Ela envolveu a si mesma com seus braços, quase como em um demorado abraço. Suspirou profundamente, um pouco entediada com a aula que assistia, um pouco confusa com a vida que vivia. Seus olhos voaram à sua mão esquerda, em busca do horário. Quase. Ela já começara a guardar os materiais em sua bolsa quando o estridente ring soou. Então a garota de cabelos negros e cheiro almíscar ergueu-se com graça de sua classe, e avançou com leveza pelos corredores, cabeça baixa, olhos erguidos. Demorou-se por um momento observando o imundo banco a sua frente, mas enfim sentou-se, sozinha. Sozinha. Por que seus olhos são tão tristes, garota, por quê?
Embora sua cabeça continuasse baixada e coberta por um capuz, o qual escondia seus cabelos cor da noite, a garota mostrava-se uma observadora perspicaz; seus olhos, vez ou outra, perseguiam alguém que ela considerasse digno de atenção, mas nunca passavam disso. A garota de cheiro almíscar brincava displicente com um fio de seu casaco quando o garoto de olhos castanhos aproximou-se dela. Ele sentou-se ao seu lado, nem dizer uma palavra sequer. E assim ficaram por longos minutos. A garota, primeiramente, tentou simplesmente ignorá-lo, mas falhou; ele, assim como todos os outros, a irritava. Ela também não sairia dali repentinamente, pois assim sentir-se-ia derrotada por aquele importuno – e corajoso – garoto que ousou cruzar seu caminho. O garoto de olhos castanhos, porém, sentia-se muito tranquilo, e iria terminar o que começou a qualquer custo; havia algo fascinante com aquela garota. Por que seus olhos fogem dos meus, garota, por quê?
O silêncio permaneceu entre os dois, conciso, absoluto. A garota continuava a ignorar o castanho-claro dos olhos que a fitavam, e o portador desses olhos mantinha-se olhando, fascinado, para a garota ao seu lado. Ela pensava, quase como um mantra: “ele irá embora, ele irá embora, ele irá embora”. Ele não foi. O garoto, enquanto olhava, de soslaio, o par de olhos vivos escondidos por uma cortina de cabelos negros, pensava: “uma hora ela irá desistir e então falará comigo”. Ela não desistiu. Por que seus lábios não me dão um sorriso, garota, por quê?
Já haviam se passado dez minutos, logo faltavam apenas cinco para ambos jovens arrastarem-se de volta para suas salas de aula. O momento das últimas cartadas, das considerações finais. De um lado do banco, a campeã: a garota-que-quebrou-seu-coração-e-prometera-nunca-mais-quebrar, lutando com astúcia para ignorar seu adversário. Do outro lado do banco, o desafiante: o garoto-de-olhos-castanhos-que-sentiu-se-fascinado-por-uma-garota, batalhando apenas para descobrir um nome, e talvez com sorte, um telefone. Com a iminência do fim do round, o garoto largou a cautela e disparou um singelo “Olá.”. A garota estremeceu. Olhou-o com o canto dos olhos, e só então notou que a cor de seus olhos era castanha. Ela adorava olhos castanhos. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. O tempo passava sem pausa, e os corações de ambos batiam apressados. Um com esperança de receber um nome, e talvez com sorte, um telefone; outro com a tensão da indecisão, com a dor de um amor perdido, com a proximidade de um contato. Finalmente, o olhar dos dois se cruzaram. Nenhum ruído era audível naquele momento, exceto, talvez, o farfalhar das árvores sobre a cabeça dos dois jovens. Silêncio, apenas silêncio. Por que seus braços não me seguram em um abraço, garota, por quê?
Por fim, foi só silêncio. Acaso, destino, fatalidade, nunca se saberá. O que houve foi uma garota de cabelos negros e cheiro almíscar olhando para um garoto de olhos castanhos, garoto que disse “olá” e que queria um nome, e talvez com sorte, um telefone. Depois houve um ring estridente, e fileiras de jovens caminhando desanimados na direção de suas salas, e um garoto de olhos castanhos abandonando uma garota de cabelos negros em um banco imundo. A garota ainda murmurou, baixinho: “Olá”. Ele nem ouvi. Ela suspirou profundamente, envolveu a si mesma com seus braços, e então se foi, caminhando sem pressa, para alguma aula entediante qualquer. Por que você se foi, garota, por quê?
Embora sua cabeça continuasse baixada e coberta por um capuz, o qual escondia seus cabelos cor da noite, a garota mostrava-se uma observadora perspicaz; seus olhos, vez ou outra, perseguiam alguém que ela considerasse digno de atenção, mas nunca passavam disso. A garota de cheiro almíscar brincava displicente com um fio de seu casaco quando o garoto de olhos castanhos aproximou-se dela. Ele sentou-se ao seu lado, nem dizer uma palavra sequer. E assim ficaram por longos minutos. A garota, primeiramente, tentou simplesmente ignorá-lo, mas falhou; ele, assim como todos os outros, a irritava. Ela também não sairia dali repentinamente, pois assim sentir-se-ia derrotada por aquele importuno – e corajoso – garoto que ousou cruzar seu caminho. O garoto de olhos castanhos, porém, sentia-se muito tranquilo, e iria terminar o que começou a qualquer custo; havia algo fascinante com aquela garota. Por que seus olhos fogem dos meus, garota, por quê?
O silêncio permaneceu entre os dois, conciso, absoluto. A garota continuava a ignorar o castanho-claro dos olhos que a fitavam, e o portador desses olhos mantinha-se olhando, fascinado, para a garota ao seu lado. Ela pensava, quase como um mantra: “ele irá embora, ele irá embora, ele irá embora”. Ele não foi. O garoto, enquanto olhava, de soslaio, o par de olhos vivos escondidos por uma cortina de cabelos negros, pensava: “uma hora ela irá desistir e então falará comigo”. Ela não desistiu. Por que seus lábios não me dão um sorriso, garota, por quê?
Já haviam se passado dez minutos, logo faltavam apenas cinco para ambos jovens arrastarem-se de volta para suas salas de aula. O momento das últimas cartadas, das considerações finais. De um lado do banco, a campeã: a garota-que-quebrou-seu-coração-e-prometera-nunca-mais-quebrar, lutando com astúcia para ignorar seu adversário. Do outro lado do banco, o desafiante: o garoto-de-olhos-castanhos-que-sentiu-se-fascinado-por-uma-garota, batalhando apenas para descobrir um nome, e talvez com sorte, um telefone. Com a iminência do fim do round, o garoto largou a cautela e disparou um singelo “Olá.”. A garota estremeceu. Olhou-o com o canto dos olhos, e só então notou que a cor de seus olhos era castanha. Ela adorava olhos castanhos. Tic-tac, tic-tac, tic-tac. O tempo passava sem pausa, e os corações de ambos batiam apressados. Um com esperança de receber um nome, e talvez com sorte, um telefone; outro com a tensão da indecisão, com a dor de um amor perdido, com a proximidade de um contato. Finalmente, o olhar dos dois se cruzaram. Nenhum ruído era audível naquele momento, exceto, talvez, o farfalhar das árvores sobre a cabeça dos dois jovens. Silêncio, apenas silêncio. Por que seus braços não me seguram em um abraço, garota, por quê?
Por fim, foi só silêncio. Acaso, destino, fatalidade, nunca se saberá. O que houve foi uma garota de cabelos negros e cheiro almíscar olhando para um garoto de olhos castanhos, garoto que disse “olá” e que queria um nome, e talvez com sorte, um telefone. Depois houve um ring estridente, e fileiras de jovens caminhando desanimados na direção de suas salas, e um garoto de olhos castanhos abandonando uma garota de cabelos negros em um banco imundo. A garota ainda murmurou, baixinho: “Olá”. Ele nem ouvi. Ela suspirou profundamente, envolveu a si mesma com seus braços, e então se foi, caminhando sem pressa, para alguma aula entediante qualquer. Por que você se foi, garota, por quê?

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