Mesmo tendo certeza que poucos dos meus indecorosamente corajosos leitores entenderão esse texto, o postarei. Trata-se de um fanfic, fan fiction, ou seja, ficção escrita por um fã. Como todos aqueles que me conhecem e leem este blog sabem, eu sou um grande fã da série estadunidense "Supernatural". Eu escrevi este fanfic para um outro site, mas realmente não sei se eles postarão ou não, então mesmo achando que ele não se contextualiza com o blog - que tem duas linhas de texto: humor e reflexão - o postarei. Se você é fã de "Supernatural", creio que gostará, mas mesmo não conhecendo essa incrível série televisa, ao menos tente ler texto, que fala um pouco da mitologia cristã e principalmente do anjo Castiel.
When God is gone and the devil takes hold, who will have mercy on your soul?
Quando, após horas que lhe pareceram anos intermináveis, Castiel se mexeu, sentiu o peso da consciência humana. Fechou seus olhos, sentindo a salgada brisa do imenso mar a sua frente. Ele ficara inacabáveis horas parado ali, apenas observando o ininterrupto movimento das ondas. Tudo aquilo, tudo fora Ele que criara. Então por que Ele desistiu de tudo agora? Por que Ele preferiu ficar às sombras a dar um fim a tudo aquilo? Castiel sentiu a imensa raiva dentro de si aumentar, um fogo tão intenso que chegava até a ser sentido por seu receptáculo, Jimmy. Olhou para a garrafa de uísque ao seu lado, quase cheia, e sem hesitar, tomou todo o conteúdo em um longo gole. Repetiu esse ritual inúmeras vezes, garrafa após garrafa, suspiro após suspiro, até sentir a habitual plenitude que ele apenas sentia em sua casa, em seu Paraíso.
Castiel sentia que não importasse o que ele fizesse, seu destino era inexorável; ele acabaria perdendo por total sua graça, acabaria por se tornar humano. Humanos. Essas criaturas que tantos anjos desprezavam. Essas criaturas que eram tão desprezadas por seus defeitos e incoerências. E são essas as criaturas que Ele mais ama. Ama a ponto de mandar todos os seus anjos se ajoelharam perante e amarem igualmente. Ama tanto que os preferiu à seu filho, o arcanjo Lúcifer. O que Lúcifer nunca entendeu é que todos somos filhos Dele, e só porque Ele criou os humanos, não significava que fosse amar menos aos anjos. Mas não, Lúcifer não pode suportar a presença dos humanos, e então se rebelou contra os céus. Seu irmão Michael, o mais poderoso arcanjo dos céus, a mando do Senhor, expulsou o anjo traidor das ordas celestes.
Castiel nunca entendera esse tamanho afeto Dele pelos humanos, mas só após esse curto, entretanto, intenso tempo que ficou na Terra, pode entender. Humanos são fracos, imprevisíveis, traidores, falsos, incoerentes e sentimentais. Mas na mesma proporção são corajosos, lutam com tudo por aqueles que tem afeto, não desiste, e antes de tudo, têm algo que anjos jamais terão: liberdade. Liberdade que proporcionou a um simples humano, Dean Winchester, estragar todos os planos celestes em relação ao apocalipse. Castiel não cansava de refletir – e admirar – o quão interessante Dean era. Mesmo passando terríveis anos no inferno, mesmo tendo visto e feito coisas que todos os humanos duvidariam, ainda consegue ter esperança. Esperança que o Apocalipse não tenha que acabar do jeito que foi previsto – ele como receptáculo de Michael em uma luta mortal com seu irmão, Sam, como receptáculo de Lúcifer – fé de que eles possam, de uma outra maneira, terminar com o fim do mundo. A convicção de Dean sempre fez Castiel o admirar. Fez Castiel se rebelar contra seus irmãos, contra o Céu, contra tudo aquilo que ele acreditava.
Quando Castiel se rebelou contra todas as legiões celestes, começou a perder a fé em seu Pai, em seu Senhor. “Como poderia ele deixar anjos como Zachariah fazer aquilo que fazem?” pensava Castiel. Mas, depois de ser ressuscitado após seu extermínio pelo arcanjo Raphael, voltou a ter fé em seu Pai. Se Ele o trouxe de volta a vida, então teria propósitos, motivos para o anjo. Foi neste momento que Cas soube; ele devia buscar seu pai ausente.
Já portando o poderoso colar de Dean – o único objeto que poderia denunciar a presença de Deus – foi em busca do Criador. Como pode-se achar a força mais absoluta força do universo se Ele não quer ser achado? Castiel evitava esse tipo de suposição para si mesmo. Ele precisava ter fé. Precisava crer com todas suas forças que poderia acabar com tudo, que tinha a capacidade de achar seu Pai. Pois Ele seria o único capaz de impedir seus prodigiosos filhos arcanjos de trazer destruição a todos os humanos no mundo. Castiel tinha que ter fé, pois foi tudo o que lhe restara; do que seria o anjo sem fé?
Entretanto, quase que por uma peça do destino (destino?), os irmãos Winchesters foram ao Céu, e então Cas percebeu que eles tinham uma oportunidade única: encontrar Joshua, o possivelmente único anjo o qual mantinha contato com Deus. Castiel ficara horas apreensivo por respostas quando, finalmente, reviu os Winchesters. E recebeu a única resposta que não queria, a única coisa que seus ouvidos não estavam preparados para ouvir: que o Senhor não se importava com o que estava acontecendo, que não ia interferir. Castiel esperava essa atitude de todos, de tudo; menos do seu criador, de seu Pai.
Castiel se sentiu só, tão só e perdido como nunca imaginou que jamais fosse possível estar. Sem motivos. Do que adianta lutar por um universo sem Deus? Qual é a razão de continuar batalhando por algo, se nem Ele considerou isso digno de batalha? Com essas perguntas ainda em sua mente, questões gravadas de maneira indelével, Castiel vagava, sem razões, sem motivos, sem esperanças, sem fé.
terça-feira, 18 de maio de 2010
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