Fiz aquilo que deveria fazer, te amei do jeito que deveria de amar, do único jeito que posso: da minha maneira. Minha desajeitada e patética maneira, mas sempre foi tudo que tinha para oferecer. E você sempre o retribui, de bom grado. Me viciou em algo que não posso esquecer, algo que não pode ser simplesmente apagado; me viciou em teu amor. Meu nutriu sem fim, encheu minha alma de você, me acostumou com teu toque, me apaixonou pela tua voz. Mas você, é claro, tinha que ir. E você foi, me deixou só, restando-me justamente a tua falta, o teu vazio. Eu, literalmente, desaprendi a viver sem você.
Como fênix, não tive escolha; tive que ressurgir através das cinzas. Tive que reaprender a viver sem tua presença, sem teus recados, nossos segredos, nossas risadas. Ainda tenho muito que aprender. Às vezes me pego pensando em certo momento, me pego relembrando tal ato. E desabo, caio aonde jamais deveria ter saído. Por tua culpa, exclusivamente tua culpa, quebro minhas regras, desarmo minhas próprias armas. Armas que eu mesmo apontei para mim no instante que escolhi – e eu tive escolha? – de te amar. Por que você tinha que ir, por que você teve que ir?
Me sobrou apenas uma coisa, a lembrança dos nossos mais dourados dias. A memória de tudo aquilo que passou, de tudo aquilo que vivemos juntos. Juntos, apenas eu e você. E o vazio que em mim habita, certamente rindo de meu fracasso, consome o que ainda restou de mim, só esperando eu voltar das cinzas para lá me jogar de novo.
Me perguntaram se eu tinha esperança. É claro que não tenho, pois esperança é para aqueles que têm fé, e a minha já perdi a muitas esquinas atrás. Sou um pecador num mundo sem pecados, um covarde num mundo de corajosos; perdido num mundo em que não dá para entrar. Você está saindo da minha vida, e parece que vai demorar. E só eu sei o quanto.
Lutar para te esquecer é inútil, te esquecer sem lutar é improvável. Tão improvável quanto você voltar para a minha já esquecida vida. Mas não volte, nunca mais. Não posso te perder novamente, nem que para isso eu tenha que te ganhar. Te perder é um preço alto demais, um preço que não estou disposto – e nem poderia – pagar novamente. Então não volte. Só se lembre, e chore uma lágrima por mim, porque todas as minhas já ofereci à você. Se lembre e sorria, sorria todos aqueles sorrisos que você tirou de mim. Se lembre do quanto e por que você me amou, e só então perceba o quanto você errou.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
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