Perdoem-me caros, e corajosos, leitores, por não escrever nada há dois dias. Esse blogueiro que vos fala realmente não teve tempo algum neste fim de semana, então tentaria, repito, tentarei escrever algo hoje, regado a café barato e chocolate roubado.
HALLELUJAH
Por comodidade, me deixei levar pela inércia, deixe-me fluir pela correnteza. Vaguei, sem necessidade de parar; nada me prendia.
Não entendi a vida, mas, afinal de contas, quem entende? Gastei muito tempo, tempo que não volta mais, para entender que é preciso um porto para voltar, uma casa para viver. Me encontrei, mas já era tarde demais; estava sozinho, e pior que isso, estava acostumado com a solidão. Aquilo que eu sou odeia aquilo que me tornei.
Eu costumava viver de corações despedaçados, de amores caídos. Já não me satisfaço com tão pouco. Quero corações inteiros, disponíveis inteiramente à mim. Quero amores intensos, amores que durem para sempre.
Minha vida se tornou uma sucessão de erros regidos por fracassos, derrotas regidas pelo acaso. Um acaso que sempre soa imparcial em minha vida. Não sou ligado à superstições nem à religiões, mas sempre soa como se alguém estivesse lá em cima. Rindo de mim, é claro.
Há muito tempo, uma voz amiga - uma voz que nunca mais soará em meus ouvidos - me disse: "A vida não foi feita para ser entendida; foi criada para ser experimentada, pois se tivesse como objetivo a compreensão, vieríamos todos com manual de instruções." Nunca compreendi. Nem hoje compreendo. Tenho que por mania buscar o entendimento, e tudo que foge de minha compreensão me irrita.
Eu, até hoje, gostava de minha solidão. Era escura e gélida, obviamente, mas nunca me decepcionaria; a decepção é algo que vem apenas da onde existe expectativas, e a solidão já é a luz no fim do túnel, o fundo do poço. A solidão, por mais contraditório que isso soe, nunca me deixou sozinho. Não importa o quão sozinho eu estivesse, me restava a solidão.
Mas hoje acordei diferente de ontem, diferente de sempre. Acordei com algo muito fora de meu comum. Soube, então, que a solidão tinha me deixado. O que resta a alguém quando até a solidão o deixa? Estou sem respostas.
Sei exatamente aonde estou: estou perdido. Aquilo que eu sou odeia o que me tornei.
E cá estou eu, reclamando comigo mesmo. Sou o único que não pode me ajudar, pois já me cansei de mim mesmo. Já quebrei os meus limites, já burlei as minhas regras.
A última a restar, soube eu, é a esperança. Talvez seja isso. Talvez quando a solidão vá embora, sobre - mesmo que inutilmente - a esperança. Vou procura-lá. E serei o mais feliz se a acha-lá, porquê não há nada mais destruidor que o vazio.
domingo, 4 de abril de 2010
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2 comentários:
When you don't know where you are going, any road will take you there -Lewis Carrol
Então, estar perdido também é caminho ;)
Minha querida Pikena, estar perdido sempre foi o meu caminho. ( Até literalmente, se lembra?)
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