terça-feira, 27 de abril de 2010

O Bem pelo Mal... e vice-versa

Brilhante contribuição feita por Alessandro "Sequela" ao meu humilde blog. Thanks a lot, dear friend!

Certa vez, João e sua família foram até o parque, para fazer um piquenique. Estava ele lá, muito contente, namorando com sua esposa enquanto seus filhos brincavam com alguns brinquedos que trouxeram de casa, quando, de repente, um mendigo se aproxima de João:
- Por favor, senhor. Eu estou há dois dias sem comer; o senhor poderia dar alguma comida a um pobre coitado como eu?
João, comovido com o sofrimento do pobre mendigo, deu a ele o sanduíche que acabara de abrir, e que havia apenas dado uma ou duas mordidas. O mendigo, muito contente, agradeceu e foi embora. A esposa de João, sorrindo, o gratificou pelo bom exemplo que ele havia dado às crianças. Foi então que, ao por a mão no chão para beijar a esposa, João pos a mão em um formigueiro repleto de formigas, que lhe picaram sem dó nenhum. O pior de tudo era que João era alérgico a insetos. João teve que ficar uma semana de repouso em casa, até que sua mão sarasse.
Na semana seguinte, João voltou ao parque, do mesmo modo, voltou o mendigo a lhe pedir comida. Novamente, João lhe deu o seu sanduíche, e o mendigo, agradecido, foi embora. Logo depois, sua filha mais nova caiu da bicicleta, e acabou quebrando uma perna. Novamente, João ficou uma semana em casa, sem poder sair para trabalhar, cuidando de sua filha que estava doente.
Ao voltar ao parque, o mendigo, pela terceira vez lhe aparece, pedindo ajuda. João, irritado, diz:
- Dessa vez não vou te ajudar! Toda vez que te dou de comer, algo de ruim acontece à minha família!
O mendigo prontamente respondeu:
- João... - João se espantou ao ver que o mendigo sabia seu nome, sendo que João nunca havia o contado - ... tu foste escolhido. Tu tens um dom. Toda vez que fizeres bem a alguém, algo de ruim te acontecerá. Do mesmo modo, sempre que fizer mal a alguém, algo de bom acontecerá, a ti e a tua família.
Dito isso, o mendigo desapareceu. João, muito impressionado com a história, resolveu fazer um teste. Pegou uma pedra e a atirou em uma menininha que brincava no parque. Esta, prontamente, se pôs a chorar. Segundos depois, uma mulher, de boa aparência, veio em direção ao João, e disse:
- Já faz um tempo que eu venho a esse parque, e tenho visto que você tem sempre ajudado ao pobre mendigo que lhe pede comida. Você tem um bom coração senhor. Tome esse cheque como recompensa pelas suas boas ações.
João não acreditou no que acontecera. “Então o que o mendigo disse era verdade!”, pensou João.
A partir daquele dia, João mudou sua vida totalmente. Começou a fazer pequenos furtos em mercados, a enganar senhoras que passavam pela rua, aplicar pequenos golpes e passar cheques sem fundos. E, em troca disso, só aconteceram coisas boas à sua família. Sua mulher se formou no curso de arquitetura que sempre sonhará, sua filha passou todos os anos do colégio sem tirar uma nota vermelha se quer, seu filho realizou o sonho de ser jogador de futebol, enfim, quanto mais coisas ruins João fazia, mais benefícios ele trazia à sua família.
Não demorou muito e João acabou se tornando político. Como político, ele pode aplicar golpes ainda maiores, e prejudicar ainda mais o povo. Anos depois, ele se tornou presidente. Durante os quatro anos que João esteve na presidência, o Brasil passou a pior época de toda sua história. Cada dia mais as pessoas morriam por falta de hospitais. A violência urbana tomou níveis catastróficos, e os índices de miséria no país aumentaram vertiginosamente. Enquanto isso, os parentes e amigos próximos de João ficavam cada vez mais ricos, cada vez mais felizes.
Algum tempo depois, a filha de João teve câncer de útero. Isso arruinaria o sonho dela de ter um filho. João, tentando salvar a filha, fez as maiores atrocidades no governo, mas nada parecia adiantar. Até que ele teve uma brilhante ideia. Um dia, no calar da noite, João saiu às ruas, a procura de algo de ruim para fazer. Não demorou muito e João achou um mendigo dormindo na calçada. Ele não teve a maior hesitação. Tirou um frasco com gasolina do bolso, a atirou sobre o mendigo e pôs fogo logo em seguida. O mendigo gritava e implorava para ser salvo, porém João nada fez, apenas o assistiu queimar. Foi a primeira vez que João matara alguém.
Pronto. O problema estava resolvido. No dia seguinte, sua filha havia se curado miraculosamente do câncer.
Assim se passaram anos e mais anos, até que João finalmente morreu. Chegando ao céu, João viu Jesus Cristo e Maria, sentados lado a lado. Logo que ele chegou foi começado o seu julgamento final. Não muito tempo depois, o resultado saira:
- João, você está condenado a passar a eternidade no fogo do inferno. - disse Jesus.
João, muito furioso com a sua sentença, reclamou pelo seu direito:
- Isso não é justo. Durante minha vida toda eu fui um homem bom. Eu dei a minha família tudo que ela sempre sonhara: dinheiro, saúde, sucesso... Até mesmo salvei minha filha de um câncer gravíssimo, que acabaria com o sonho dela de ter filhos!
- E para isso teve que matar alguém, não é? - Respondeu Jesus Cristo.
- Aquele mendigo não era ninguém. Logo, ele morreria de fome, ou de coisa muito pior. Ele não tinha família, não tinha amigos, não tinha nada. De nada valia a vida dele.
Nesse momento, Jesus Cristo troca sua aparência, e se revela ser o mendigo o qual João havia dado os sanduíches, há muito tempo atrás.
- Ahá! Eu sabia! Então você era aquele mendigo que eu encontrei no parque há muito tempo atrás. Você que me deu o dom de fazer o bem aos meus amigos e parentes, fazendo o mal a outras pessoas!
- Sim. Fui eu. - Respondeu Jesus.
- Viu só. Eu somente fiz o que o senhor me ordenara. E agora você esta querendo me jogar no inferno? Isso é justiça?
- Eu não te ordenei nada, meu filho. Eu te dei uma escolha. - Respondeu novamente Jesus, agora na forma de mendigo.
- Eu não entendo. Eu fiz o bem a minha família. Isso não é justo. Você queria que eu fizesse o que? Visse minha família sofrendo, enquanto eu ajudava outras pessoas as quais eu nem conheço? - Respondeu João, muito confuso com a situação.
- Meu filho, o caráter das pessoas não é medido pelo bem que elas fazem a quem elas conhecem, e sim pelo bem que elas fazem a quem elas não conhecem.
João abaixou a cabeça, e conformado, andou lentamente em direção à porta do inferno.

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