terça-feira, 17 de agosto de 2010

Smoke on the water, fire in the sky

As folhas se iam com o vento, e meus pensamentos também. Olhei a minha volta, copo na mão, e vi que devia parar de me preocupar tanto. Estávamos todos entre amigos. Alguns sorridentes, outros nem tantos, muitos exalando fumaça com incomum maestria, mas todos com copos nas mãos. Não pude impedir o sorriso que brotou em meu rosto quando percebi que estava no lugar onde deveria estar. Entre amigos. Pela primeira vez em muito, muito tempo, senti-me completamente feliz. Um outro sorriso largo apareceu em meu rosto, talvez pela piada sacana contada por um amigo não muito longe de mim, ou talvez apenas por ter amigos que sei que sempre estarão aqui, lá, acolá, assim quando eu precisar deles.
Não me incomodei quando o vento começou a castigar-nos sem piedade, nos bancos de uma praça cinzenta. Ninguém pareceu se aborrecer, também. Efeitos do copo. Ou talvez do que esteja dentro dele. O dia estava próximo de seu inevitável fim, com o imponente sol se pondo para dar lugar a uma tímida lua, que já começa a brilhar com discrição no horizonte. E cá estávamos nós, apreciando este pequeno espetáculo. Meus olhos se demoraram um pouco na mais brilhante das estrelas. Não sei o porquê, mas adoro estrelas, principalmente as brilhantes. Saí de meu devaneio assim que ouvi uma voz amiga clamando por meu nome. Voz amiga. Abandonei a infinitude do céu e voltei-me para meus companheiros de copo e vida – não necessariamente em tal ordem.
Sentei-me no banco frio, mais por hábito do que por cansaço. Malditos sejam os hábitos. Malditas sejam as convenções sociais. Malditos sejam os preconceitos. Por que impedir-me de ser feliz? Deixem-me odiar a todo em paz. Desculpem-me, minha mente está fora de sintonia novamente. Geralmente acontece. E com frequência perturbadora.
O sabor acre do fim veio, uma onda trêmula pronta para cobrir o que ousasse se transpor em seu caminho. Eu resisti. Ou desisti? Não seria eu se não o fizesse. E foi inútil. Amaldiçoei baixinho, pronto para explodir. Efeitos do copo. Mas não o fiz, sabiamente. Joguei na onda do fim, sem esperança de volta ou retorno, e deixei-me levar pela correnteza.

Quando meus olhos se abriram, eu sorri. Sorri como a muito não fazia, feliz por não saber se tudo foi apenas um sonho – ou uma memória.

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