quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sympathy For The Devil

Decidi, hoje, vender minha alma ao diabo. Digo a vocês, foi uma decisão fácil. Estava entediado, sem nada o que fazer, refletindo sobre a vida, selecionando as escolhas que poderia tomar. Pensei no quê eu tinha, as coisas que eu possuía: meu vídeo-game, computador, roupas em geral, celular, família, amigos e... minha alma!
Logo imaginei a cotação atual de minha alma. Espírito bom, jovem, cheio de coisas à experimentar. Sou novo no mundo da cotação de almas, mas mesmo sem experiência, pensei que meu espírito devia valer bem. Depois, com a decisão já tomada, começaram a vir as complicações.
Como posso colocar minha alma no pregão de espíritos? De cara, percebi que no jornal não acharia nenhum anúncio “Venda sua alma já! Sem impostos, sem burocracia e advogados, sem perca de tempo!”. Perguntar a alguém também não seria algo muito inteligente “Como vai jogando o Inter? Bem, não é? A propósito, você sabe como posso vender minha alma ao diabo?”. Se perguntasse a alguém, provavelmente pararia ou num manicômio, ou numa igreja com algum pastor duvidoso. Então fiz a coisa que qualquer pessoa informada e culta como eu faria: procurei no Google.
Até achei alguns fóruns e posts em um ou outro blog, mas nada realmente satisfatório. Admito, fiquei decepcionado! Quero dizer, achei que no instante que eu decidisse vender minha’lma ao demônio, esse aparece na forma de uma loira bem gostosa, me desse uma cerveja e me fizesse sua oferta. Mas não, até para fazer um pacto demoníaco as coisas são difíceis para mim.
Fui até o telefone e, num lance de inspiração, liguei para o número 666-666. Novamente, nada. Tentei o 999-999 também, só para garantir. Nada. Eu já estava começando a ficar irritado. Corri até a lista telefônica, e lá fui para os D’s. Nenhum diabo, demônio, nem devil. No C’s nadica de capeta, nem de cão. Nos B’s, até achei um Belzebú, e após ligar para ele, fui xingado veementemente por um cara que, com sua voz fina, não parecia em nada com o demônio que eu imaginava:
-“Hey, isso não tinha graça nem na época da escola. Não tenho culpa se meus pais colocaram meu nome de Belzebú, seu desocupado!” tu, tu, tu, tu, tu.
O Belzebú desligou na minha cara.
Agora já estava muito, mas muito frustrado.
Após tantas tentativas, percebi que eu – e aposto minha alma (ops) que muito mais gente também – não tem a mínima idéia de como vender sua alma. Tentei de um jeito nada ortodoxo: criei uma conta no Mercado, e lá ofereci minha alma, com o lance inicial em cem mil reais (hey, é MINHA alma, vale tudo isso sim, beleza?). Após uma semana, nada de lances, nada. Nem do lado divino, nem do lado obscuro. Nada.
Criei então a teoria de que, na verdade, não podemos vender nossa alma, pois ela nem é nossa; nos foi alugada, ou talvez até emprestada. Mas saibam que eu ainda não desisti; continuo tentando vende-la. Até deixei uma reclamação formal no SAC do inferno, pela demora secular do atendimento.
Se um dia eu conseguir vender ela, vocês, meus corajosos leitores, certamente saberão: se alguém chamado J.S. virar um meteórico cantor, um prodigioso empresário ou um brilhante apresentador de tevê cheio de bordões sinistros, contem, quase que certamente, que a operação “Venda da Alma ao Diabo” foi efetuada com sucesso.

2 comentários:

Unknown disse...

agora que eu me liguei: J.S. pode ser Jonnathan Selliach ou Jackes Snicket. bacana :B

Jou disse...

Obrigado pelo comentário, cara Pikena!
Sim, desde a primeira vez que li Desventuras em Série (graças ao inegualável Ícaro) percebi que ambos de nós temos as mesmas iniciais. Só espero que ambos de nós também não tenhamos o mesmo final...

Postar um comentário