Hoje, dia 8 de maio, o segundo domingo desse mês, é um dia especial, com milhares de pessoas comemorando ao redor do mundo. Como todos sabemos, hoje é o dia do orgasmo. Brincadeiras a parte, hoje é o dia das mães, o dia que homenageia àquelas que corajosamente nos colocaram no mundo. Então eu, humildemente, escreverei um post em homenagem a todas as mães do mundo, até porque eu sou, literalmente, um filho da mãe!
A tendência é que, quanto mais crescemos, mais amadurecemos e evoluímos. Mas mesmo amadurecidos e evoluídos, sempre haverão algumas questões insolúveis. E um desses mistérios é, sem dúvida, como é que alguém consegue abdicar grande parte de sua vida para ter um filho? Eu – felizmente – jamais poderei responder essa questão, até porque é fisicamente impossível eu ser mãe. Mas eu observo, e amo, muito minha mãe, então escreverei uma lista de coisas que pensamos que estão acontecendo, e o que realmente está acontecendo. Uma viva à todas as matriarcas, que mesmo com o mundo caindo sobre suas cabeças, lutam para manter tudo bem – nem que esse tudo seja só as aparências – por um único motivo: a felicidade alheia. Então, reflitão:
O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ ACONTECENDO, E O QUE REALMETE ESTÁ
1 aos 2 anos: O que você pensa: Tudo é tão novo, cada sensação é especial. Não importa o quão tarde seja, ou o quanto frio esteja, é só você chorar que aparecerá ela para te socorrer. Não se sabe realmente quem ela é, mas já se sabe que ela é a pessoa que você mais ama no mundo. Mas também, como não amar aquela que te amamenta, que canta até você dormir, que lhe protege de tudo e todos? O mundo é maravilhoso. O que realmente está: Tudo é tão novo, cada coisa é tão diferente. A vida mudou completamente para a mãe. Agora existe uma pequena vida que depende exclusivamente de você, que por qualquer mínimo erro seu, pode sofrer as conseqüências. Seus olhos quase fecham, pela primeira vez na noite, mas não houve tempo; o agudo som de um choro ecoa através do quarto. A vontade é de tocar uma almofada nele e voltar a dormir. Mas não, o instinto materno fala mais alto, muito mais alto. Como alguém pode não gostar de uma criatura tão angelical, com olhos tão inteligentes, mas ao mesmo tempo, tão frágeis? O mundo está diferente, nem melhor, nem pior; apenas diferente.
3 aos 10 anos: O que você pensa: A vida é uma festa. Não importa o quanto errado esteja, sempre estará certo, desde que você com sua expressão mais doce e diga: “Foi sem querer, mãe.”. Então ela hesita, mas não consegue ficar brava. Como ela consegue ser tão boa? Seria ela um anjo? Talvez. Deus sabe, até anjos caem, mas minha mãe nunca cai, nunca peca; o que quer que eu faça, ela vai continuar me amando, por um simples motivo: ela é minha mãe.
O que realmente está: A vida está uma bagunça. O antes tão doce bebê está se tornando um pestinha, muitos vezes fora do limite. Cada coisa que ele apronta! Mas como ficar irritado com ele, se ele é meu filho? Não importa o que ele quebre, quem ele insulte e o que ele faça, sempre o amarei, por um simples motivo: sou sua mãe.
10 aos 18 anos: O que você pensa: A vida é uma festa, mas você não foi convidado. Malditos todos sejam! Por que não podem me deixar odiar à todos, em paz? Minha mãe – argh, minha mãe – só é boa em uma coisa: me incomodar. Por que ela simplesmente não me deixa crescer, até porque deixei de ser criança há muito tempo atrás?
“Que horas você volta?”, “Leva um casaco!”, “Por que você está tão triste?”, “Você anda comento tão pouco!” são as coisas que mais ouço da boca de minha mãe, é claro, quando não a ignoro. Minha vida está um saco.
O que realmente está: A vida de meu filho – e consequentemente a minha – está de cabeça para baixo. Desde que ele começou a crescer, até parece que deixou de ser aquela criança adorável que tanto amei, e amo. Não me dá mais um “boa noite”, não me beija quando chega da escola; há muito tempo que não me dá satisfação por onde anda. Tenho tanto medo que ele se desvirtue, que vá para o mau caminho. Eu sei que ele está apenas confuso, mas toda vez que tento conversar, só tenha uma resposta: “me deixa em paz!”. Tudo o que eu queria é que ele ficasse em paz, mas como posso apaziguá-lo, se ele, há muito, já não confia em mim? Meu filho cresceu, e não sei se isso é bom ou ruim.
19 aos 35 anos: O que você pensa: Bem vindo à selva. Agora sou um adulto, estou no ápice de minha vida. Tenho minha própria família, meu próprio filho. Tenho bom trabalho, boa casa, tudo como o planejado. Minha mãe? Ah, é claro. Ela está bem, é óbvio. Acho que ela apenas melhorou desde que saí da casa dela. Agora pode viver a vida dela livremente, sem obrigações. Ela me liga, às vezes, e temos rápidas conversas. O que mais sinto falta? Da comida dela, é claro. Que minha esposa nunca veja isso, mas comida como a de mãe não existe igual.
O que realmente está: um novo sentido para a palavra solidão. Sempre pensei que a aposentadoria fosse maravilhosa, mas para minha surpresa, não é. A solidão é tanto que, por vezes, me pego olhando fotos do passado, lembrando-me de antigos bons momentos. Agora meu filho já não tem mais tempo para mim. Possui sua própria família, sua esposa – aquela megera que o roubou tão precocemente de mim – e seu filho. O amo tanto, mas parece que ele não me ama mais, pelo menos não do mesmo jeito de antes. Porque deveria ele me amar, já que não precisa mais de mim? O tempo custa a passar, e estou tão só.
36 aos 50 anos: O que você pensa é o que realmente está: Mamãe se foi, e dessa vez para sempre. Cada vez que penso que nunca mais verei seu sorriso, sua voz, seus conselhos, meu peito dói, e uma solitária lágrima escorre em meu rosto. Cada “eu te amo” que não disse, cada abraço que não dei, cada sorriso que não retribui, doem tanto agora! Ela abdicou parte da vida dela por mim, e eu não retribui a altura. Amo tanto minha mãe, tanto, e apenas me arrependo por ter percebido isso tarde demais; descobri que a amo justamente quando eu já não posso mais dizer isso à ela.
Se gostou do texto, corra até sua mãe a abrace, porque se há uma hora para dizer que a ama, essa hora é agora!
domingo, 9 de maio de 2010
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