(Domingo, 23 de maio de 2010)
“Durante três domingos procurou-o inutilmente. (…) Pois no quarto domingo, achou.”
Pois é. Depois de te procurar em amigos que nem se pareciam contigo, em rostos estranhos nas ruas, de repente, eu te achei. Eu estava sozinha, pra variar. Nem era na tua rua, era só mais uma rua qualquer, dessas que a gente passa todo dia e nunca sabe o nome.
E de repente passa por mim um vulto de cabeça meio baixa, de skate. Eu, na verdade, só queria seguir em frente, mas meu coração me obrigou a parar. E assim, por uns dois minutos (desses que parecem uma eternidade) eu fiquei parada, na esquina (opa) te olhando.
Não, não acredito que tu tenha me visto também. Aliás, tenho essa mesma mania de achar que sou dona do mundo e não olho para mais ninguém na rua, nessas horas só existe eu & eu mesma. Talvez tu também estivesse nesses momentos, mas alguma coisa aconteceu, ali, pra eu te encontrar no meu caminho justo no momento que eu não estava distraída. E acredite, estou sempre distraída.
Nunca vai sair da minha cabeça esse “e se”. E se eu tivesse te chamado? Se eu tivesse gritado e pedido pra ti parar e aproveitar pra olhar nos teus olhos, ver o que tu anda fazendo dessa vida. Mas aí vem a questão que dói: teria feito diferença? Tu teria parado ou virado a cara? E se eu tivesse mesmo te parado pra dizer: feliz aniversário? E foda-se que é só amanha, eu só queria ter sido a primeira, eu e minhas manias de ser especial.
Talvez nem me ouvisse chamar, não duvido que estivesse ouvindo música no volume mais alto, apesar de eu não ter notado nenhum fone ou celular. Na verdade, foi tão rápido que podia nem ter sido tu. É, prefiro pensar que era outra pessoa, parecida que passou por mim para deixar saudades de alguém que na verdade não estava nem na mesma cidade que eu. Pronto, melhor assim. Pronto nada. E esse buraco no coração que implora pra gente conversar? E esse nó no cérebro que tenta me explicar que é impossível? Azar, pelo menos eu te vi.
17 é só uma vez e deixa eu te dizer: tudo é só uma vez. Pode ser o 4º abraço e o 6º riso, mas vão ser os únicos 4º abraço e 6º riso, entende? Então aproveita que nada acontece duas vezes e faz algo de útil: vive. Coisa de louca, quero que tu viva, mesmo sem mim. Porra, meu lado egoísta implora que todos os dias tu sinta minha falta tanto quanto eu sinto a tua. Mas lado meu te chuta pra frente e manda: sai daqui e vive bem, longe de mim.
17 anos. Tanta coisa pra ti fazer ainda, tanta coisa já foi feita, tantos caminhos já foram seguidos... Mas nunca é tarde pra mudar nada, e acredito que sempre há o que mudar. Muda, e muda pra melhor. Tem como? Tu sempre foi o “melhor”. Então, não muda nada :) Fica assim, sempre do jeitinho que eu te conheci, do jeito que me fez aproximar de ti. Daí quando as coisas voltarem ao normal entre a gente eu vou sentir como se o tempo não tivesse passado, nós dois estaremos iguais, só eu com umas histórias loucas a mais.
Hm até parece. As coisas nunca vão voltar ao normal, vão? Porque esse é o nosso normal agora. Porra, que normal mais palha. Vontade de enlouquecer as coisas. Mas talvez eu já deixe tudo bem louco só de vir aqui. Só de vir aqui pra ti apagar quando terminar de ler. Azar, tu não respondeu os e-mails e se não fosse por ontem de tarde, eu acharia mesmo que tu tava morto. Quem me dera, pelo menos morto não fica invadindo meus pensamentos e me assombrando pelas ruas de Sapucaia. Mentira, te quero vivo, porque sempre vou ter a esperança de te olhar e dizer: porra, jou, vai tomar no cu e ve se não te some de novo! E terminar com aquele abraço na pontinha do pé, já que de pequena, tenho muito.
17 anos e apenas 2. 17 anos e tudo isso em 2. 17 e tanto pela frente... Jou, obrigada por ter feito tudo que tu fez por mim, desculpa não ter feito tanto, mas alguma porcaria eu fiz, se não tu não teria ficado do meu lado por 2 anos inteiros. Aproveita ao máximo, te quebra, fuma, bebe, chora, ri, grita, cai, sai, canta, corre. Mas por favor, volta inteiro pra casa no fim do dia.
Não é declaração de amor porra nenhuma, tu sabe mais do que ninguém que eu não sei fazer dessas coisas. É declaração de amizade, então. Vou guardar comigo todas as histórias, as risadas, os filmes, as músicas, o cd que nunca chegou. E principalmente os planos, aqueles que a gente nunca realizou, e nunca mais vai realizar. Sabe, esse “nunca” me corta o coração. Nunca é tipo... sei lá, nunca mais ver é uma pequena morte.
Não vou tomar nenhuma medida drástica quanto a nunca mais te ver, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? E vou insistir. Sempre. Pronto, “sempre” é tãão melhor que “nunca” :) Juro que não to louca, nem bêbada, to na verdade sóbria pra caralho e é óbvio que eu não tenho outra saída a não ser dizer: feliz aniversário, jou :) Espero mesmo que um monte de coisa boa aconteça contigo, mesmo que tu nem perceba. E não é só porque é teu aniversário, seria clichê demais. É porque tu merece. E (no fundo) tu sabe que merece ;)
Texto escrito por A.P.V.
Foi parcialmente editado por um garoto de olhos negros como a morte, olhos que agora insistem em deixar algumas lágrimas fugirem.

3 comentários:
Só para constar, eu teria. Não que importe, mas eu teria.
you'll never know dear, how much i love you (L)
Em tantos lugares pra te procurar, fui te achar justamente aqui. Em um post escrito por ti. No meu blog. No mínimo poético.
And about the love, I still think there's time for you let me know.
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