Estava quente e eu estava ansioso. É assim que eu posso definir o primeiro dia que passei com vocês. O primeiro de muitos. No total, três anos de alegrias, risadas, provas, trabalhos, companheirismo, cola, tudo o que uma turma implica. Mas voltando para o primeiro dia, eu estava com muito medo. Tinha perdido todos os colegas que sempre tive, e agora ganhava, para meu temor, uma turma completamente desconhecida. Será que eles vão me odiar? Caçoar de mim? Será que eles falarão comigo? Serão eles meus amigos?
E eles foram. Cada um me conquistou de uma forma peculiar, diferente, totalmente nova. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” Acho que desde o primeiro dia eu soube que encontraria no colégio mais do que livros e cadernos. Na escola encontraria amigos. E não apenas amigos temporários, aqueles que só lhe conhecem para festas e diversão. Na T1 achei amigos que seguraram minhas lágrimas, e se falhavam, davam-me ajuda para enxugá-las. Amigos que, caso eu caísse, seriam os primeiros a me levantar. Amigos que mudaram o que eu sou e o que eu serei.
E foram os três longos anos mais rápidos de minha vida. Nunca me esquecerei dos jogos de futebol do primeiro ano, do Link, Marcel, Fabiano e suas loucuras, da queda na sala de história, das aulas de desenho chatíssimas, da timidez de cada um que, pouco a pouco, foi se indo para dar lugar a confiança. E foi no primeiro ano ainda, quando todos nós éramos crianças, que aprendi a conviver com as peculiaridades de cada um. Aprendi a respeitar cada um, a gostar de cada um. E foi ali, nas salas baforentas e entediantes, que descobri que amava minha turma.
Já no segundo ano, não éramos mais “cabaços”. Estávamos crescendo. E agora biologia, química, eletricidade, não eram um passeio no parque; a corda estava apertando, e para infelicidade geral, tivemos que estudar. Nunca me esquecerei dos porres com meus amigos, dos intermináveis debates sobre Tibia, do carinho que recebi de cada um quando passei pela pior fase da minha vida. Fabiano, uma figura, abandonou-nos nesse ano. Peroba, a lenda que respira, entrou em coma no colégio. O “Cantão” foi desfeito ou ampliado, ninguém sabe. O segundo ano deve um gosto pungente de juventude, de imortalidade de infinitude.
E então chegou o para muitos o último ano de T1. E, sem sombra de dúvidas, o melhor ano de todos, o melhor de minha vida. Já não éramos mais aquelas crianças que se conheceram dois anos atrás; agora somos homens e mulher, mais velhos e melhores, e com um conhecimento amargo: no final de 2010, a T1 acabaria. Mas foi tão rápido, tão incrível e dourado, que mal tomamos conhecimento de tal informação. Ninguém parecia querer tocar no assunto, aliás, ninguém queria pensar no assunto. Ninguém queria a despedida. Mas ela chegou.
Não estávamos preparados para isso. Quero dizer, depois de três anos nossa união parecia eterna. A perfeita turma imperfeita, que na confusão, tornou-se a melhor. Imprescindível no meu dia, em minha vida. Setembro, outubro, novembro... Dezembro. E chegou dezembro, e nos disse algo que desde o primeiro dia de março de 2008 sabíamos: que nós teríamos que nos separar. Embora haja o quarto ano, nem todos o farão, e cada um fará uma falta tão imensa e dolorosa que assusta. Digo agora, com toda a verdade que tenha, com cada fibra da minha existência: esses três anos com vocês foram os melhores de minha vida, e embora tenha havido tantas percalços, não os trocaria por nada. Perdi colegas, ganhei amigos. E mesmo se ficar sem vê-los por dia, meses ou anos, sei que assim que precisar vocês serão os primeiros a me levantar quando cair, sem nem pestanejar. Os anos da minha adolescência nunca serão esquecidos por conta de vocês, que os tornaram tão especiais. Só... Só não saíam de minha vida, OK? Porque juro que lutarei com todas minhas forças para mantê-los todos vocês perto de mim. E só me sobra algo a dizer: amo vocês. E agradeço a cada um de vocês por cada instante que passamos juntos, por cada risada que me proporcionaram. Obrigado, com todo o meu coração, T1. “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja eterno enquanto dure.”
sábado, 11 de dezembro de 2010
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3 comentários:
Lagrimas invadem meus olhos toda vez que leio alguma coisa sobre a nossa turma, e pode ter certeza, tudo estará guardado eternamente, e todos que não se fizerem presente ano que vem, vai fazer uma falta do caramba. amo muito vocês
foi um presente ter vivivo tres anos nessa história, e como toda boa história, vai ficar gravada em algum lugar. seja nos nossos corações, seja no muro que pulamos várias vezes, seja no vento de verão que marcou o inicio de tudo... amigos até depois do fim
Eu não gosto de fins. Fins são absolutos, irrevogáveis. Prefiro recomeços. Um recomeço é tão melhor que um fim, não é? Por isso agora vejo que nossa turma - e, principalmente, nossas amizades - não terão um fim: apenas recomeçarão. Que seja em um plano que nunca aconteceu (morar junto, fugir pra Paris), que seja num desabafo de madrugada, numa lágrima hesitante, em pequenas grandes coisas. Amo vocês, e creio que esse já é o melhor dos recomeços.
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