terça-feira, 25 de maio de 2010

Don't you cry no more

Textos escrito por J.S., eu, dia 23/05/2010, das 22:42 até 23:28

Minha vida está indo, cada vez mais, para caminhos difíceis, escolhas irrevogáveis. Quando eu a vi indo – e eu sabia que seria a última vez que a olharia – percebi o real peso da minha decisão. Não sei ao certo se arrependimento era o sentimento que eu sentia, mas só soube de uma coisa: era extremamente doloroso. O habitual nó em minha garganta apareceu quase que em perfeita sincronia com a primeira de muitas lágrimas que me lavavam, tentando inutilmente levar tudo embora, como em uma enxurrada. Não tive muitas escolhas além de me afogar em memórias doces, e como um bom covarde, deixar a dor passar. Olhei para onde outrora ela estivera, fazendo aquele sorriso que apenas ela sabia fazer, e a saudade me cobriu, solenemente, ocupando o lugar que antes existia somente amor.
Dias após dia, eu me enganei da melhor forma que pude. Como já disse, a verdade é uma mentira fácil de acreditar. Minha mentira, sem dúvidas, não era fácil, mas só eu sabia o quanto era conveniente para aquele que, mesmo não tendo nada a jogar, foi o único que perdeu tudo: eu. Me menti de tamanhas formas, de tantas maneira e tamanha vezes, que no final das contas, já nem sabia mais o que era verdade. A desilusão só existe para criar outras realidades, mais cômodas. E eu usei minha ilusão. Embora meus olhos possam ver, ainda sou um homem cego, embora minha mente possa pensar, ainda sou um homem louco.
Porém, quando me dei conta, os dias já haviam se tornado meses. Já não existia mais nada além de memórias, recordações e, indubitavelmente, dor. Dor que só eu sabia de onde provinha. Dor que ninguém entende porque eu sofria. Sofri calado, pois sabia que se falasse, denunciaria que ainda existia algo em meu coração. Meus sentimentos nunca foram embora, apenas foram guardados, calados, interditados com todas minhas forças. Em vez de te guardar embaixo do travesseiro, te escondi em uma caixa empoeirada logo abaixo da minha cama. A questão é que eu nunca lhe perdi; foi só foi embora. Sem culpas, sem rancores, nosso acordo parecia infalível. Parecia.
Eu vou seguir em frente, pois sei que haverá paz quando tudo acabar, quando eu colocar minha cansada cabeça para descansar, quando não houver mais lágrimas.

2 comentários:

Dante Liontári disse...

e assim vivem os bravos

Jou disse...

E assim nascem os heróis...
Isso nunca foi uma escolha; sempre foi uma condição.

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