Mesmo esse texto já ter causado polêmica interna antes de ser postado, corajosamente o farei. Bom, ele realmente ainda não foi escrito por completo, e a minha ideia inicial é completar ele com a ajuda de comentários e/ou xingamentos à minha pessoa. Pra quem já leu o que eu escrevo, conheçe meu singular estilo, mas pra quem ainda não o fez, tente, pois mal talvez faça, mas e daí, quem se importa?
Capítulo 1 - A rosa
Respirando o frio ar da noite, olhei para cima e vi uma cintilante lua cheia. Ela brilhava solitária, quase sorrindo para mim. E eu sorri de volta. Sentei-me no cinzento banco a minha frente, e apreciei a vazia praça ao meu redor. As belas árvores, que durante o dia proporciona a todos sombra e ar fresco, a noite davam um tom sinistro ao lugar, com suas silhuetas grandes e estranhas formas. Chequei meu relógio, e os ponteiros marcavam precisamente 19h57min, quase o horário combinado. Sempre gostei de chegar em meus compromissos – e principalmente encontros – no horário, mas tomei precauções especiais nessa minha saída noturna com Marian, a mulher de minha vida. Como posso estar tão certo disso? Não tenho a mínima idéia, apenas sei.
Tentei inutilmente ajeitar meus rebeldes cabelos, que insistiam em ir para todos os lados. Não sou exatamente o tipo de cara bonito que atraem todos os olhares, mas sei – e sinceramente espero – que tenho meu charme. Não o tipo de charme ortodoxo, mas é meu charme. Meu cabelo negro quase sempre caia sobre meus olhos, obrigando-me a colocar minha franja por de trás das orelhas. Assim como meus cabelos, meus olhos eram estranhamente negros, como o breu de uma chuvosa noite. Não sou do tipo atlético, mas sou magro e alto, esguio. Para aquele especial encontro tentei ajeitar de alguma maneira meu cabelo, o que transformou em uma espécie de espantalho punk. Usava calça jeans escuras, e uma neutra camisa preta de banda. Era possível, sabia eu, sentir o cheiro de meu perfume Kaiak de longe, mas não me importei. Marian adorava meu cheiro. Olhei para a já pálida rosa em minha mão direita, e uma onda de alegria percorreu o meu nervoso corpo.
Logo após meu relógio marcar 20h00min, pude ver Marian vindo pelo esverdeado corredor de praça que nos separava. Seu nada mais que perfeito cabelo castanho caia livre sobre seus ombros, lisos, iluminados. Seus enormes olhos negros, assim como os meus, se sobressaiam sobre sua branca pele, ofuscando quase tudo ao redor. Ela usava um elegante vestido acinzentado, que marcava as sinuosas curvas de seu corpo magro. Sua pequena bolsa negra vinha colada a ela, quase a abraçando. Mas o que eu mais gostaria de ver nela, seu resplandecente sorriso, não estava lá. Seus rosados lábios estavam crispados, sem movimento.
Ela chegou até mim, e então me levantei de sobressalto. A tomei em um apertado abraço, o qual ela retribui sem muita emoção. Eu estremeci. Será que ela estava ali contrariada? Eu não tinha idéia do quanto eu estava certo.
Ela sentou-se ao meu lado, e esboçou um sorriso quando eu timidamente entreguei a rosa para ela.
“Nathan, você não precisava! Você é um amor, sério!” Beijou-me na face. Lutando para não corar, disse para ela:
“Você merece!”- Procurei, mas não achei o seu sorriso lá.
Ela estava estranhamente quieta, coisa que nunca foi. Senti falta de sua voz, e resolvi puxar assunto.
“Você está linda essa noite, sério. Se eu fosse essa rosa, teria vergonha de estar perto de ti.”- Sua pálida face tingiu-se de vermelho.
“Para com isso. Você também está bem com essa camisa do, como é que é, AC/DC?
Eu ri. Um “Nossa, você também está maravilhoso, Nathan!” certamente me faria melhor, mas havia algo com ela essa noite. E algo de errado comigo todo o instante que passava com ela. Então eu disse:
“Eu adoro essa banda!”
“É, eu sei.” – Disse Marian, sua voz baixa soando como um sussurro.
Quando já estava se tornando constrangedor, um alto ruído quebrou o silêncio: o celular de Marian. Ela perceptivelmente estremeceu, e o terror dominou sua face. O sinal de alerta tocou em minha cabeça. Tinha algo errado, muito errado com meu anjo.
Ela leu uma mensagem de texto, e o meu respeito me impediu de espiar por cima de seu ombro a tela de do celular – e consequentemente seu decote. Ela tremia quando se levantou, medo em sua face, e então me disse:
“Eu realmente não queria faltar ao nosso encontro, Nathan. Sério. Mas eu tenho que ir, agora.” – Ela já estava saindo quando eu delicadamente a segurei, e disse:
“O que está acontecendo com você? Quero dizer, você está apavorada! Você sabe que não importa o que seja, você pode contar comigo!”
“Eu só... Eu queria, mas não posso contar. Talvez...” – Ela hesitou. E após um longe segundo, puxou de sua bolsa um pequeno bloco, começou a escrever, e após alguns segundos, dobrou-o e o entregou para mim.
“Isso talvez seja um erro. Bom, isso é com certeza um erro. Mas eu não posso te contar agora, não aqui.” – Ela olhou desconfiada para todos os lados, talvez com medo que os bancos pudessem nos dedurar.
“E eu tenho que ir agora.” – Ouvi, e quando fiz menção de falar, ela me interrompeu:
“Nada de perguntas, agora não é hora. E, só pra constar, eu te amo.”
Encostou seus lábios nos meus, e me deu, de leve, um beijo. Fiquei extasiado lá, e só quando ela já estava longe, pude ver seu maravilhoso sorriso em seu rosto, ofuscando até a mais brilhante das luas, transformando a escuridão daquele lugar em luz; um verdadeiro sol da meia-noite.
terça-feira, 30 de março de 2010
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1 comentários:
quero mesmo ver esse livro PRONTO!
mesmo que seja daqui alguns anos.
:o)
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