sábado, 24 de julho de 2010

Carta primeira

Carta primeira, comentada pelo autor neutro, datada em ??/??/????

De: Alguém com olhos negros
Para: Uma garota de olhos castanhos.

Nada nunca fora resolvido com lágrimas, não é? Quando você disse-me isso, há não muito tempo atrás, busquei interpretar tal sentença num sentido mais amplo, poético. Mas só agora, após numerosos – e dolorosos – dias provando o pungente gosto das lágrimas, compreendi o real significado. Não me entenda mal; não escrevo esta carta para julgá-la, machucá-la ou culpá-la por aquilo que aconteceu. Há muito lhe perdoei, a muito lhe entendi. Apenas desejo deixar-lhe à par do que veio logo após aquela tarde lamuriosa de domingo. Devo tal explicação à você, e logo você a merece.”
...

Nota do autor: Em um domingo gelado embora ensolarado, um garoto de olhos e cabelos negros vira uma garota de olhos castanhos entrar em um carro para nunca mais voltar. Ela o havia deixado para sempre, e ele acreditara com veemência que jamais voltaria a ser feliz – estava sumariamente errado. Ao sentar-se no banco do carro, a garota pensou que aquilo seria o fim – estava sumariamente errada.

Experimentei, ao longo dos dias e semanas, sensações e gostos completamente novos a mim: o sabor da perda, sempre amargo e constante, insistente ao lembrar-me que você se foi; a sensação de solidão, fazendo-me me sentir constantemente sozinho, mesmo estando com todos ao meu redor; o gosto da desesperança, vestido numa capa doce e agradável, que me demonstrava com vigor como tudo poderia piorar; o medo, a dúvida, a angústia... Mas para meu espanto, um dia tudo isso, assim como você, se foi. E eu me encontrei em um sonho do qual não me lembrava de como tinha entrado.
...

Nota do autor: Durante duas semanas, um garoto de expressão cabisbaixa e olhar cheio de dor vagou inerte por sua vida. Respondia toda e qualquer pergunta com monossílabos, sem nem se preocupar em manter as aparências. Seus familiares e amigos entraram em alerta sobre a saúde tanto física quanto mental do garoto. Dizem que inúmeras vezes podiam-se notar pequenos nós perolados escorrendo por seus olhos. Durante duas semanas, foi notado em uma garota de olhos castanhos vivos e expressão vazia um silêncio incomum. Seus esforços para manter a aparência a todos foi notável, porém nada efetivo; qualquer pessoa poderia notar um grito de dor exclamado em seu olhar. Ninguém jamais a vira chorar nesse período, entretanto está em meu conhecimento que todo dia, logo antes de dormir e após acordar, lágrimas escaparam por seus olhos.

Como você pode imaginar, um dia eu me lembrei. Para falar-lhe a verdade, as cicatrizes me lembraram. Não há maquiagens nem disfarces capazes de apagá-las, lembra-se? Admito que poderia ter sido mais compenetrado em minha imbatível luta contra minhas memórias, mas como poderia alguém entrar motivado em uma batalha da qual já sabe que perderá? E eu perdi. Lembrar é mais fácil do que esquecer, disse-me você certa vez. Novamente, demorei algum tempo para compreender uma frase dita por você. Ainda há tanta coisa para lhe falar, minha cara! Aguarde um outra carta de um garoto de olhos negros”. Fim da carta primeira.

Nota do autor: Depois de três semanas, um garoto de cabelos negros chorou pela última vez, ainda lembrando-se de uma garota de olhos castanhos límpidos como a luz.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Capítulo 5 – A proposta

As lágrimas vieram novamente, fluentes, constantes. Elas insistiam em nascer em meus olhos, sem pena nem hesitação, para então sumirem em meu rosto. Não deveriam, mas elas me machucavam, pois sempre traziam consigo lembranças dela. Meu amor, minha vida; minha vida que acabou. Ela se foi, mas ainda permaneceria em mim, enquanto eu viver. Melhor, enquanto eu sobreviver. Sem ela eu não sou vida, sou apenas um sopro que insiste em vagar através de memórias, um fantasma vazio esperando o tempo passar. É isso que sou agora: uma sobrevida que jamais se irá se recuperar – ou se perdoar – pela perda de sua outra metade.
Marian se fora naquela noite chuvosa, se fora em meus braços. Nada visível ficou em mim, mas só eu sei a profundidade das cicatrizes que esse incurável ferimento deixou. E eu fui inútil, impotente. Não pude salvá-la, não fui capaz de impedir sua morte. E lá vieram as lágrimas novamente, agora caindo no solo sem vida do túmulo de Marian.
Senti-me mais sem vida do que jamais sentira antes. Estava vazio. Vi as rosas pousando solitárias em cima de um vaso cinzento, e quase por reflexo, lembrei-me da noite em que ela me contara que havia algo de errado com ela, em um bilhete escrito às pressas e selado com um beijo. E a onda de saudade veio novamente, me cobrindo, me derrubando. Ela se fora há apenas três semanas, mas para mim parecia a mais longa das eternidades.
Uma chuva fina, insistente, agora caia do céu, molhando de leve minha face, misturando-se com minhas lágrimas, lavando a minha dor. E eu continuava lá, inerte, uma estátua guardando o repouso eterno de sua amada. Então comecei a sentir um sentimento estranho, impossível de não ser reconhecido: estava sendo observado. Virei-me e achei o rosto de Sara me encarando, sério.
“Você não deveria vir aqui diariamente” – disse-me ela. – “Isso vai acabar te destruindo.”
“O que você tem a ver com isso?” – Embora ela tentasse ser doce comigo, eu a odiava com todas minhas forças: para mim, ela era a culpada da morte de Marian.
“Nathan, eu preciso falar com você, imediatamente.”
“Saia daqui, por favor.” – Minha voz soou baixa, porém ameaçadora. Uma desconhecida onda de raiva, quente e imbatível, cresceu dentro de mim.
“Eu não vou sair nem daqui e nem de sua vida enquanto eu não...”
Eu nem pensei. Tudo pareceu um borrão, e quando eu vi, estava segurando Sara com força, e as palavras simplesmente eram cuspidas de minha boca:
“SAIA DAQUI, AGORA! VOCÊ É A CULPADA, VOCÊ! SE NÃO FOSSE POR VOCÊ E AQUELE SEU MALDITO LIVRO, MARIAN AINDA ESTARIA COMIGO AGORA!”
Para minha surpresa, ela não reagiu. Só continuava olhando fixamente para mim, sem dizer uma palavra. Uma lágrima brilhante escorreu sorrateira por um de seus olhos, caindo imbatível no chão. E, quando tomei consciência, seus braços estavam envolta do meu pescoço, suas lágrimas mornas remanescendo em meu peito. Por instinto, talvez, também a abracei, e lá permanecemos nós dois, acabados em lágrimas e dor.


Horas depois, eu e Sara estávamos em meu quarto, ela segurando com força o livro que conheci através da história contada por Marian. Ela começou a falar:
“Foi este livro que levou Marian. Vou te contar como ele funciona: sempre que ele troca de mãos, de dono, trás com ele uma maldição, e então o antigo portador é libertado. Mas o novo dono preciso conhecer esse fato, e aceitá-lo. A única maneira de se salvar, então, é passando o livro adiante, a colocando a vida de alguém que foi corajoso o suficiente para aceitar em risco. Marian, ela... ela me salvou. Naquela noite, na noite em que ela se foi, ela deveria passar a maldição para você, você deveria ser o sacrifício dela. Mas ela não o fez, escolheu morrer a te levar.”
“Isso tudo é sério, é verdade?” – Lá no fundo, eu sabia que tudo aquilo era real.
“É.” – Sara olhava com firmeza para mim.
“Mas por que você está me contando isso justamente agora?” – Questionei eu à Sara. Não sei a causa, mas uma ínfima linha de esperança crescia em mim agora.
“Quanto você ama Marian, Nathan?”
“Mais do que você um dia irá compreender.”
“E quanto você está disposto a pagar para tê-la de volta?”
“O que for necessário.” – Disse eu, absoluto.
“Sua vida está incluída nesse necessário?”
“Até sua vida está incluída nesse necessário.”
“E se eu dissesse que se você aceitasse esse livro agora, talvez haja uma chance de nós encontrarmos Marian novamente?”
“Talvez haja?” – Questionei eu.
“Não mentirei para você. Há duas chances: em uma nós voltaremos a ver Marian, na outra você morrerá. Você está disposto à pagar este preço, Nathan?” – Sara olhava com firmeza para mim; medo crescia em seus olhos.
“Mil vezes, se for preciso.” – Ela olhou sem piedade para mim, e então passou o livro. Eu não hesitei; o aceitei, aceitei a maldição. Um frio sem motivo me cobriu, e então já não existia nem Sara, nem quarto, nem livro; apenas escuridão.

You say it best when you say nothing at all

E só então eu compreendi.
Meus pensamentos voavam, um a um, até que pararam em você. Observei com atenção seus olhos castanhos, claros, vívidos. Suas mãos brincavam, inconscientes, com as minhas, levando-me longe mesmo não estando em lugar algum. Quis congelar o tempo agora. Quis que fosse assim para sempre, que tivesse sua mão, seus olhos, sua alma à minha disposição pelo resto de minha vida. Mas não seria, não é?
Você me olhou novamente, e tentei ver algo em você, algo que sempre foge de meu entendimento; que tipo de sentimentos você nutre por mim? Será que seu corpo sente o mesmo arrepio, o mesmo vazio preenchido quando sente meu toque? Será que seu coração bate descompassado quando ouve, ao longe, o timbre de minha voz chegando? Haveria chance de você entrar em confusão quando o meu cheiro chegasse a você? Só queria saber, se no fundo, se você me ama.
E lá estávamos nós, perdidos em nossas confusões. Cada qual lutando para entender melhor o que era tudo aquilo, batalhando sem chance contra o imbatível caos. Eu, como de hábito, não tirava meus olhos dos seus, mas você observava o longe com estranha concentração. Sua respiração lenta, compassada, marcava um ritmo hipnotizante, impossível de não ser notado; mas você não me notou, não me percebeu. Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.
Quanto tempo ainda seria necessário para esse martírio acabar? Você, como sempre, é a resposta. Quando você finalmente tiver o veredicto final, a resposta conclusiva sobre aquilo que sente, minha dor acabará. Felicidade, se virá ou não, já não importa; eu apenas preciso saber se ainda vale a pena nutrir esperanças por aquilo que não aconteceu. Para mim, foi suficiente ter o amor apenas como amor, platônico, incompreendido, mas não é o suficiente, não mais. Preciso saber que meu sentimento será respondido com a mesma proporção que dou, devo ter a certeza que você sempre estará lá quando eu cair, pronta e disposta a me juntar.
Você, que antes contemplava o distante, agora voltou para mim. Sua boca crispou-se em um sorriso tímido, porém cintilante, quando percebeu que eu ainda a observava – como se houvesse alguma chance de eu não a observar. Mas você fora humilde, como sempre foi. Seus dedos se entrelaçaram nos meus, quentes, macios. Sem dizer uma palavra, você iluminou a escuridão. O sorriso em seu rosto fez-me saber que você precisa de mim, há uma verdade em seus olhos dizendo-me que você nunca me deixará, o toque de sua mão diz que você me juntará aonde quer que eu caía. Você diz isso melhor quando não diz nada.
E só então eu compreendi.

Clube dos Canalhas

Canalha: uma palavra, quatro consoantes, uma vogal repetida três vezes e um sentido autoexplicativo. Canalha não precisa de definição, não necessita de interpretação. Todos – ao menos assim espero – sabem o significado dessa palavra, pois todos conhecem um exemplo vivo, uma personificação perfeita. Falarei neste post, e em mais quantos forem necessários, deles; sejam bem-vindos ao Clube dos Canalhas.
Note que a palavra “canalha” refere-se, por sentido geral, a um grupo masculino. Quase há uma associação rápida a um homem com sorriso falso, olhar incerto, jeito galanteador. Canalhas são os homens, meus caros e caras, são os homens. Mulheres são ingênuas – perdoem-me o eufemismo – por gostarem dos canalhas, mas isso é assunto para outro texto. Falar de homens canalhas e mulheres ingênuas em apenas um texto seria hipocrisia demais – demais. Se há mulheres canalhas? Bom, há homens ingênuos (este que vos fala, por consenso, é um), provando que existem exceções às regras. Novamente a pergunta retórica: há mulheres canalhas? È claro. Há mulheres que querem ser homens, homens que querem ser mulheres, ou seja, uma contínua insatisfação. As garotas já levaram dos garotos dignidade, dinheiro, orgulho, ingressos de cinema, foras – o coração. Também levaram, de soslaio, talvez, a canalhice. Um furto sem notícias, sem justiça, sem noção.
Talvez os bons moços – aqueles que escrevem cartas, sabem a cor dos olhos da garota que ama, seu nome do meio, o jeito que ela guarda seu cabelo rebelde atrás da orelha, a marca da escova de dente e o ciclo menstrual – devessem contratar um relações públicas. Sério. Ser bom estar fora de moda, há muito é out. Ninguém dá importância pros mocinhos, ninguém. É dos vilões que se fala, são eles que estampam a capa do jornal. Os moços maus que estão na moda, são para eles que os holofotes estão virados. A tendência é que crianças, cada vez mais, desejem ser vilões quando crescerem; quando questionadas “Por que não o Super-Homem, filho, ele é um exemplo a ser seguido?” responderão: “Super quem? O que de mau esse cara fez?”
Essa linha também se aplica aos canalhas. São eles que estão in atualmente. São dos canalhas que existem pôsteres espalhados pelas paredes, são deles que o estilo é copiado. São os canalhas que serão lembrados daqui há séculos, apenas os canalhas. Repito para os bons moços: ou vendam suas imagens com maior competência, ou tornem-se canalhas de uma vez. A máxima ainda prevalece: “Se não os vença, junte-se a eles”.
Percebo que há muito venho falando deles, mas sem especificação. Vou listar suas características, tirarei as máscaras dos vilões.

PEQUENA LISTA DE CARACTERÍSTICAS CARACTERÍSTICAS DOS CANALHAS

- Aparentam serem perfeitos. Qualquer canalha que se preze sabe vender sua imagem com mais velocidade que um camelô foge da polícia. Então, um canalha que parecerá a coisa mais perfeita do mundo, à primeira vista. Mas, acreditem, eles não serão tão perfeitos quando estiverem fugindo pro México, deixando uma legião de garotas grávidas e despedaçadas.
- Mulheres sempre se apaixonam por canalhas, e este é um fato sem argumentação – e nem coerência.
- Os caras mais legais sempre serão os canalhas, e eles sempre o apunhalarão pelas costas. Apresentou sua namorada a um deles? O bebê que ela espera não é seu, meu caro, não é seu. Apresentou sua irmã a um deles? Ela não se casará de branco, absolutamente. Apresentou sua mãe a um deles? Seu irmão, certamente, não será parecido com seu pai.
- Canalhas são sempre aqueles que se dão bem. Aqueles que ganham promoção mesmo estando dormindo com a mulher do chefe, aqueles que nunca são pegos, mesmo se matarem o presidente com um estilingue. Canalhas são imbatíveis porque a partir do momento que são combatíveis deixam de ser canalhas, eis a grande verdade.
- A característica mais marcante de um canalha: ele sempre será melhor que você.

(to be continued...)

PS: O autor desse texto, J.S., não é um canalha, longe disso. Nem queria ser um, perto disso. Mas, certa vez, já foi incluído em um “Clube dos Canalhas”, em uma sexta-feira chuvosa, não é?

sábado, 17 de julho de 2010

Sangue no Jornal

Cansei de esperar uma postagem do J.S., por isso, sentado no meio fio da calçada, resolvi largar a garrafa de suco do conhecimento e escrever eu mesmo algo neste blog. Pobre J.S., acuado por sombras malignas em algum lugar pelas ruas de Liverpoldo...
Cansei tambem de me preocupar em achar algo pelo qual lutar, brigar e ir de contra ao governo, assunto que foi abordado no círculo de bêbados que preeche de mafofa e alegria as salas técnicas do inferno do colégio interno Prufrock.
"Ah cara, eu continuo com a ideia de pixar lugares públicos. Mas não pixações escrotas, sem sintido, com o nome de alguém. Eu quero é escrever uma frase de efeito que se prenda na mente de quem ler! Tipo... tipo algo anárquico, ou sei lá como é isso..." Foi o que Peroba disse, e é claro que o restante tentou seguir o raciocínio alcoolico dele, para não se perder na caminhada. Eu ainda estava sentado do lado dele quando ele lançou as palavras pro ar.
"Lutar pelo o quê, afinal?" Mestre Chuck interveio.
E eis que a pegunta ficou pendurada.
"Vivemos num país livre, com direito de ir e vir, de ver um jogo de futebol, de beijar em público, de estudar e viajar. Temos um presidente sem dedo que vê o mundo como um grande torno com problemas elétricos, e ajusta os parafusos, pode até não ser com muita precisão, ou sem falhas, mas satisfatóriamente" Brambilla falou, e acrescentou em seguida " a gente não tem do que reclamar. Imagine se fosse a ditadura ainda... não poderiamos beber em paz, nunca, nem ficar bulinando as vagabundas nas praças, não poderiamos cantar Rock Rocket..."
"Mas eu estou cansado disso! Tenho a impressão de sermos um bando de caretas quadradões que não lutam por seus direitos!" e acredito que o Peroba continua batendo pé até agora.
"Imagina a Coréia do Norte! os caras nem puderam ver a copa!" Mestre Chuck disse. "Você tá vendo coisas... Toda geração acha que é mais fraca do que a anterior, admira-as e tenta se sobressair quanto a elas, sendo que todas vão dar no mesmo lugar."
E então a mente de todos travou, e deu uma sede filha da puta.
"Vamos pichar" Peroba disse. "Vamos detonar estes power pops, e esse governo do caralho!!"
e então vi que a história acabou por aí.
Tudo o que restou foi a ausencia de memorias para com os grandes heróis políticos, e seus inicios de carreira, tumultuados, torturados, pobres e famintos. Claro que a saúde daqui está uma merda, e que agora vamos tirar dos bolsos uma grana preta pra fazer estádios, melhorar a aparencia das cidades para a Copa, mas para a COPA, para TURISTAS, tudo que faremos é dar um pontapé e fazer tudo às pressas, montar um cenário de papelão barato para enganar os gringos, e depois de terminada a copa, fim.
Podemos olhar para Cuba e Coréia do Norte, pessoal que não tem descanso por serem amaldiçoados só por terem nascidos lá. e Podemos olhar tambem para Europa, legal... Amsterdam... Chapada.
Podemos olhar para o Brasil, e ver os problemas que todos países tem, e podemos colocar na balança com as coisas boas que temos por aí... Temos ainda dinheiro para comprar um pc, pagar net e escrever num blog... podemos estudar e muitos ainda desprezam isso, podemos trabalhar, tentar crescer... as ruas são nossas até de manhã cedo... e quero ver se nós, homems e garotos, iriam gostar de ver todas as garotas do Brasil usando aquela porra de Burqa das árabes... e alimentar o sonho de acabar a vida com uma bomba amarrada no peito, em nome de Allah.
No final das contas, nós somos um monte de cazuzas... bons brasileiros... com a arte de amar, a cachaça no bar, e a cabeça cansada de pensar...


Vamos pichar o quê?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Think about you

Para ler e pensar:

Eu faço versos como quem chora
De desalento, de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto

Meu verso é sangue, volúpia ardente
Tristeza esparsa, remorso vão
Dói-me nas veias, amargo e quente
Cai gota a gota, do coração

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
Eu faço versos como quem morre

Manuel Bandeira