias de copos de cristal, e comecei a trazer outras mulheres para casa. Mulheres que não eram Ana, mulheres que jamais poderiam ser Ana, mulheres que não tinham nem teriam nada a ver com Ana. Se Ana tinha os seios pequenos e duros, eu as escolhia pelos seios grandes e moles, se Ana tinha os cabelos quase louros, eu as trazia de cabelos pretos, se Ana tivesse a voz rouca eu a selecionava pelas vozes estridentes que gemiam coisas vulgares quando estávamos trepando, bem diversas das que Ana dizia ou não dizia, ela nunca dizia nada além de amor-amor ou meu-menino-querido, passando dos dedos da mão direita na minha nuca e os dedos da mão esquerda pelas minhas costas. Vieram Gina, a das calcinhas pretas, e Lilian, a dos olhos verdes frios, e Beth, das coxas grossas e pés gelados, e Marilene, que fumava demais e tinha um filho, e Mariko, a nissei que queria ser loura, e também Marta, Luiza, Creuza, Júlia, Débora, Vivian, Paula, Teresa, Luciana, Solange, Maristela, Adriana, Vera, Silvia, Neusa, Denise, Karina, Cristina, Marcia, Nadir, Aline e mais de 15 Marias, e uma por uma das garotas ousadas da Rua Augusta, com suas botinhas brancas e minissaia de couro, e destas moças que anunciam especialidades nos jornais. Eu acho que já vim aqui uma vez, alguma dizia, e eu falava não lembro, pode ser, esperando que tirasse a roupa enquanto eu bebia um pouco mais para depois tentar entrar nela, mas meu pau quase nunca obedecia, então eu afundava a cabeça nos seus peitos e choramingava babando sabe, depois que Ana me deixou eu nunca mais, e mesmo quando meu pau finalmente endurecia, depois que eu conseguia gozar seco ardido dentro dela, me enxugar com alguma toalha e expulsá-la com um cheque cinco estrelas, sem cruzar ¿ então eu me jogava de bruços na cama e pedia perdão à Ana por traí-la assim, com aquelas vagabundas. Trair Ana, que me abandonara, doía mais que ela ter me abandonado, sem se importar que eu naufragasse toda noite no enorme corredor de transatlântico daquele apartamento em plena tempestade, sem salva-vidas.
Depois que Ana me deixou, muitos meses depois, veio o ciclo das anunciações, do I Ching, dos búzios, cartas de Tarot, pêndulos, vidências, números e axés ¿ ela volta, garantiam, mas ela não voltava - e veio então o ciclo das terapias de grupo, dos psicodramas, dos sonhos junguianos, workshops transacionais, e veio ainda o ciclo da humildade, com promessas à Santo Antônio, velas de sete dias, novenas de Santa Rita, donativos para as pobres criancinhas e velhinhos desamparados, e veio depois o ciclo do novo corte de cabelos, da outra armação para os óculos, guarda-roupa mais jovem, Zoomp, Mister Wonderful, musculação, alongamento, yoga, natação, tai-chi, halteres, cooper, e fui ficando tão bonito e renovado e superado e liberado e esquecido dos tempos em que Ana ainda não tinha me deixado que permiti, então, que viesse também o ciclo dos fins de semana em Búzios, Guarajá ou Monte Verde e de repente quem sabe Carla, mulher de Vicente, tão compreensiva e madura, inesperadamente, Mariana, irmã de Vicente, transponível e natural em seu fio dental metálico, por que não, afinal, o próprio Vicente, tão solícito na maneira como colocava pedras de gelo no meu escocês ou batia outra generosa carreira sobre a pedra de ágata, encostando levemente sua musculosa coxa queimada de sol e o windsurf na minha musculosa coxa também queimada de sol e windsurf. Passou-se tanto tempo depois que Ana me deixou, e eu sobrevivi, que o mundo foi se tornando ao poucos um enorme leque escancarado de mil possibilidades além de Ana. Ah esse mundo de agora, assim tão cheio de mulheres e homens lindos e sedutores interessantes e interessados em mim, que aprendi o jeito de também ser lindo, depois de todos os exercícios para esquecer Ana, e também posso ser sedutor com aquele charme todo especial de homem-quase-maduro-que-já-foi-marcado-por-um-grande-amor-perdido, embora tenha a delicadeza de jamais tocar no assunto. Porque nunca contei à ninguém de Ana. Nunca ninguém soube de Ana em minha vida. Nunca dividi Ana com ninguém. Nunca ninguém jamais soube de tudo isso ou aquilo que aconteceu quando e depois que Ana me deixou.
Por todas essas coisas, talvez, é que nestas noites de hoje, tanto tempo depois, quando chego do trabalho por volta das oito horas da noite e, no horário de verão, pela janela da sala do apartamento ainda é possível ver restos de dourados e vermelhos por trás dos edifícios de Pinheiros, enquanto recolho os inúmeros recados, convites e propostas da secretária eletrônica, sempre tenho a estranha sensação, embora tudo tenha mudado e eu esteja muito bem agora, de que este dia ainda continua o mesmo, como um relógio enguiçado preso no mesmo momento - aquele. Como se quando Ana me deixou não houvesse depois, e eu permanecesse até hoje aqui parado no meio da sala do apartamento que era o nosso, com o último bilhete dela nas mãos. A gravata levemente afrouxada no pescoço, fazia e faz tanto calor que sinto o suor escorrer pelo corpo todo, descer pelo peito, pelos braços, até chegar aos pulsos e escorregar pela palma das mãos que seguram o último bilhete de Ana, dissolvendo a tinta das letras com que ela compôs palavras que se apagam aos poucos, lavadas pelo suor, mas que não consigo esquecer, por mais que o tempo passe e eu, de qualquer jeito e sem Ana, vá em frente. Palavras que dizem coisas duras, secas, simples, arrevogáveis. Que Ana me deixou, que não vai voltar nunca, que é inútil tentar encontrá-la, e finalmente, por mais que eu me debata, que isso é para sempre. Para sempre então, agora, me sinto uma bolha opaca de sabão, suspensa ali no centro da sala do apartamento, à espera de que entre um vento súbito pela janela aberta para levá-la dali, essa bolha estúpida, ou que alguém espete nela um alfinete, para que de repente estoure nesse ar azulado que mais parece o interior de um aquário, e desapareça sem deixar marcas.
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 15 de abril de 2010
The song remains the same
Às vezes me pergunto o quanto errado eu estou. O quão longe das fronteiras eu fui, quantos limites eu passei, quantas regras quebrei. A resposta que vem da minha consciência interior, aquela que gosta de me derrubar, e é sempre a mesma: mais do que deveria, meu caro, muito mais do que deveria. Só então percebo todas as coisas ruins que fiz, todas as lágrimas que provoquei. Por mais errado que isso parece, eu não me arrependo; eu só... eu só me sinto errado. Só me sinto cada vez menos eu. Cada vez que peco – pois sim, sou um pecador que não crê em pecados – perco um pequeno pedaço da minha humanidade, um pedaço que não volta mais. Mas, no final das contas, o que há de bom em ser tão humanizado? Se descobrirem, por favor, me avisem, pois desejo muito saber. Quero saber por que todos lutam até o fim para se manterem normais, humanos. Por que nunca desistem de se manterem tão normais. Eu nunca fui normal, e nem tive que lutar para isso.
Certa vez, a mesma pessoa que escreve isso, escreveu: “A última a restar, soube eu, é a esperança”. Estamos todos dispostos a acreditar àquilo que gostaríamos de acreditar. Naquele momento, quem escreve isto estava pronto, preparado para acreditar que ainda restava esperança. Agora sei que ela já foi embora, me deixando com a pior pessoa do mundo; eu mesmo. Tiro, como injusta conclusão, que a canção continua a mesma. Talvez a música nunca tenha mudado. Talvez...
Desculpem-me por lhes fazer ler algo tão escuro, sombrio. Todos procuram felicidade, num texto ou num abraço. Mas eu realmente não posso estar feliz sempre, e não a possuindo, não posso compartilhá-la. Perdoem-me por lhes informar isto, mas o mundo não é apenas colorido, ensolarado e alegre; é proporcionalmente cinzento, obscuro e triste. Cabe a nós escolher o lado que queremos viver. Mas mesmo vivendo em um, não podemos simplesmente ignorar a existência do outro.
Outro fator que insisto em ignorar: a fé. Não consigo ser crente, simplesmente não consigo. Fé não é algo que se adquire prontamente, como um produto em uma loja qualquer; é obtido através do tempo, como uma semente a ser regada diariamente. E como seria bom se eu tivesse fé! Como seria maravilhoso se eu simplesmente pudesse acreditar, sem questionar! Acreditar sem saber o porquê, sem imaginar o que há por trás. Acreditar, simplesmente acreditar, por fé. E cá estou eu sonhando acordado novamente. Não, meu caro, você não tem fé, aprenda a viver com isso.
Já fui longe demais. Já cheguei aonde deveria – insisto em reafirmar que nosso “dever” está muito longe de nosso “querer”. Cuide das fronteiras de sua razão, pois elas foram feitas – feitas justamente por você – para lhe proteger de ti mesmo. Elas não têm guardas, nem placas, nem avisos; você pode tropeçar nelas, olhar para trás, e só então perceber, tarde demais: é um caminho sem volta.
Certa vez, a mesma pessoa que escreve isso, escreveu: “A última a restar, soube eu, é a esperança”. Estamos todos dispostos a acreditar àquilo que gostaríamos de acreditar. Naquele momento, quem escreve isto estava pronto, preparado para acreditar que ainda restava esperança. Agora sei que ela já foi embora, me deixando com a pior pessoa do mundo; eu mesmo. Tiro, como injusta conclusão, que a canção continua a mesma. Talvez a música nunca tenha mudado. Talvez...
Desculpem-me por lhes fazer ler algo tão escuro, sombrio. Todos procuram felicidade, num texto ou num abraço. Mas eu realmente não posso estar feliz sempre, e não a possuindo, não posso compartilhá-la. Perdoem-me por lhes informar isto, mas o mundo não é apenas colorido, ensolarado e alegre; é proporcionalmente cinzento, obscuro e triste. Cabe a nós escolher o lado que queremos viver. Mas mesmo vivendo em um, não podemos simplesmente ignorar a existência do outro.
Outro fator que insisto em ignorar: a fé. Não consigo ser crente, simplesmente não consigo. Fé não é algo que se adquire prontamente, como um produto em uma loja qualquer; é obtido através do tempo, como uma semente a ser regada diariamente. E como seria bom se eu tivesse fé! Como seria maravilhoso se eu simplesmente pudesse acreditar, sem questionar! Acreditar sem saber o porquê, sem imaginar o que há por trás. Acreditar, simplesmente acreditar, por fé. E cá estou eu sonhando acordado novamente. Não, meu caro, você não tem fé, aprenda a viver com isso.
Já fui longe demais. Já cheguei aonde deveria – insisto em reafirmar que nosso “dever” está muito longe de nosso “querer”. Cuide das fronteiras de sua razão, pois elas foram feitas – feitas justamente por você – para lhe proteger de ti mesmo. Elas não têm guardas, nem placas, nem avisos; você pode tropeçar nelas, olhar para trás, e só então perceber, tarde demais: é um caminho sem volta.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
33T1
Este é o primeiro post em que falarei de uma das partes mais insanas da minha vida; a minha turma. Mais conhecida como 33T1, tem mais lendas que um espartano, é mais falada que vida de ex-BBB, é mais conhecida que calcinha - ou a falta desta - em mulher famosa.
Então, é óbvio, surgiu um livro da turma. Idealizado e criado por duas mentes - a brilhante mente de Alessandro "Sequela" e a pertubada mente de Jou, que por acaso sou eu - este livro certamente virará uma nova biblía para as próximas turmas que desejaram serem tão odiada e amalucada quanto a nossa.
Postarei, agora, alguns dos "Peroba Facts", idealizados e criados pela incoerente mente de Alessandro "Sequela" em conjunto com a minha.
Há muito tempo atrás, em uma longínqua cidade irlandesa, surge uma lenda – lendas que nascem são lendas sobre vampiros gays – chamada Peroba. Ninguém sabe, e certamente ninguém jamais saberá, o verdadeiro nome desta criatura, mas todos o conhecem por apenas “Peroba”. Em algumas cidades, é proibido mencionar e sequer pensar neste nome, em tamanho medo, sob pena de depilação em praça pública. Dizem que Ele surgiu nos pubs irlandeses (não seriam ingleses?) quebrando todos os recordes de ingestão de cerveja. Certa vez bebeu tanta cerveja que o nível do mar europeu subiu 15,6 cm após Peroba ir ao banheiro. Então seu nome logo se espalhou através do mundo, causando medo aos puritanos e admiração aos bebuns, trazendo a discórdia – e o álcool – por onde quer que passe. Fiz, em conjunto com um corajoso amigo, uma árdua e dolorosa pesquisa sobre este monstro que habita nosso mundo.
The Peroba Facts – Part 1
1-Peroba não fica bêbado; a bebida fica Peroba.
2-Certa vez uma inconseqüente cobra mordeu Peroba; a cobra morreu de cirrose horas depois.
3-Uma vez em uma festa, Peroba não quis esperar a fila do banheiro – ele não precisa esperar, ele é o Peroba – e se aliviou em uma garrafa. Então um distraído rapaz bebeu todo o líquido, gostou tanto que colocou um rótulo e começou a vender; hoje chamados isso de absinto
4-O vômito do Peroba é mais radioativo que quatro Chernobyls juntas.
5-70% do corpo do corpo de uma pessoa normal é constituído por água. 70% do corpo de Peroba é constituído por álcool.
6-É impossível o Peroba fazer exame de sangue; mesmo se uma agulha conseguisse ultrapassar sua indestrutível crosta, seria mais do que impossível achar alguma gota de sangue em sua corrente alcoólica.
7-Ao contrário do que muitos pensam, o Peroba só bebe em dois dias: no hoje e no amanhã
8-Peroba faz, em média, 23,7 km por litro de álcool.
9-Certa vez, Peroba bebeu duas garrafas de vodka. Não houveram sobreviventes.
10- Maria, a mãe de Jesus Cristo, só era virgem porque nunca conheceu o Peroba.
To be continue...
By Alessandro “Sequela” e Jou.
Então, é óbvio, surgiu um livro da turma. Idealizado e criado por duas mentes - a brilhante mente de Alessandro "Sequela" e a pertubada mente de Jou, que por acaso sou eu - este livro certamente virará uma nova biblía para as próximas turmas que desejaram serem tão odiada e amalucada quanto a nossa.
Postarei, agora, alguns dos "Peroba Facts", idealizados e criados pela incoerente mente de Alessandro "Sequela" em conjunto com a minha.
Há muito tempo atrás, em uma longínqua cidade irlandesa, surge uma lenda – lendas que nascem são lendas sobre vampiros gays – chamada Peroba. Ninguém sabe, e certamente ninguém jamais saberá, o verdadeiro nome desta criatura, mas todos o conhecem por apenas “Peroba”. Em algumas cidades, é proibido mencionar e sequer pensar neste nome, em tamanho medo, sob pena de depilação em praça pública. Dizem que Ele surgiu nos pubs irlandeses (não seriam ingleses?) quebrando todos os recordes de ingestão de cerveja. Certa vez bebeu tanta cerveja que o nível do mar europeu subiu 15,6 cm após Peroba ir ao banheiro. Então seu nome logo se espalhou através do mundo, causando medo aos puritanos e admiração aos bebuns, trazendo a discórdia – e o álcool – por onde quer que passe. Fiz, em conjunto com um corajoso amigo, uma árdua e dolorosa pesquisa sobre este monstro que habita nosso mundo.
The Peroba Facts – Part 1
1-Peroba não fica bêbado; a bebida fica Peroba.
2-Certa vez uma inconseqüente cobra mordeu Peroba; a cobra morreu de cirrose horas depois.
3-Uma vez em uma festa, Peroba não quis esperar a fila do banheiro – ele não precisa esperar, ele é o Peroba – e se aliviou em uma garrafa. Então um distraído rapaz bebeu todo o líquido, gostou tanto que colocou um rótulo e começou a vender; hoje chamados isso de absinto
4-O vômito do Peroba é mais radioativo que quatro Chernobyls juntas.
5-70% do corpo do corpo de uma pessoa normal é constituído por água. 70% do corpo de Peroba é constituído por álcool.
6-É impossível o Peroba fazer exame de sangue; mesmo se uma agulha conseguisse ultrapassar sua indestrutível crosta, seria mais do que impossível achar alguma gota de sangue em sua corrente alcoólica.
7-Ao contrário do que muitos pensam, o Peroba só bebe em dois dias: no hoje e no amanhã
8-Peroba faz, em média, 23,7 km por litro de álcool.
9-Certa vez, Peroba bebeu duas garrafas de vodka. Não houveram sobreviventes.
10- Maria, a mãe de Jesus Cristo, só era virgem porque nunca conheceu o Peroba.
To be continue...
By Alessandro “Sequela” e Jou.
My mind raced, and I thought, what could I do?
Fiz aquilo que deveria fazer, te amei do jeito que deveria de amar, do único jeito que posso: da minha maneira. Minha desajeitada e patética maneira, mas sempre foi tudo que tinha para oferecer. E você sempre o retribui, de bom grado. Me viciou em algo que não posso esquecer, algo que não pode ser simplesmente apagado; me viciou em teu amor. Meu nutriu sem fim, encheu minha alma de você, me acostumou com teu toque, me apaixonou pela tua voz. Mas você, é claro, tinha que ir. E você foi, me deixou só, restando-me justamente a tua falta, o teu vazio. Eu, literalmente, desaprendi a viver sem você.
Como fênix, não tive escolha; tive que ressurgir através das cinzas. Tive que reaprender a viver sem tua presença, sem teus recados, nossos segredos, nossas risadas. Ainda tenho muito que aprender. Às vezes me pego pensando em certo momento, me pego relembrando tal ato. E desabo, caio aonde jamais deveria ter saído. Por tua culpa, exclusivamente tua culpa, quebro minhas regras, desarmo minhas próprias armas. Armas que eu mesmo apontei para mim no instante que escolhi – e eu tive escolha? – de te amar. Por que você tinha que ir, por que você teve que ir?
Me sobrou apenas uma coisa, a lembrança dos nossos mais dourados dias. A memória de tudo aquilo que passou, de tudo aquilo que vivemos juntos. Juntos, apenas eu e você. E o vazio que em mim habita, certamente rindo de meu fracasso, consome o que ainda restou de mim, só esperando eu voltar das cinzas para lá me jogar de novo.
Me perguntaram se eu tinha esperança. É claro que não tenho, pois esperança é para aqueles que têm fé, e a minha já perdi a muitas esquinas atrás. Sou um pecador num mundo sem pecados, um covarde num mundo de corajosos; perdido num mundo em que não dá para entrar. Você está saindo da minha vida, e parece que vai demorar. E só eu sei o quanto.
Lutar para te esquecer é inútil, te esquecer sem lutar é improvável. Tão improvável quanto você voltar para a minha já esquecida vida. Mas não volte, nunca mais. Não posso te perder novamente, nem que para isso eu tenha que te ganhar. Te perder é um preço alto demais, um preço que não estou disposto – e nem poderia – pagar novamente. Então não volte. Só se lembre, e chore uma lágrima por mim, porque todas as minhas já ofereci à você. Se lembre e sorria, sorria todos aqueles sorrisos que você tirou de mim. Se lembre do quanto e por que você me amou, e só então perceba o quanto você errou.
Como fênix, não tive escolha; tive que ressurgir através das cinzas. Tive que reaprender a viver sem tua presença, sem teus recados, nossos segredos, nossas risadas. Ainda tenho muito que aprender. Às vezes me pego pensando em certo momento, me pego relembrando tal ato. E desabo, caio aonde jamais deveria ter saído. Por tua culpa, exclusivamente tua culpa, quebro minhas regras, desarmo minhas próprias armas. Armas que eu mesmo apontei para mim no instante que escolhi – e eu tive escolha? – de te amar. Por que você tinha que ir, por que você teve que ir?
Me sobrou apenas uma coisa, a lembrança dos nossos mais dourados dias. A memória de tudo aquilo que passou, de tudo aquilo que vivemos juntos. Juntos, apenas eu e você. E o vazio que em mim habita, certamente rindo de meu fracasso, consome o que ainda restou de mim, só esperando eu voltar das cinzas para lá me jogar de novo.
Me perguntaram se eu tinha esperança. É claro que não tenho, pois esperança é para aqueles que têm fé, e a minha já perdi a muitas esquinas atrás. Sou um pecador num mundo sem pecados, um covarde num mundo de corajosos; perdido num mundo em que não dá para entrar. Você está saindo da minha vida, e parece que vai demorar. E só eu sei o quanto.
Lutar para te esquecer é inútil, te esquecer sem lutar é improvável. Tão improvável quanto você voltar para a minha já esquecida vida. Mas não volte, nunca mais. Não posso te perder novamente, nem que para isso eu tenha que te ganhar. Te perder é um preço alto demais, um preço que não estou disposto – e nem poderia – pagar novamente. Então não volte. Só se lembre, e chore uma lágrima por mim, porque todas as minhas já ofereci à você. Se lembre e sorria, sorria todos aqueles sorrisos que você tirou de mim. Se lembre do quanto e por que você me amou, e só então perceba o quanto você errou.
terça-feira, 13 de abril de 2010
A bela história da bela Bella.
Peço sinceras desculpas aos meus leitores por essas “férias” involuntária de meu blog. Realmente não tive tempo hábil e nem mente limpa para escrever nos últimos dias. Escrever não é uma arte exata, e se executada de forma errada, só cria uma coisa: lixo. Mas cá estou eu de novo, e pretendo manter a minha heróica meta de, ao menos, um post diário.
Hoje é o dia do beijo! Não, meu caro, beijo não foi aquilo que você fez com a tua prima anos atrás, está mais pra aquilo que teu melhor amigo fez com sua mãe noite passada... Todas as formas de demonstração de afeto são indispensáveis em nossas vidas, mas os beijos realmente têm “aquele” algo a mais. Coração bate mais forte, todo o corpo em êxtase... Mágico. Venho então, neste espaço concedido de eu para mim mesmo, para desinformá-los de como essa estória de dia do beijo começou.
“Há muito tempo atrás, em uma cinzenta cidadela chamada Croatoan, havia um pálido – aqui a palavra “pálido” sendo usada para dizer que ele branco, mais branco que ateu encontrando O Criador, mais branco que um urso polar, no meio de uma nevasca, dentro do quarto branco do BBB – chamado Pink. Pink não possuía esse nome porquê seus pais gostavam de rosa ou queriam dominar o mundo em conjunto com o Cérebro, mas sim pois ele foi concebido – palavra que aqui significa que seu papai e sua mamãe “chamaram a cegonha” da forma mais selvagem e animalesca possível – durante um show do Pink Floyd.
Voltando a nosso pequeno conto, Pink era muito solitário. Tão solitário que envia flores para si mesmo em seu aniversário. Tão sozinho que jogava pôquer consigo mesmo, e sempre perdia. Tão solitário que, na única vez que gostou de alguém, se soqueou e prendeu a respiração ouvindo rebolation até parar de gostar. Mas tudo isso mudou no dia em que Pink conheceu a bela – aqui a palavra bela significa que ela mais bonita que a TUA namorada – Bella. Ela era tão linda fez Narciso morrer de inveja. Tão bonita que os espelhos não refletiam sua imagem; jamais conseguiram traduzir tamanha beleza. Tão perfeita que, cheio de inveja, Deus a fez se apaixonar por Pink. Mas este não se importava com ela, e nem com mais ninguém fora ele.
Bella, cheia de amores pelo cara mais estranho da cidade, teve uma idéia: num chuvoso 13 de Abril, criou o dia do beijo, para então poder fisgar – não fisgar como um peixe, seu mané – o tão incobiçado Pink. Como, sabiamente, certa vez uma amiga – uma amiga da qual jamais sentirei o doce perfume novamente – me disse: “ Melhor que uma festa para rolar uns amassos, só uma padaria mesmo.” Bella conseguiu o impossível: fez o esquisito Pink se apaixonar. Só então o mais incomum casal do mundo se beijou e... Bella viu como ele beija mal e ele percebeu que, na verdade, estava era apaixonado pelo irmão de Bella. Ambos deram sorrisos amarelos, foram para direções opostas e nunca mais se viram."
Moral da estória: Jamais seja uma Bella tão bela que desperte a inveja divina, e jamais se apaixone por um indivíduo chamado Pink; alguém com este nome não merece confiança.
Espero, with all due respect, ter feito sua vida menos informada e mais confusa :-)
Hoje é o dia do beijo! Não, meu caro, beijo não foi aquilo que você fez com a tua prima anos atrás, está mais pra aquilo que teu melhor amigo fez com sua mãe noite passada... Todas as formas de demonstração de afeto são indispensáveis em nossas vidas, mas os beijos realmente têm “aquele” algo a mais. Coração bate mais forte, todo o corpo em êxtase... Mágico. Venho então, neste espaço concedido de eu para mim mesmo, para desinformá-los de como essa estória de dia do beijo começou.
“Há muito tempo atrás, em uma cinzenta cidadela chamada Croatoan, havia um pálido – aqui a palavra “pálido” sendo usada para dizer que ele branco, mais branco que ateu encontrando O Criador, mais branco que um urso polar, no meio de uma nevasca, dentro do quarto branco do BBB – chamado Pink. Pink não possuía esse nome porquê seus pais gostavam de rosa ou queriam dominar o mundo em conjunto com o Cérebro, mas sim pois ele foi concebido – palavra que aqui significa que seu papai e sua mamãe “chamaram a cegonha” da forma mais selvagem e animalesca possível – durante um show do Pink Floyd.
Voltando a nosso pequeno conto, Pink era muito solitário. Tão solitário que envia flores para si mesmo em seu aniversário. Tão sozinho que jogava pôquer consigo mesmo, e sempre perdia. Tão solitário que, na única vez que gostou de alguém, se soqueou e prendeu a respiração ouvindo rebolation até parar de gostar. Mas tudo isso mudou no dia em que Pink conheceu a bela – aqui a palavra bela significa que ela mais bonita que a TUA namorada – Bella. Ela era tão linda fez Narciso morrer de inveja. Tão bonita que os espelhos não refletiam sua imagem; jamais conseguiram traduzir tamanha beleza. Tão perfeita que, cheio de inveja, Deus a fez se apaixonar por Pink. Mas este não se importava com ela, e nem com mais ninguém fora ele.
Bella, cheia de amores pelo cara mais estranho da cidade, teve uma idéia: num chuvoso 13 de Abril, criou o dia do beijo, para então poder fisgar – não fisgar como um peixe, seu mané – o tão incobiçado Pink. Como, sabiamente, certa vez uma amiga – uma amiga da qual jamais sentirei o doce perfume novamente – me disse: “ Melhor que uma festa para rolar uns amassos, só uma padaria mesmo.” Bella conseguiu o impossível: fez o esquisito Pink se apaixonar. Só então o mais incomum casal do mundo se beijou e... Bella viu como ele beija mal e ele percebeu que, na verdade, estava era apaixonado pelo irmão de Bella. Ambos deram sorrisos amarelos, foram para direções opostas e nunca mais se viram."
Moral da estória: Jamais seja uma Bella tão bela que desperte a inveja divina, e jamais se apaixone por um indivíduo chamado Pink; alguém com este nome não merece confiança.
Espero, with all due respect, ter feito sua vida menos informada e mais confusa :-)
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Uma pessoa boa com problemas ruins, não vice-versa
Sou jovem, bastante jovem. Não jovem o bastante para entrar em ônibus sem pagar, nem para minhas tias apertarem minhas bochechas. Mas nem tão velho a ponto de poder dirigir e, consequentemente, não possuo idade suficiente para ser preso.
Mas não faço este humilde post para falar de mim, e sim para dizer, ou melhor, para escrever, algo que eu gostaria – e como – de ter compreendido mais novo. Coisas que talvez tivessem me poupado de sofrimento. OK, sei que se conselho fosse bom já estaria para vender na Wal-Mart e/ou na Bolsa de Ações, mas ao menos tente, e se gostar, depositem uma grana na minha negativa conta bancária.
10 COISAS QUE FORAM SURPREENDENTEMENTE DIFÍCIES DE APRENDER.
1- Não confie totalmente em ninguém (aqui a palavra ninguém se refere ao seu melhor amigo, pior inimigo, mãe, mendigo da rua e certamente VOCÊ). Ninguém, absolutamente ninguém é totalmente confiável.
2- São realmente raros os verdadeiros amigos. Você passará sua vida toda rodeado de pessoas – a não ser que você more na Groenlândia ou possua um hálito muito ruim – e grande parte destas não vão dar a mínima para você. (Reler o post “Don’t hate the player, hate the game”)
3- Então, não perca seu tempo com essas pessoas! Só se importe para as raras criaturas que gostam de você, como seu hamster tailandês, seus verdadeiros amigos, sua mãe e talvez aquele árvore de seu quintal.
4- Não se leve tão a sério! Quebre as regras, peque, faça o que quiser fazer. Só nunca leve um panda de pelúcia para a sala de aula, por favor.
5- Viver sozinho é impossível! Mesmo todas as pessoas sendo cretinas (aqui a palavra cretina é usada para dizer que alguém é um cretino mesmo) com você, você precisará delas. Como uma vez me disse uma velha amiga – uma amiga a qual nunca mais verei o sorriso – “Se tivéssemos que viver sozinhos, iríamos nascer já armados, para já sair atirando no médico.”
6- Questione! Discutir é evoluir, então se te disserem que 1+1=2, pergunte por que, se não souberem te explicar, faço suas conclusões e prove que 1+1=235,45. A verdade só é uma mentira fácil de acreditar.
7- Seja diferente! Quer fazer a diferença? Então não seja igual a todos. Há quase de 7 bilhões de pessoas no mundo, então a única forma de se destacar é sendo diferente. Ser insubstituível é ser inigualável.
8- Jamais minta! A menor das mentiras pode torna-se algo realmente ruim. Isso soa como um provérbio chinês, sei, mas é importante ser compreendido. Se você disser para todos que você é filho do Bill Gates (a não ser que você seja verdadeiramente filho do Bill Gates ou você seqüestre ele) e eles descobrirem que é mentira, você estará muito ferrado
9- Nunca pule de um trem em movimento e nem tatue um olho no tornozelo esquerdo! Confiem em mim, isso é muito, mas muito ruim.
10- Você é o maestro da sua vida! A vida é sua, e dela você faz o que quiser. Se desejar caçar tubarões russos em Goiás, go ahead! Se gostar de dançar balé vestido de Mickey Mouse no meio da rua, dance! (Só não faça isso na minha rua). E se quiser vender sua alma por uma garrafa de refrigerante Dolly, um pacote de salgadinho MilhoPan e um CD do Parangolé (eles têm CD? ), faça! Só ache algum demônio/diabo/negociar de almas suficientemente doido para o fazer!
Mas não faço este humilde post para falar de mim, e sim para dizer, ou melhor, para escrever, algo que eu gostaria – e como – de ter compreendido mais novo. Coisas que talvez tivessem me poupado de sofrimento. OK, sei que se conselho fosse bom já estaria para vender na Wal-Mart e/ou na Bolsa de Ações, mas ao menos tente, e se gostar, depositem uma grana na minha negativa conta bancária.
10 COISAS QUE FORAM SURPREENDENTEMENTE DIFÍCIES DE APRENDER.
1- Não confie totalmente em ninguém (aqui a palavra ninguém se refere ao seu melhor amigo, pior inimigo, mãe, mendigo da rua e certamente VOCÊ). Ninguém, absolutamente ninguém é totalmente confiável.
2- São realmente raros os verdadeiros amigos. Você passará sua vida toda rodeado de pessoas – a não ser que você more na Groenlândia ou possua um hálito muito ruim – e grande parte destas não vão dar a mínima para você. (Reler o post “Don’t hate the player, hate the game”)
3- Então, não perca seu tempo com essas pessoas! Só se importe para as raras criaturas que gostam de você, como seu hamster tailandês, seus verdadeiros amigos, sua mãe e talvez aquele árvore de seu quintal.
4- Não se leve tão a sério! Quebre as regras, peque, faça o que quiser fazer. Só nunca leve um panda de pelúcia para a sala de aula, por favor.
5- Viver sozinho é impossível! Mesmo todas as pessoas sendo cretinas (aqui a palavra cretina é usada para dizer que alguém é um cretino mesmo) com você, você precisará delas. Como uma vez me disse uma velha amiga – uma amiga a qual nunca mais verei o sorriso – “Se tivéssemos que viver sozinhos, iríamos nascer já armados, para já sair atirando no médico.”
6- Questione! Discutir é evoluir, então se te disserem que 1+1=2, pergunte por que, se não souberem te explicar, faço suas conclusões e prove que 1+1=235,45. A verdade só é uma mentira fácil de acreditar.
7- Seja diferente! Quer fazer a diferença? Então não seja igual a todos. Há quase de 7 bilhões de pessoas no mundo, então a única forma de se destacar é sendo diferente. Ser insubstituível é ser inigualável.
8- Jamais minta! A menor das mentiras pode torna-se algo realmente ruim. Isso soa como um provérbio chinês, sei, mas é importante ser compreendido. Se você disser para todos que você é filho do Bill Gates (a não ser que você seja verdadeiramente filho do Bill Gates ou você seqüestre ele) e eles descobrirem que é mentira, você estará muito ferrado
9- Nunca pule de um trem em movimento e nem tatue um olho no tornozelo esquerdo! Confiem em mim, isso é muito, mas muito ruim.
10- Você é o maestro da sua vida! A vida é sua, e dela você faz o que quiser. Se desejar caçar tubarões russos em Goiás, go ahead! Se gostar de dançar balé vestido de Mickey Mouse no meio da rua, dance! (Só não faça isso na minha rua). E se quiser vender sua alma por uma garrafa de refrigerante Dolly, um pacote de salgadinho MilhoPan e um CD do Parangolé (eles têm CD? ), faça! Só ache algum demônio/diabo/negociar de almas suficientemente doido para o fazer!
terça-feira, 6 de abril de 2010
Café barato e chocolate roubado
Se há algo que me irrita muito – e olha que existem MUITAS coisas que me irritam, desde jingles políticos até chiuaua roucos – é a falta de tempo. Quem me conhece sabe que eu sou vagabundo por vocação, então tenho bastante tempo disponível, no final das contas, mas mesmo assim ele simplesmente não rende. Então eu, meus caros leitores, decidi criar um manual para fazer o tempo render mais, para todos os ociosos ocupados como eu.
PRIMEIRO, E POSSIVELMENTE O ÚLTIMO, MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA A ESCASSEZ DE TEMPO:
Vamos, primeiramente, identificar se você se encaixa nesse grupo. Você realmente não tem tempo se...
- Enquanto está no banheiro, você termina de redigir um relatório e ainda faz o café da manhã depois de lavar a louça da janta do dia anterior, tudo isso escovando os dentes.
- Você só descansa quando morre.
- Você apenas dorme se for contratado para isso.
- As últimas férias/folga que teve você ainda era um espermatozóide.
- A última vez que você ficou 30 minutos parado foi na incubadora.
Se você se encontra em qualquer uma das cinco situações acima citadas, venda sua casa e doe a grana para mim, chute sua esposa/mãe e então fuja com o circo e/ou vire hippie.
A falta de tempo livre me deixa tão irritado que se me derem um limão, não faço uma limonada; toco no cantor emo mais próximo de mim Me deixa tão atrasado que mesmo pegando uma carona com a luz, ainda chego fora do horário.
Infelizmente, não há loja alguma disponível para a venda de tempo. Bom, se você tomar muito café e “arrebite” talvez seu dia renda mais, mas não é muito aconselhável...
Já como você anda sempre atrasado, deixa de lado as coisas inúteis:
-Pare de comer; apenas tome café, que além de encher a barriga, te deixa acordado.
- Pare de trabalhar; ser brasileiro tem suas vantagens, e entre elas está o grande apoio aos não-trabalhadores. Está desemprego? Seguro-Desemprego! Está grávida/o? Licença! Tem 203940 filhos? Bolsa-Família! Mas vá trabalhar para ver o que te acontece...
- Pare de respirar. Talvez funcione, se bem que só por uns quatro minutos...
Dormir é, indubitavelmente, o grande vilão dos sem-tempo. Mas você realmente tem que dormir. Então não sobram muitas opções...
- Para não dormir, coloque Calypso com participação do Fiuk tocando Rebolation ao máximo, repetindo, pois se você conseguir dormir lhe dou este blog.
- Dilua café em soro e injete direto na veia.
- Venda sua cama e colchão e compre tudo em arrebites.
- Se você for medroso, alugue zilhões de filmes de terror e assista-os tomando Coca-Cola.
- Tudo que você beber/comer, coloque açúcar. Suco com açúcar, bolo com açúcar, refrigerante com açúcar, bife de fígado com açúcar...
Espero sinceramente ter feito sua vida menos apressada e mais confusa e bagunçada!
PRIMEIRO, E POSSIVELMENTE O ÚLTIMO, MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA A ESCASSEZ DE TEMPO:
Vamos, primeiramente, identificar se você se encaixa nesse grupo. Você realmente não tem tempo se...
- Enquanto está no banheiro, você termina de redigir um relatório e ainda faz o café da manhã depois de lavar a louça da janta do dia anterior, tudo isso escovando os dentes.
- Você só descansa quando morre.
- Você apenas dorme se for contratado para isso.
- As últimas férias/folga que teve você ainda era um espermatozóide.
- A última vez que você ficou 30 minutos parado foi na incubadora.
Se você se encontra em qualquer uma das cinco situações acima citadas, venda sua casa e doe a grana para mim, chute sua esposa/mãe e então fuja com o circo e/ou vire hippie.
A falta de tempo livre me deixa tão irritado que se me derem um limão, não faço uma limonada; toco no cantor emo mais próximo de mim Me deixa tão atrasado que mesmo pegando uma carona com a luz, ainda chego fora do horário.
Infelizmente, não há loja alguma disponível para a venda de tempo. Bom, se você tomar muito café e “arrebite” talvez seu dia renda mais, mas não é muito aconselhável...
Já como você anda sempre atrasado, deixa de lado as coisas inúteis:
-Pare de comer; apenas tome café, que além de encher a barriga, te deixa acordado.
- Pare de trabalhar; ser brasileiro tem suas vantagens, e entre elas está o grande apoio aos não-trabalhadores. Está desemprego? Seguro-Desemprego! Está grávida/o? Licença! Tem 203940 filhos? Bolsa-Família! Mas vá trabalhar para ver o que te acontece...
- Pare de respirar. Talvez funcione, se bem que só por uns quatro minutos...
Dormir é, indubitavelmente, o grande vilão dos sem-tempo. Mas você realmente tem que dormir. Então não sobram muitas opções...
- Para não dormir, coloque Calypso com participação do Fiuk tocando Rebolation ao máximo, repetindo, pois se você conseguir dormir lhe dou este blog.
- Dilua café em soro e injete direto na veia.
- Venda sua cama e colchão e compre tudo em arrebites.
- Se você for medroso, alugue zilhões de filmes de terror e assista-os tomando Coca-Cola.
- Tudo que você beber/comer, coloque açúcar. Suco com açúcar, bolo com açúcar, refrigerante com açúcar, bife de fígado com açúcar...
Espero sinceramente ter feito sua vida menos apressada e mais confusa e bagunçada!
By the way...
Antes do post, uma pequena observação. Escrevo este blog e todos meus textos por um único motivo: prazer. Gosto de escrever, é natural para mim. Escrevo justamente o que quero, a liberdade me proporciona isso. Se eu publicar um texto patético, segundo alguns “emo” sobre amor, isso é problema exclusivamente meu. Ler meu blog é uma concessão, não uma obrigação. Ninguém é obrigado por ninguém a vir até esta página e ler o que escrevo. Se gostou de algo que postei, ótimo! Fico, de verdade, muito feliz. Mas se não gostou, bom, o pequeno “x” no canto superior direito do meu blog é serventia da casa! Se publico textos sentimentais de “emos” enrustidos, sim! E, a propósito, são os que mais gosto de escrever. Se publico textos psicodélicos sem sentido? Sim! E olhe que pode-se achar sentido aonde aparenta não ter... Se escrevo coisas sem graça alguma? Sim! E me divirto pacas os escrevendo. Críticas com fundamento serão sempre bem-vindas, pois tem como intuito apenas melhorar o que escrevo. Mas críticas preconceituosas e sem sentido algum não serão, de forma alguma, aceitas sem uma bela discussão ou um soco no olho. Ufa, absolutamente mais feliz agora.
domingo, 4 de abril de 2010
Hallelujah
Perdoem-me caros, e corajosos, leitores, por não escrever nada há dois dias. Esse blogueiro que vos fala realmente não teve tempo algum neste fim de semana, então tentaria, repito, tentarei escrever algo hoje, regado a café barato e chocolate roubado.
HALLELUJAH
Por comodidade, me deixei levar pela inércia, deixe-me fluir pela correnteza. Vaguei, sem necessidade de parar; nada me prendia.
Não entendi a vida, mas, afinal de contas, quem entende? Gastei muito tempo, tempo que não volta mais, para entender que é preciso um porto para voltar, uma casa para viver. Me encontrei, mas já era tarde demais; estava sozinho, e pior que isso, estava acostumado com a solidão. Aquilo que eu sou odeia aquilo que me tornei.
Eu costumava viver de corações despedaçados, de amores caídos. Já não me satisfaço com tão pouco. Quero corações inteiros, disponíveis inteiramente à mim. Quero amores intensos, amores que durem para sempre.
Minha vida se tornou uma sucessão de erros regidos por fracassos, derrotas regidas pelo acaso. Um acaso que sempre soa imparcial em minha vida. Não sou ligado à superstições nem à religiões, mas sempre soa como se alguém estivesse lá em cima. Rindo de mim, é claro.
Há muito tempo, uma voz amiga - uma voz que nunca mais soará em meus ouvidos - me disse: "A vida não foi feita para ser entendida; foi criada para ser experimentada, pois se tivesse como objetivo a compreensão, vieríamos todos com manual de instruções." Nunca compreendi. Nem hoje compreendo. Tenho que por mania buscar o entendimento, e tudo que foge de minha compreensão me irrita.
Eu, até hoje, gostava de minha solidão. Era escura e gélida, obviamente, mas nunca me decepcionaria; a decepção é algo que vem apenas da onde existe expectativas, e a solidão já é a luz no fim do túnel, o fundo do poço. A solidão, por mais contraditório que isso soe, nunca me deixou sozinho. Não importa o quão sozinho eu estivesse, me restava a solidão.
Mas hoje acordei diferente de ontem, diferente de sempre. Acordei com algo muito fora de meu comum. Soube, então, que a solidão tinha me deixado. O que resta a alguém quando até a solidão o deixa? Estou sem respostas.
Sei exatamente aonde estou: estou perdido. Aquilo que eu sou odeia o que me tornei.
E cá estou eu, reclamando comigo mesmo. Sou o único que não pode me ajudar, pois já me cansei de mim mesmo. Já quebrei os meus limites, já burlei as minhas regras.
A última a restar, soube eu, é a esperança. Talvez seja isso. Talvez quando a solidão vá embora, sobre - mesmo que inutilmente - a esperança. Vou procura-lá. E serei o mais feliz se a acha-lá, porquê não há nada mais destruidor que o vazio.
HALLELUJAH
Por comodidade, me deixei levar pela inércia, deixe-me fluir pela correnteza. Vaguei, sem necessidade de parar; nada me prendia.
Não entendi a vida, mas, afinal de contas, quem entende? Gastei muito tempo, tempo que não volta mais, para entender que é preciso um porto para voltar, uma casa para viver. Me encontrei, mas já era tarde demais; estava sozinho, e pior que isso, estava acostumado com a solidão. Aquilo que eu sou odeia aquilo que me tornei.
Eu costumava viver de corações despedaçados, de amores caídos. Já não me satisfaço com tão pouco. Quero corações inteiros, disponíveis inteiramente à mim. Quero amores intensos, amores que durem para sempre.
Minha vida se tornou uma sucessão de erros regidos por fracassos, derrotas regidas pelo acaso. Um acaso que sempre soa imparcial em minha vida. Não sou ligado à superstições nem à religiões, mas sempre soa como se alguém estivesse lá em cima. Rindo de mim, é claro.
Há muito tempo, uma voz amiga - uma voz que nunca mais soará em meus ouvidos - me disse: "A vida não foi feita para ser entendida; foi criada para ser experimentada, pois se tivesse como objetivo a compreensão, vieríamos todos com manual de instruções." Nunca compreendi. Nem hoje compreendo. Tenho que por mania buscar o entendimento, e tudo que foge de minha compreensão me irrita.
Eu, até hoje, gostava de minha solidão. Era escura e gélida, obviamente, mas nunca me decepcionaria; a decepção é algo que vem apenas da onde existe expectativas, e a solidão já é a luz no fim do túnel, o fundo do poço. A solidão, por mais contraditório que isso soe, nunca me deixou sozinho. Não importa o quão sozinho eu estivesse, me restava a solidão.
Mas hoje acordei diferente de ontem, diferente de sempre. Acordei com algo muito fora de meu comum. Soube, então, que a solidão tinha me deixado. O que resta a alguém quando até a solidão o deixa? Estou sem respostas.
Sei exatamente aonde estou: estou perdido. Aquilo que eu sou odeia o que me tornei.
E cá estou eu, reclamando comigo mesmo. Sou o único que não pode me ajudar, pois já me cansei de mim mesmo. Já quebrei os meus limites, já burlei as minhas regras.
A última a restar, soube eu, é a esperança. Talvez seja isso. Talvez quando a solidão vá embora, sobre - mesmo que inutilmente - a esperança. Vou procura-lá. E serei o mais feliz se a acha-lá, porquê não há nada mais destruidor que o vazio.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
O que é amar?
Texto pequeno e bastante antiguinho. Mas mesmo assim se adapta ao meu eu atual.
O que é o amor? Às vezes me pergunto isso, e a resposta nunca é a mesma. Amar é querer o bem do outro na frente do seu. Amar é se esquecer de si mesmo para se lembrar de outro. Amar é sacrifício, é penoso. Amar é ler uma carta dez vezes, e se emocionar todas. Amar é passar o dia todo com alguém, e quando você se deita, rezar para que você sonhe com ela também. Amar é ser racionalmente irracional, erroneamente certo, absolutamente errado. É se perder aonde não dá para entrar. É se doar para alguém, dividir tudo que você é. É se transformar, se adaptar. É sentir na frente de entender. É ficar perdido num lugar estranho, e rir disso. É achar graça aonde esta, aparentemente, não existe. É ter medo de perder, é ser feliz por ter. É desejar, querer, buscar. É sorrir com uma risada, chorar com uma lágrima. É saber que, mesmo que você se vá, eternamente viverá em sua alma gêmea. É lutar com todas as suas forças, é desistir por motivos a toas. É passar uma tarde no cinema, passar uma noite junto. É ter alguém para sempre em sua mente. Amar não é fácil, não é difícil. É inexplicável, absolutamente inesquecível. Você quer saber o que é amar? Então ame!
O que é o amor? Às vezes me pergunto isso, e a resposta nunca é a mesma. Amar é querer o bem do outro na frente do seu. Amar é se esquecer de si mesmo para se lembrar de outro. Amar é sacrifício, é penoso. Amar é ler uma carta dez vezes, e se emocionar todas. Amar é passar o dia todo com alguém, e quando você se deita, rezar para que você sonhe com ela também. Amar é ser racionalmente irracional, erroneamente certo, absolutamente errado. É se perder aonde não dá para entrar. É se doar para alguém, dividir tudo que você é. É se transformar, se adaptar. É sentir na frente de entender. É ficar perdido num lugar estranho, e rir disso. É achar graça aonde esta, aparentemente, não existe. É ter medo de perder, é ser feliz por ter. É desejar, querer, buscar. É sorrir com uma risada, chorar com uma lágrima. É saber que, mesmo que você se vá, eternamente viverá em sua alma gêmea. É lutar com todas as suas forças, é desistir por motivos a toas. É passar uma tarde no cinema, passar uma noite junto. É ter alguém para sempre em sua mente. Amar não é fácil, não é difícil. É inexplicável, absolutamente inesquecível. Você quer saber o que é amar? Então ame!
Capítulo 2 - A voz
Não pude deixar de, logo após acordar, ler novamente o papel já amassado que estava ao lado de minha cama. Com a característica caligrafia de Marian, lá estava escrito:
“Nathan, desculpe-me caso o assustei, mas é realmente necessário discrição. Existem certas coisas que você não sabe sobre mim, coisas que você não gostaria de saber. Mas você tem o direito, e talvez – e como eu gostaria - você possa me ajudar. Rua Ben J. Franklin, 247, amanhã, às 19h30min. Vá sozinho, e eu te amo.”
Exatamente como das outras vezes, não consegui tirar nenhuma conclusão definitiva do improvisado recado de Marian. Eu não conseguia, de forma alguma, imaginar Marian cercada de mistérios, e estremeci só de pensar, em perigos. Tentei ligar para a ela durante toda a noite, inutilmente. Ela, definitivamente, não estava disposta a falar o que quer que seja comigo. Então, só me restou uma esperança, uma chance: o endereço.
Sabia onde ficava aquela rua, em um bairro industrial da cidade. E por nada deste, e do outro, mundo, deixarei de estar lá, no horário marcado.
Meu dia foi confuso. Passei grande parte dele pensando em Marian, minha vida, temendo que haja qualquer coisa que possa impedi-la de estar em meus braços. Quando o relógio já marcava 18h30min, uma onde de tensão percorreu meu corpo, a adrenalina fazendo seu sujo trabalho. Quase sem querer, me lembrei da primeira vez que vi minha luz, minha Marian:
“Estou tão entediado!” – eu murmurei, exclusivamente para mim. Enquanto mexia meu copo de um lado para o outro, irritantemente, avaliava todos naquele lugar. A casa de Dan estava entupida de gente, com o som alto ressonando por todo lugar. Enquanto os mais “populares” faziam tudo a seus alcances para chamar a atenção alheia, os mais tímidos tremiam quando puxavam papo com alguma garota. As garotas, é claro, formavam um círculo sobre os caras mais “populares”, rindo sem achar graça, perdendo-se em suas falsidades. E eu estava sentando em uma poltrona, bebendo alguma coisa qualquer, naquela cinzenta festa. Nunca entendi o porquê, mas sempre me consideravam um cara popular, mesmo eu sendo esquisito e desapropriadamente romântico e filosófico. Bom, ser considerado “cool” tinha suas vantagens, admito. Sempre foi muito conveniente.
Dan apareceu, bêbado, muito bêbado, e gritou:
“Nathan, seu safado!” – Dan era um cara moreno, atlético, com um rosto redondo. Ofereceu-me mais bebida e eu girei meu copo, em sinal de negação. Já estava embriagado o suficiente, sabia eu. Então Dan me agarrou, e falou, meio enrolado:
“Tenho que te apresentar alguém, aquele alguém.”
Eu suspirei. Ele e essa mania de querer me arrumar namoradas. Mas não pude fazer nada, já que quando eu percebi, estava sendo arrastado por dentro da sala.
No momento que estacionei, vi o mundo girar em minha volta. Quando, finalmente, o foco voltou para mim, meu coração parou: tinha em minha frente a criatura mais perfeita que já nasceu.
Marian estava lá, sentada num sofá, conversando com outras garotas – suas amigas, imaginei. Era possível ler em sua face tédio enquanto conversava. Eu congelei, e Dan, discreto e sensível como uma manada de javalis, gritou:
“Marian, tenho alguém para te apresentar!” – Então Daniel a agarrou, ou melhor, a arrancou do sofá, e a trouxe para perto de mim. A face de Marian queimou-se de vermelho assim que me viu. Mas não desviou o olhar de mim. Nunca.
Marian não é tímida, mas, às vezes, é demasiadamente insegura de si. Quando eu disse um singelo “oi”, e ela me respondeu, soube na hora que passaria o resto da minha vida com aquela mais que perfeita garota.”
Toda a viagem até Rua Ben J. Franklin, 247, foi cheia de tensão. Paguei o taxista, que agradeceu com empolgação minha gorjeta. Imagens e emoções desconexas passavam por mim, e só tinha algo em mente. Ela. Segurei firme o papel que ela escrevera, e foquei minha vontade, meus pensamentos e meus desejos em um só objetivo: chegar ao local onde ela me indicara. A Rua Bem J. Franklin era cinzenta, como todas as outras ruas das áreas industriais. Um cheiro acre perpetuava o local, tão forte que meu nariz começou a formigar. E eu avancei, sem pestanejar. N° 239, ° 245, e, finalmente, N° 247. A porta onde estava marcada esse número era pintada num tom verde claro, opaco, já descascando com o tempo. Pertencia a um galpão abandonado, mas com as luzes acessas. Senti, pela primeira vez, medo por mim, mas não hesitei. Meu relógio marcava exatamente 19h30min no instante em que coloquei minha mão na maçaneta e a girei. A porta ruidosamente se abriu, e no instante que meus olhos puderam ver lá dentro, eu congelei, vendo algo que jamais desejaria ver em toda minha vida. O que aconteceu depois, ainda é quase impossível de lembrar, mas podia jurar que ouvi a doce voz de Marian, num tom urgente, em meus ouvidos.
“Nathan, desculpe-me caso o assustei, mas é realmente necessário discrição. Existem certas coisas que você não sabe sobre mim, coisas que você não gostaria de saber. Mas você tem o direito, e talvez – e como eu gostaria - você possa me ajudar. Rua Ben J. Franklin, 247, amanhã, às 19h30min. Vá sozinho, e eu te amo.”
Exatamente como das outras vezes, não consegui tirar nenhuma conclusão definitiva do improvisado recado de Marian. Eu não conseguia, de forma alguma, imaginar Marian cercada de mistérios, e estremeci só de pensar, em perigos. Tentei ligar para a ela durante toda a noite, inutilmente. Ela, definitivamente, não estava disposta a falar o que quer que seja comigo. Então, só me restou uma esperança, uma chance: o endereço.
Sabia onde ficava aquela rua, em um bairro industrial da cidade. E por nada deste, e do outro, mundo, deixarei de estar lá, no horário marcado.
Meu dia foi confuso. Passei grande parte dele pensando em Marian, minha vida, temendo que haja qualquer coisa que possa impedi-la de estar em meus braços. Quando o relógio já marcava 18h30min, uma onde de tensão percorreu meu corpo, a adrenalina fazendo seu sujo trabalho. Quase sem querer, me lembrei da primeira vez que vi minha luz, minha Marian:
“Estou tão entediado!” – eu murmurei, exclusivamente para mim. Enquanto mexia meu copo de um lado para o outro, irritantemente, avaliava todos naquele lugar. A casa de Dan estava entupida de gente, com o som alto ressonando por todo lugar. Enquanto os mais “populares” faziam tudo a seus alcances para chamar a atenção alheia, os mais tímidos tremiam quando puxavam papo com alguma garota. As garotas, é claro, formavam um círculo sobre os caras mais “populares”, rindo sem achar graça, perdendo-se em suas falsidades. E eu estava sentando em uma poltrona, bebendo alguma coisa qualquer, naquela cinzenta festa. Nunca entendi o porquê, mas sempre me consideravam um cara popular, mesmo eu sendo esquisito e desapropriadamente romântico e filosófico. Bom, ser considerado “cool” tinha suas vantagens, admito. Sempre foi muito conveniente.
Dan apareceu, bêbado, muito bêbado, e gritou:
“Nathan, seu safado!” – Dan era um cara moreno, atlético, com um rosto redondo. Ofereceu-me mais bebida e eu girei meu copo, em sinal de negação. Já estava embriagado o suficiente, sabia eu. Então Dan me agarrou, e falou, meio enrolado:
“Tenho que te apresentar alguém, aquele alguém.”
Eu suspirei. Ele e essa mania de querer me arrumar namoradas. Mas não pude fazer nada, já que quando eu percebi, estava sendo arrastado por dentro da sala.
No momento que estacionei, vi o mundo girar em minha volta. Quando, finalmente, o foco voltou para mim, meu coração parou: tinha em minha frente a criatura mais perfeita que já nasceu.
Marian estava lá, sentada num sofá, conversando com outras garotas – suas amigas, imaginei. Era possível ler em sua face tédio enquanto conversava. Eu congelei, e Dan, discreto e sensível como uma manada de javalis, gritou:
“Marian, tenho alguém para te apresentar!” – Então Daniel a agarrou, ou melhor, a arrancou do sofá, e a trouxe para perto de mim. A face de Marian queimou-se de vermelho assim que me viu. Mas não desviou o olhar de mim. Nunca.
Marian não é tímida, mas, às vezes, é demasiadamente insegura de si. Quando eu disse um singelo “oi”, e ela me respondeu, soube na hora que passaria o resto da minha vida com aquela mais que perfeita garota.”
Toda a viagem até Rua Ben J. Franklin, 247, foi cheia de tensão. Paguei o taxista, que agradeceu com empolgação minha gorjeta. Imagens e emoções desconexas passavam por mim, e só tinha algo em mente. Ela. Segurei firme o papel que ela escrevera, e foquei minha vontade, meus pensamentos e meus desejos em um só objetivo: chegar ao local onde ela me indicara. A Rua Bem J. Franklin era cinzenta, como todas as outras ruas das áreas industriais. Um cheiro acre perpetuava o local, tão forte que meu nariz começou a formigar. E eu avancei, sem pestanejar. N° 239, ° 245, e, finalmente, N° 247. A porta onde estava marcada esse número era pintada num tom verde claro, opaco, já descascando com o tempo. Pertencia a um galpão abandonado, mas com as luzes acessas. Senti, pela primeira vez, medo por mim, mas não hesitei. Meu relógio marcava exatamente 19h30min no instante em que coloquei minha mão na maçaneta e a girei. A porta ruidosamente se abriu, e no instante que meus olhos puderam ver lá dentro, eu congelei, vendo algo que jamais desejaria ver em toda minha vida. O que aconteceu depois, ainda é quase impossível de lembrar, mas podia jurar que ouvi a doce voz de Marian, num tom urgente, em meus ouvidos.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
1° de Abril!
1° de abril, um dia mundialmente famoso no Brasil (até rimou!). E já como hoje é esse dia, não poderia deixar de escrever um humilde post sobre ele. A propósito, esse post é meramente desinformativo, com o único intuito de trazer falta de informações aos meus corajosos leitores.
A lenda de 1° de abril começou em uma pacata cidade texana, chamada Holy Crap. O prefeito de Holy Crap, o mister John B. Shit, tinha uma desejada filha chamada Crystal. Crystal, quando começou essa história, tinha apenas 19 anos, olhos azuis, seios fartos, pele branca e sem jaça, corpo curvilíneo e perfeito. Todos os homens da cidade – menos seu pai, é claro – desejavam ardentemente Crystal, mas morriam de medo do comportamento explosivo de Shit, que, certa vez, quando um pobre escritor de blog de sua cidade chamado J.S. derrubou vinho em seu sapato, raspou todo o cabelo daquela pobre alma e quase o afogou em uma enorme, e improvisada, banheira na praça central.
Mas um dia tudo mudou. Chegou em Holy Crap um forasteiro com o nome Dean. Dean era tão odiado que uma vez não o convidaram para seu próprio aniversário. Tão sinistro que dormia com um travesseiro embaixo da arma. Tão admirado que certa vez tentaram criar uma estátua dele – usando ele como molde vivo. Tão amaldiçoado que, enquanto para os outros o dia nasce, para ele é adotado. E tão bom que Crystal se apaixona por ele. E Dean, como não é bobo, se apaixona também, e em um sábado ensolarado de 1° de abril, regado a vinho barato e beijos apaixonados, Crystal e Dean consumam sua relação – termo que aqui significa vão para a cama tendo a melhor tarde de sexo de todas suas vidas.
Mas mister Shit, o psicopata prefeito de Holy Crap, descobre. E vai atrás de Dean, armado até os dentes, por ter desvirginado sua virginal filha. Então Dean, esperto e bom de papo, passa John B. Shit para trás, iniciando a primeira pegadinha de 1° de abril de todos os tempos.
Pegadinhas de 1° de abril que você NÃO deve fazer com um policial irritado:
- Apontar uma arma para um policial à paisana, anunciando um assalto. Quando este puxa um distintivo do bolso, você grita: “Ah! Primeiro de Abril!”
- Ligar para o 190 e falar que você está sendo seqüestrado. Quando os policiais chegarem em sua casa, tocar água nele e dizer: “Ah! Primeiro de Abril!”
- Furar os pneus da viatura, e quando o policial perceber isso, você de trás de uma árvore, gritando: “Ah! Primeiro de Abri!”
- Estar na casa dele, na cama dele, com a mulher dele, com sua cueca, e quando ele chegar e pegar vocês no flagra, você grita: “Ah! Primeiro de Abril”
P.S.: Comentem no blog! Cada comentário é visto por mim como reconhecimento, então cada um é sumariamente especial para a minha pessoa =)
A lenda de 1° de abril começou em uma pacata cidade texana, chamada Holy Crap. O prefeito de Holy Crap, o mister John B. Shit, tinha uma desejada filha chamada Crystal. Crystal, quando começou essa história, tinha apenas 19 anos, olhos azuis, seios fartos, pele branca e sem jaça, corpo curvilíneo e perfeito. Todos os homens da cidade – menos seu pai, é claro – desejavam ardentemente Crystal, mas morriam de medo do comportamento explosivo de Shit, que, certa vez, quando um pobre escritor de blog de sua cidade chamado J.S. derrubou vinho em seu sapato, raspou todo o cabelo daquela pobre alma e quase o afogou em uma enorme, e improvisada, banheira na praça central.
Mas um dia tudo mudou. Chegou em Holy Crap um forasteiro com o nome Dean. Dean era tão odiado que uma vez não o convidaram para seu próprio aniversário. Tão sinistro que dormia com um travesseiro embaixo da arma. Tão admirado que certa vez tentaram criar uma estátua dele – usando ele como molde vivo. Tão amaldiçoado que, enquanto para os outros o dia nasce, para ele é adotado. E tão bom que Crystal se apaixona por ele. E Dean, como não é bobo, se apaixona também, e em um sábado ensolarado de 1° de abril, regado a vinho barato e beijos apaixonados, Crystal e Dean consumam sua relação – termo que aqui significa vão para a cama tendo a melhor tarde de sexo de todas suas vidas.
Mas mister Shit, o psicopata prefeito de Holy Crap, descobre. E vai atrás de Dean, armado até os dentes, por ter desvirginado sua virginal filha. Então Dean, esperto e bom de papo, passa John B. Shit para trás, iniciando a primeira pegadinha de 1° de abril de todos os tempos.
Pegadinhas de 1° de abril que você NÃO deve fazer com um policial irritado:
- Apontar uma arma para um policial à paisana, anunciando um assalto. Quando este puxa um distintivo do bolso, você grita: “Ah! Primeiro de Abril!”
- Ligar para o 190 e falar que você está sendo seqüestrado. Quando os policiais chegarem em sua casa, tocar água nele e dizer: “Ah! Primeiro de Abril!”
- Furar os pneus da viatura, e quando o policial perceber isso, você de trás de uma árvore, gritando: “Ah! Primeiro de Abri!”
- Estar na casa dele, na cama dele, com a mulher dele, com sua cueca, e quando ele chegar e pegar vocês no flagra, você grita: “Ah! Primeiro de Abril”
P.S.: Comentem no blog! Cada comentário é visto por mim como reconhecimento, então cada um é sumariamente especial para a minha pessoa =)
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