sábado, 28 de agosto de 2010

O segundo sol

Olhei dentro de seus olhos, e lá só achei escuridão.

A dor pairava perante aquele par de olhos que me olhavam, confusos, tentando de alguma forma achar uma resposta. E tal resposta pareceu ficar entalada em minha garganta, querendo escapar para então tentar reconfortar aquela dor. Mas não escapou; permaneceu ecoando dentro de minha cabeça, talvez temente, talvez apenas inconsistente. Eu, covarde, quis fugir, mas já não havia essa possibilidade: agora aquela angústia também era minha.
O rosto que se formava à minha frente não era, nem de longe, parecido com aquele que há muito tempo atrás havia conhecido; estava perturbadoramente diferente. Aqueles olhos que insistiam em me transmitir sua dor haviam presenciado tantas coisas, liberado tamanhas lágrimas. E a dor também era minha, lembrei-me, também me pertence.
O rosto obstinado perante mim estava envelhecido. Perturbado. Mudado. O vidro infalível, o espelho inegável refletia minha imagem. Era meu rosto que me assustava, eram meus fantasmas que me assombravam. Vi novamente os olhos cheios de dor, meus olhos, e lá só achei escuridão.

Talvez por capricho do destino, um raio de luz cintilou perante a escuridão. Não era apenas um raio de luz; era o raio de luz. Aquele pelo qual valeu a pena esperar, o que deveria mudar tudo e todos. Deveria continuar em minha inércia itinerante ou arriscar o pouco que me resta de felicidade por um punhado de raio de luz que, sorrateiro, veio brilhar no horizonte?

Fitei novamente o meu segundo sol, que agora resplandecia sem discrição ao meu lado. Seu calor me reconfortava, sua luz me iluminava como nada jamais foi capaz. Arrepender-me-ia gravemente caso me jogasse sem pára-quedas em seus mistérios? Talvez. Mas quando você vê um segundo sol surgindo ao horizonte, nunca se deve deixá-lo escapar. Meu sol sorriu para mim. E eu , sem nem ao menos pestanejar, me joguei.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Wherever you will go

Ela não esperava – elas nunca esperam.

Quando o som do celular quebrou o silêncio de seu quarto, a garota sentiu seu coração bater mais forte. Ele.

.:: Pequeno fato sobre mulheres ::.

Sempre há um “ele”

Ela hesitou alguns instantes, mas atendeu. Silêncio. Durante curtos segundos, a garota ouvi uma respiração ritmada do outro lado da linha. Cansou-se do silêncio e então falou:
“Oi?” – Apenas respiração. Ela começou a se irritar; ela sempre se irritava.
“É você?” – Ela sabia que era ele. Mas queria saber que sabia. Não há provas sem confirmações. A mente da garota já zunia com uma pergunta: por que o silêncio? Ela não gosta de silêncio – não o silêncio dele.
“Me desculpe.” – Pela primeira vez a voz dele rasgou a paz dissimulada que imperava nos ouvidos da garota. Garota cujo coração agora doía. Doía daquele jeito. Do jeito que ele tanto sabia, da maneira que tanto sofrera. E que prometera jamais sofrer – promessas foram feitas para serem quebradas.

.:: Pequeno fato sobre homens ::.

Homens quebram promessas, e corações

Ela não precisava ouvir mais nada. Mas queria:
“Desculpar você pelo o quê?” – As palavras vieram, avessas, rebeldes, lutando com suas inexistentes forças para não saírem. Não, não e não. Ele me ama. Ele não faria isso. O peso da verdade caiu sem piedade sobre ela.
“Não dá mais.” – Disse a voz, apática, no outro lado da linha. O chão da garota fugiu, assim como seu ar. Não, eles não fugiram; o ar e o chão deixaram de existir – o coração da garota, ingênuo, reclamou. Ela então largou o telefone, pois não precisava mais dele. Queria largar seu coração também – não precisava mais dele.
Sem lágrimas, sem lágrimas, repetiu ela. Falhou.

.:: Pequeno fato sobre corações ::.

Eles escolhem errado

Smoke on the water, fire in the sky

As folhas se iam com o vento, e meus pensamentos também. Olhei a minha volta, copo na mão, e vi que devia parar de me preocupar tanto. Estávamos todos entre amigos. Alguns sorridentes, outros nem tantos, muitos exalando fumaça com incomum maestria, mas todos com copos nas mãos. Não pude impedir o sorriso que brotou em meu rosto quando percebi que estava no lugar onde deveria estar. Entre amigos. Pela primeira vez em muito, muito tempo, senti-me completamente feliz. Um outro sorriso largo apareceu em meu rosto, talvez pela piada sacana contada por um amigo não muito longe de mim, ou talvez apenas por ter amigos que sei que sempre estarão aqui, lá, acolá, assim quando eu precisar deles.
Não me incomodei quando o vento começou a castigar-nos sem piedade, nos bancos de uma praça cinzenta. Ninguém pareceu se aborrecer, também. Efeitos do copo. Ou talvez do que esteja dentro dele. O dia estava próximo de seu inevitável fim, com o imponente sol se pondo para dar lugar a uma tímida lua, que já começa a brilhar com discrição no horizonte. E cá estávamos nós, apreciando este pequeno espetáculo. Meus olhos se demoraram um pouco na mais brilhante das estrelas. Não sei o porquê, mas adoro estrelas, principalmente as brilhantes. Saí de meu devaneio assim que ouvi uma voz amiga clamando por meu nome. Voz amiga. Abandonei a infinitude do céu e voltei-me para meus companheiros de copo e vida – não necessariamente em tal ordem.
Sentei-me no banco frio, mais por hábito do que por cansaço. Malditos sejam os hábitos. Malditas sejam as convenções sociais. Malditos sejam os preconceitos. Por que impedir-me de ser feliz? Deixem-me odiar a todo em paz. Desculpem-me, minha mente está fora de sintonia novamente. Geralmente acontece. E com frequência perturbadora.
O sabor acre do fim veio, uma onda trêmula pronta para cobrir o que ousasse se transpor em seu caminho. Eu resisti. Ou desisti? Não seria eu se não o fizesse. E foi inútil. Amaldiçoei baixinho, pronto para explodir. Efeitos do copo. Mas não o fiz, sabiamente. Joguei na onda do fim, sem esperança de volta ou retorno, e deixei-me levar pela correnteza.

Quando meus olhos se abriram, eu sorri. Sorri como a muito não fazia, feliz por não saber se tudo foi apenas um sonho – ou uma memória.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Why?

Algumas observações sobre o blog:

O norest tem um novo autor: Ícaro, um grande amigo meu, escritor talentosíssimo, agora é efetivamente autor do blog, juntamente comigo. Embora nós tenhamos estilos de escrita bem diferentes, acredito que conseguiremos fazer uma interessante dupla de autores.

Também participam do norest outros autores "freelancers"; Peroba - sim, dos Perobas Facts - às vezes também dá o ar de sua graça aqui, contribuindo com seus textos. Alessandro, eventualmente, também contribui com alguns muitíssimos bons textos. E certamente virão mais autores amadores apaixonados por textos para contribuirem com o norest.

Mas por quê um blog ter mais de um autor? Porquê, além da frequencia de textos ficar muito maior, mais de um estilo textual deixa o blog muito mais interessante.

Continuem acessando, comentando, divulgando e, principalmente, lendo!

sábado, 14 de agosto de 2010

Dias de Glórias

Todos nós ja tivemos ou teremos dias de glórias, aqueles dias em que acertamos em tudo o que fasemos, e tudo parece estar ao nosso alcance, nossos cabelos ficam no lugar em que devem tar, nos sentimos grandessíssissimos fodalhões, sao esses os dias de glórias.
Os motivos que levam a tais dias são variados, dependendo muito da personalidade de cada ser que constituinte desse grande tabuleiro, personalidade essa, que determina o que cada um busca, independente que sejam, coisas materiais, espirituais, sentimentais, sexuais, etc, como por exemplo um individuo, que vamos chamar de A, com uma personalidade extremamente diferente da minha, pode buscar um carro do ano, uma casa, uma familia e uma velice dignina de pena, ja outro individuo, B com uma personalidade ja parecida com a minha tem a claresa, que estar junto dos amigos, dirijindo uma kombi, em direção as Koxinxina do Raio Que Los Parta, atrás de algumas orgías, com umas garotas sacanas, nos deixem com as costas cortadas, sangrando e com algumas costelas fraturadas, ouvindo umas musicas do Rock Rocket; ou apenas sentir novamente calor da garota que amamos e que nos deixaram nadando num lago de solidão e cheiro de bosta, sem ao menos nos dar alguma explicação, já são o suficiente pra nos trazer dias de glórias.
Mas uma coisa é certa, todos ja tivemos ou teremos dias de glórias, independente do tempo, e dos motivos para quais, pode ser que não agora, com motivos atuais, mais no futuro com outros motivos, que a maturidade do tempo os fez mudar, ou talves em casos raros, voce nunca teve ou terá, mais isso não é meu problema, porque de meu, já tenho muitos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Debaixo do Chapéu

Debaixo do meu chapéu
Com o nariz gelado
Maxicola quente...
Soando diferente

Meu chapéu tipo Bob Dylan
Me ajuda a pensar
Nos timbres e nas cores...
Da minha música

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sinceramente

As palavras me escaparam, uma a uma, quase que por capricho. Foram-se, abandonando-me justamente quando não poderiam, e lá fiquei eu, calado. O par de olhos castanho-claros continuou imbatível ao fitar-me, talvez zombeteiros quanto a meu silêncio. Vasculhei todo o meu cérebro, enxuguei toda minha mente para então achar uma pequena palavra escondida. Segurei-a com força para então apresentá-la à minha companheira:
“Oi” – Disse minha boca, falou minha voz. E esse “oi” pareceu ficar entre nós por uma pequena eternidade; ela, sem dúvidas, não quis aceitar tal palavra, e eu não a pegaria de volta, de forma alguma. Seus olhos castanhos fixaram-se em mim com perturbadora força, para então desviarem-se para a palavra que pairava perante nós. Ela hesitou um instante e acatou-a.
“Olá” – Devolveu-me ela, rápida, precisa. Um golpe certeiro direcionado a mim. E me atingiu com precisão indiscutível. Entretanto, pude seguir firme. Precisava ir mais longe, repeti para mim mesmo, mais longe. Mas como poderia ir mais longe quando seu olhar me segurava como mil algemas, prendendo-me com tamanha força que jamais poderia escapar? Ela vacilou por um instante, e então eu ataquei.
“Como vai você?” – Por essa ela não esperava. Meu contra-ataque inesperado a tinha deixado sem reação, notei. Ela processou as palavras por alguns longos segundos, para então preparar com louvor sua réplica, não sem antes tentar me prender com olhar – dessa vez escapei com eficiência.
“Vou muito bem. E você?” – Suas palavras voaram até mim, atingindo-me com um baque seco. Recuperar-me-ia sem problemas, mas ela tinha que sorrir. Ah, seu sorriso! Se seu olhar podia me aprisionar, seu sorriso me desarmava, deixava-me vulnerável. Hipnotizava-me, dominava-me, destruía-me. E ela sabia. E usava. E brincava com suas armas. Percebendo que não tinha mais chance alguma, pensei em desistir. Mas não sem antes usar minha última cartada: sorrir de volta.
“Estou bem, também.” – Respirei aliviado. Ela também pareceu, de alguma forma que não compreendo, amarrada a meu sorriso. Estávamos nós dois, grudados um ao outro na forma de um riso. Presos. Enjaulados. E, sem qualquer sombra de dúvida, apaixonados.
“Quer caminhar um pouco?” – A voz dela, doce, veio sorrateira até mim, flutuando sem pretensão até entrar em meus ouvidos. Acariciou-me como veludo, tocando-me, para então me dominar. Joguei minhas palavras, ainda um pouco trôpegas, em direção do castanho de seus olhos.
“É claro.” – Dessa vez não foram palavras, nem olhares, nem sorrisos, nem vozes que se arrastaram entre nós; foram nossas mãos. Ambas mãos caminharam com lentidão em direção uma a outra, como duas velhas amigas, para então se abraçar.
Já com mãos entrelaçadas, caminhamos sem pressa pelas árvores barulhentas em nossa volta, ambos sem a mínima vontade de entender o que estava acontecendo. Queríamos apenas viver, sem dar importância para as conseqüências. E assim fizemos. Nosso amor envolvia-nos, pairando sobre nós. Inspirávamos tal sentimento, sem a mínima pretensão de devolvê-lo.
A mão dela escapou de minha, sem aviso prévio. Quando me virei, indignado, para protestar, não tive tempo; seus braços me envolviam num apertado abraço, do qual não tinha a mínima vontade de escapar. Seus lábios vieram em direção dos meus, não sem antes deixarem escapar apenas três palavras quase inaudíveis:
“Eu te amo”.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Something about me

Venho aqui, sem eira nem beira, para dar-lhes algumas informações sobre o meu "sumiço".
Como qualquer um mais atento deve ter notado, a postagem de textos deste caríssimo blog estava ficando cada vez mais escassa. Mas digo-lhes o porquê: eu estava com problemas internetílicos, ou seja, estava sem internet, e não podia postar mais nada. Entretanto, este problema já está mais do que resolvido, e cá estou eu, de volta a luta.
Agradecimentos infinitos ao meu amigo V.F.F. por publicar alguns textos meus durante o meu tempo de retiro; e também ao meu amigo I.E.R., por corajosamente vir aqui demonstrar a nós todos seu indubitável talento com a escrito, livrando um pouco este blog da sentença: "às moscas".
Voltarei a minha frequencia de postagem normal, sendo que já tenho alguns textos preparados, então preparem-se, pois certamente mais asneira virá deste que vos fala.

P.S. Infinitos agradecimentos àqueles que ajudam na divulgação do blog, e àqueles que sempre que gostam ou desgotam de um texto, veem comentar sobre o assunto comigo; vocês não sabem, mas estes gestos são de extrema importância. Então, obrigado.

domingo, 1 de agosto de 2010

Absíntio

(Texto retirado do excelente blog http://aperteoalt.blogspot.com/, escrito por Renato Alt)

Onde esconderam-se os verbos?
Talvez não haja um que se apresente a mim, agora, disposto a ser pronuciado ou escrito. Falo o que quero do jeito que posso, com o cansaço e com as letras que tenho, e que você as leia à sua própria vontade.
Não é que não quisesse que tudo que aconteceu tivesse acontecido, e nem que queira apagar qualquer coisa da memória, até porque as tentativas apenas serviriam para frustrar e irritar.
Talvez fosse o caso de chegar até você e despejar aquilo que sinto, vomitando qualquer palavra que me viesse no chão à sua frente, deixá-la ver em que estado ficaram minhas entranhas, expor-lhe minha confusão de pensamentos e, sim, a insegurança que desde então tomou conta dos meus ossos, da minha razão, do meu alento, tranformando-me nesse covarde arredio que sou agora.
Não me faltaram conselhos, e sei que menos ainda a você. Sei que lhe foi dito um tanto de vezes que estaria melhor sem mim, e talvez esteja, de fato. Nunca fingi ser grande coisa e já não tenho mais paciência ou saúde para provar diferente. Não aguento mais os joguinhos sentimentais que só o que fazem é esconder sentimentos.
É insuportável perceber o quanto preciso de você, insuportável a eterna expectativa de ouvir sua voz, ainda que me tenha determinado a não lhe telefonar, apenas para tentar me enganar, coisa que não consigo, dizendo para mim mesmo que você é uma qualquer e tentando deixar-me convencer pelos amigos de que é louca, que não sabe o que quer, de que a vida lhe consome.
A vida lhe consome, sim. Você realmente não sabe o que quer. Traça metas e não procura qualquer estrada para alcançá-las. Mas é em sua loucura, para minha desgraça, que encontro o encanto de quem não se deixa dominar pelo dia a dia, de quem aguça os ouvidos para encontrar alguma luz na rotina massacrante, alguma música que lhe permita bailar como uma ninfa pela semana, e então perder-se em si mesma a cada noite.
Revira-me o estômago pensar em você, sinto vertingens, sinto algo obscuro vindo de algum lugar em mim que desconheço, que não faz questão de ser nominado.
Mas aqui estou eu, e aí está você, deixando, consciente, cruel, que outra vez nossas histórias confundam-se pelo caminho.
Eu a odeio com todas as energias da minha existência.
E suplico, por favor, que fique ao meu lado.