E só então eu compreendi.
Meus pensamentos voavam, um a um, até que pararam em você. Observei com atenção seus olhos castanhos, claros, vívidos. Suas mãos brincavam, inconscientes, com as minhas, levando-me longe mesmo não estando em lugar algum. Quis congelar o tempo agora. Quis que fosse assim para sempre, que tivesse sua mão, seus olhos, sua alma à minha disposição pelo resto de minha vida. Mas não seria, não é?
Você me olhou novamente, e tentei ver algo em você, algo que sempre foge de meu entendimento; que tipo de sentimentos você nutre por mim? Será que seu corpo sente o mesmo arrepio, o mesmo vazio preenchido quando sente meu toque? Será que seu coração bate descompassado quando ouve, ao longe, o timbre de minha voz chegando? Haveria chance de você entrar em confusão quando o meu cheiro chegasse a você? Só queria saber, se no fundo, se você me ama.
E lá estávamos nós, perdidos em nossas confusões. Cada qual lutando para entender melhor o que era tudo aquilo, batalhando sem chance contra o imbatível caos. Eu, como de hábito, não tirava meus olhos dos seus, mas você observava o longe com estranha concentração. Sua respiração lenta, compassada, marcava um ritmo hipnotizante, impossível de não ser notado; mas você não me notou, não me percebeu. Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.
Quanto tempo ainda seria necessário para esse martírio acabar? Você, como sempre, é a resposta. Quando você finalmente tiver o veredicto final, a resposta conclusiva sobre aquilo que sente, minha dor acabará. Felicidade, se virá ou não, já não importa; eu apenas preciso saber se ainda vale a pena nutrir esperanças por aquilo que não aconteceu. Para mim, foi suficiente ter o amor apenas como amor, platônico, incompreendido, mas não é o suficiente, não mais. Preciso saber que meu sentimento será respondido com a mesma proporção que dou, devo ter a certeza que você sempre estará lá quando eu cair, pronta e disposta a me juntar.
Você, que antes contemplava o distante, agora voltou para mim. Sua boca crispou-se em um sorriso tímido, porém cintilante, quando percebeu que eu ainda a observava – como se houvesse alguma chance de eu não a observar. Mas você fora humilde, como sempre foi. Seus dedos se entrelaçaram nos meus, quentes, macios. Sem dizer uma palavra, você iluminou a escuridão. O sorriso em seu rosto fez-me saber que você precisa de mim, há uma verdade em seus olhos dizendo-me que você nunca me deixará, o toque de sua mão diz que você me juntará aonde quer que eu caía. Você diz isso melhor quando não diz nada.
E só então eu compreendi.
Meus pensamentos voavam, um a um, até que pararam em você. Observei com atenção seus olhos castanhos, claros, vívidos. Suas mãos brincavam, inconscientes, com as minhas, levando-me longe mesmo não estando em lugar algum. Quis congelar o tempo agora. Quis que fosse assim para sempre, que tivesse sua mão, seus olhos, sua alma à minha disposição pelo resto de minha vida. Mas não seria, não é?
Você me olhou novamente, e tentei ver algo em você, algo que sempre foge de meu entendimento; que tipo de sentimentos você nutre por mim? Será que seu corpo sente o mesmo arrepio, o mesmo vazio preenchido quando sente meu toque? Será que seu coração bate descompassado quando ouve, ao longe, o timbre de minha voz chegando? Haveria chance de você entrar em confusão quando o meu cheiro chegasse a você? Só queria saber, se no fundo, se você me ama.
E lá estávamos nós, perdidos em nossas confusões. Cada qual lutando para entender melhor o que era tudo aquilo, batalhando sem chance contra o imbatível caos. Eu, como de hábito, não tirava meus olhos dos seus, mas você observava o longe com estranha concentração. Sua respiração lenta, compassada, marcava um ritmo hipnotizante, impossível de não ser notado; mas você não me notou, não me percebeu. Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.
Quanto tempo ainda seria necessário para esse martírio acabar? Você, como sempre, é a resposta. Quando você finalmente tiver o veredicto final, a resposta conclusiva sobre aquilo que sente, minha dor acabará. Felicidade, se virá ou não, já não importa; eu apenas preciso saber se ainda vale a pena nutrir esperanças por aquilo que não aconteceu. Para mim, foi suficiente ter o amor apenas como amor, platônico, incompreendido, mas não é o suficiente, não mais. Preciso saber que meu sentimento será respondido com a mesma proporção que dou, devo ter a certeza que você sempre estará lá quando eu cair, pronta e disposta a me juntar.
Você, que antes contemplava o distante, agora voltou para mim. Sua boca crispou-se em um sorriso tímido, porém cintilante, quando percebeu que eu ainda a observava – como se houvesse alguma chance de eu não a observar. Mas você fora humilde, como sempre foi. Seus dedos se entrelaçaram nos meus, quentes, macios. Sem dizer uma palavra, você iluminou a escuridão. O sorriso em seu rosto fez-me saber que você precisa de mim, há uma verdade em seus olhos dizendo-me que você nunca me deixará, o toque de sua mão diz que você me juntará aonde quer que eu caía. Você diz isso melhor quando não diz nada.
E só então eu compreendi.

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