Àqueles que estiveram, estão e estarão lá comigo, não importa a ocasião
“Só mais um gole, cara!” – A voz que vinha até mim parecia ter ecoado através de mil universos, mas no final das contas era apenas uma voz amiga, bem a minha frente, me encorajando a fazer algo que minha decência inibiu. E eu, sem ao menos lutar, a obedeci.
O gosto pungente da bebida descia selvagem pela minha garganta, trazendo consigo fogo e gelo, dor e paz. Minha mente já não estava comigo; estava muito, mas muito longe, num perigoso jogo de esconde-esconde, do qual o prêmio final seria minha consciência.
Abri meus olhos, e as luzes dançavam perante mim, disformes e incompreensíveis, a cada instante parecendo cintilar mais. Então eu sorri. Havia mergulhado em um mar de serenidade e calmaria, e de lá não gostaria de sair, ao menos não tão cedo.
Em minha boca ainda imperava o gosto de tabaco barato, ainda que o sabor do álcool causasse uma batalha ferrenha de sentidos, em mim. Tão confuso e tão claro, tão complexo e tão simples; não havia – e momentaneamente pareceu – que nunca houve espaço para infelicidade.
A sombra da noite decaia solenemente sobre as faces sorridentes de meus amigos. Sorri novamente, apenas para reafirmar aquilo que eu já sabia: estava no lugar certo, com as pessoas certas. Àquela altura, o mais perfeito era o conhecimento da opção de nada jamais acabar.
“Só mais um gole!” – E o mantra gerou uma onda de ações já premeditadas: copos cheios novamente, e num golpe sincronizado, todos ingeriram o líquido que a todos trouxe felicidade.
A chuva fina que caia naquela noite formava uma pequena camada brilhante sobre todas as superfícies, até sobre os bagunçados cabelos de meus companheiros de boêmia. Até sobre o casaco preto que em meu ombro insistia em ficar, não importava o quanto eu balançasse.
“Só mais um gole!” – As sentenças injuriadas, as piadas não entendidas, as promessas ditas, as concessões feitas; um corpo dormente, um olhar embaçado, uma mente voando, um copo quebrado.
“Só mais um gole!” – O momento era perfeito, a noite era perfeita, o mundo era perfeito, a vida é perfeita. Sem excessos, nem exceções. No final das contas, só queria, e só precisava, de mais um gole.
sábado, 19 de junho de 2010
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3 comentários:
Nao posso deixar de comentar esse post, sao momentos assim que me motivam a levantar a cabeça, lembrar que ter amigos e desfrutar de momentos como esses nao tem coisa melhor.
(Chucky)
Obrigado pelo comentário, caro Palacius (ou Chucky, whatever)
E obrigado, também, por muitas vezes estar lá, e por de forma indireta ou não, fazer parte deste texto.
eu vejo um clube dos canalhas, e suas viaturas, e uma loira gostosa
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