O sol brilhou para mim, como de praxe. Todos os dias, ele brilhava para mim, não exclusivamente, nem unicamente, mas quase que constantemente, como um recado; não importa o que aconteça, ele continuará brilhando para mim. Infelizmente, nem ele conseguiu ofuscar ou preencher o incompreensível vazio que crescia exponencialmente dentro de mim. Um vácuo onipresente no meu corpo, que me dominava, me imperava. Por mais que me concentra-se em manter as aparências, sabia eu que ele ainda estava lá, quase que um desconfortável recado de meu passado. Pois foi meu passado que trouxe esse vazio para dentro de mim. Minhas escolhas erradas, minhas decisões confusas. Como vou culpar alguém, se o único culpado fui eu?
Não tive tempo para reflexão, nem novas chances; quando eu me dei conta, já estava ferido, com o mais profundo vazio cravado em minha alma. Mas, no final das contas, será que ainda tenho minha alma? Até porque eu a dei a alguém – aquele alguém que nunca mais verei o sorriso, nunca mais receberei um abraço – e esse alguém não me deu a sua de volta. Será, então, esse vazio a falta de uma alma, a perca de uma razão? Novo e de novo, eu não sei. São só perguntas sem respostas, momentos de compaixão. Como vou culpar alguém, se o único culpado fui eu?
Só alguns, até agora, perceberam o quão quebrado eu estou. Apenas aqueles que realmente me conhecem – alguns me conhecem melhor do que eu mesmo – conseguiram notar que já não sou o mesmo. Aquele que eles conheceram, aquele por quem acharam amor ou amizade, afeto ou paixão, já se foi há muito, muito tempo. Se perdeu aonde já não pode mais ser achado: dentro de si mesmo. O que sou agora? Novamente, não sei. Um híbrido do que fui e do que serei, talvez. As mudanças são nada mais do que nossos desejos, anseios e medos transformados em nossas ações. Como vou culpar alguém, se o único culpado fui eu?
Há cura para essa minha doença inexistente? É claro. A questão da minha cura não é o quê, e sim quem. Quem teria coragem o suficiente para entender, gostar e amar alguém quebrado, que está condicionado com a dor? Quem seria forte o bastante para juntar os meus pedaços, para tentar afastar a neblina invencível que eu trouxe para mim? Se existe, esse alguém seria minha cura indubitável. Seria aquele alguém que me traria luz, não como o sol, que traz luz a todos; essa minha cura me iluminaria com exclusividade, sem hesitação: me traria, depois de tanto tempo, amor.
Como vou culpar a mim mesmo, se o único que não teve culpa fui eu?
quinta-feira, 13 de maio de 2010
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