Às vezes me pergunto o quanto errado eu estou. O quão longe das fronteiras eu fui, quantos limites eu passei, quantas regras quebrei. A resposta que vem da minha consciência interior, aquela que gosta de me derrubar, e é sempre a mesma: mais do que deveria, meu caro, muito mais do que deveria. Só então percebo todas as coisas ruins que fiz, todas as lágrimas que provoquei. Por mais errado que isso parece, eu não me arrependo; eu só... eu só me sinto errado. Só me sinto cada vez menos eu. Cada vez que peco – pois sim, sou um pecador que não crê em pecados – perco um pequeno pedaço da minha humanidade, um pedaço que não volta mais. Mas, no final das contas, o que há de bom em ser tão humanizado? Se descobrirem, por favor, me avisem, pois desejo muito saber. Quero saber por que todos lutam até o fim para se manterem normais, humanos. Por que nunca desistem de se manterem tão normais. Eu nunca fui normal, e nem tive que lutar para isso.
Certa vez, a mesma pessoa que escreve isso, escreveu: “A última a restar, soube eu, é a esperança”. Estamos todos dispostos a acreditar àquilo que gostaríamos de acreditar. Naquele momento, quem escreve isto estava pronto, preparado para acreditar que ainda restava esperança. Agora sei que ela já foi embora, me deixando com a pior pessoa do mundo; eu mesmo. Tiro, como injusta conclusão, que a canção continua a mesma. Talvez a música nunca tenha mudado. Talvez...
Desculpem-me por lhes fazer ler algo tão escuro, sombrio. Todos procuram felicidade, num texto ou num abraço. Mas eu realmente não posso estar feliz sempre, e não a possuindo, não posso compartilhá-la. Perdoem-me por lhes informar isto, mas o mundo não é apenas colorido, ensolarado e alegre; é proporcionalmente cinzento, obscuro e triste. Cabe a nós escolher o lado que queremos viver. Mas mesmo vivendo em um, não podemos simplesmente ignorar a existência do outro.
Outro fator que insisto em ignorar: a fé. Não consigo ser crente, simplesmente não consigo. Fé não é algo que se adquire prontamente, como um produto em uma loja qualquer; é obtido através do tempo, como uma semente a ser regada diariamente. E como seria bom se eu tivesse fé! Como seria maravilhoso se eu simplesmente pudesse acreditar, sem questionar! Acreditar sem saber o porquê, sem imaginar o que há por trás. Acreditar, simplesmente acreditar, por fé. E cá estou eu sonhando acordado novamente. Não, meu caro, você não tem fé, aprenda a viver com isso.
Já fui longe demais. Já cheguei aonde deveria – insisto em reafirmar que nosso “dever” está muito longe de nosso “querer”. Cuide das fronteiras de sua razão, pois elas foram feitas – feitas justamente por você – para lhe proteger de ti mesmo. Elas não têm guardas, nem placas, nem avisos; você pode tropeçar nelas, olhar para trás, e só então perceber, tarde demais: é um caminho sem volta.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
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3 comentários:
"Cuide das fronteiras de sua razão, pois elas foram feitas – feitas justamente por você"
Jou, post bem minuncioso e, porquenão, delicado este. tu tem razão em tudo o que disse. sobre o caminho sem volta, todos são. não podemos modelar nosso passado de qualquer maneira, mas podemos modelar o futuro, que virá a ser nosso proximo passado, começando por, agora. (: grande post, abração :D
É, muito bom. Realismo até a veia. Eu gosto disso. Odeio pessoas que ficam tentando enganar à si mesmas.
Realistmo é bom, mas não em doses overdósicas. Como já disse o mestre Renato Russo: "Enganar a si mesmo é sempre a maior mentira."
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